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Se você é remédio ou veneno ainda não sei
Só sei que vou beber até a última gota.

ACORDES

Queria te pintar em uma tela
Em cores
Em aquarela te dar forma

Ou quem sabe fazer acordes
Te transformar em música
Fosse pra rir ou chorar
Canção pra matar a saudade
Quando saudade quiser me matar.

ARTIFICIAL

Nesse mundo tão vazio de toques na pele
Cheio de toques na tela
Olhares rasos
Conversas secas
Onde não há mais lugar para cartas escritas a mão
Nem se conhece o cheiro do amigo

Nesse mundo sem conversas na calçada
Onde não se olha mais o céu
Não se conta mais estrelas
E os pirilampos são apenas recordações

Temo que a primavera nos dê flores de plástico.

MERGULHO

Encantei-me pelo mar
Talvez por nunca ser igual
Ora suas águas são serenas
Em outra é onda que afoga
Nunca sei se a maré estará cheia
Se precisarei ficar na areia

Apaixonei-me pelo mar
De águas frias
Areias quentes
Mar que enfeitiça a gente
Banha o corpo
Lava a alma
Deixa seu sabor na pele
O gosto de sal que tem na água
Que vem no vento
Tempera a vida da gente

Ah mar!
Agora sei porquê te chamas assim
Quero mergulhar
Eu quero amar.

ASSIM SOU EU

Sou tempestade
Não tenho hora para chegar
Me darramo aqui ou acolá

Sou cura e veneno
Provoco suores
Lágrimas
Arrepios
Arranco suspiros

Sou vento sem morada
Nada deixo no lugar
Tiro pedaços
Te viro no avesso

Sou bússola sem ponteiro
Trem sem maquinista
Te tomo por inteiro
Não preciso do sim ou do não
Tiro o juízo e a razão

Muito prazer!
Me chamo paixão.

Elis Barroso

⁠NUM DIA DE CHUVA

Céu cinza, telhados molhados
As gotas de chuva no vidro da minha janela
Escorrem feito lágrimas
Bate àquela saudade
Do abraço que não aperta mais
De quem só restou um retrato amarelecido
E a presença que insistiu em ficar dentro de mim
Dos olhos que não se cruzarão mais com os meus
De sentimentos fugidios que moram no ontem
Saudade daquilo que não tomou forma
As gotas de chuva choram na minha janela
Enquanto a saudade chove em meus olhos.

⁠Já levei muita porrada da vida e sei que vou levar muitas outras. Mas estou aí, firme, porque o irremediável é a morte.

Eles são manipulados a esse ponto, de brigar pelo interesse do patrão. Eu não vou brigar pelo interesse do qual eu recebo 10% de 90%. Quem tá com os 90% que vá lá brigar. Consciência de classe muito pouca gente tem.

ENTRE OS LENÇÓIS

Nossos pés se procuram entre os lençóis
Num roçar suave se acariciam
Confidenciam em silêncio
Fazem juras sem palavras

Nossos pés entre os lençóis
Sussurram segredos que meros humanos jamais vão saber.

Inserida por elis_barroso

DESCONEXO

Sinto o gosto do abraço
O afago do beijo
Ouço a conversa dos olhares
Descobri:
Viver não precisa fazer sentido.

Inserida por elis_barroso

CONCLUÍ
Olhando uma bela xícara que virou vaso de flor
Concluí:

Para nada existe fim
Só mudanças
Recomeços.

Inserida por elis_barroso

Aceito convite para  assistir a lua e as estrelas da varanda
Para ouvir uma orquestra de grilos
Ou tomar um porre de risos até doer a barriga.

                               

Inserida por elis_barroso

COMO NASCEM OS POEMAS
Poemas nascem do amor entre a caneta e o papel
Cada qual com a missão
De libertar a quem o lê.

Inserida por elis_barroso

DESEJO A VOCÊ

Que tu saibas encontrar felicidade em um botão de flor
Em um dia nublado
No inverno prolongado
E até mesmo na dor

Desejo que sejas feliz até no dia ruim
Quando o riso não for tão constante
Quando ouvires mais nãos do que sins

Quero que aches graça nos próprios tombos
Que mude de sonhos
De rumo
De planos

Que tu saibas encontrar a felicidade
Ou melhor
Que ela se encontre em você.

Inserida por elis_barroso

Deixe um pouquinho de ti
Leve um cadinho de mim
Quem sabe assim
Eu cresça em você
E floresças em mim.

Inserida por elis_barroso

PAI

Pai, quantas vezes fiquei revoltado
Por não deixar-me andar com aqueles "amigos"
Que gostavam de correr perigo
Por não teres me dado aquele tênis irado.

Pai, tantas vezes eu não entendi
O porquê de querer me levar pra escola
Deixar-me de castigo por notas vermelhas
Beijar-me na bochecha sem entender que cresci.

Pai, tantas vezes desprezei seus conselhos
Fugi de casa pra viajar com colegas
Acidentei-me naquele carro sem freio
No hospital virei a cara aos seus beijos.

Pai, hoje sei que você estava certo
Quando queria que eu chegasse cedo em casa
Quando dizia que não fosse tarde pra cama
Quando mandava eu ficar por perto.

Pai, levou tempo, mas agora entendo
Suas lágrimas em minha formatura
Àquela surra quando roubei no mercado
Seus soluços ao ver vovô morrendo.

Pai, como eu queria que você soubesse
Hoje sou igualzinho a você
Meus filhos ainda não me entendem
Como eu queria que seus conselhos desse.

Meu pai, tudo eu daria com toda certeza
Pra ter direito a um último pedido
Pois sem você eu me sinto perdido
Só mais um beijo em minha bochecha.

Inserida por elis_barroso

A DOR QUE NÃO VIRA POEMA

A dor que não vira poema
Sufoca na garganta
Cresce um pouco a cada dia
Mata devagarinho

A dor que não transborda em poesia
Cria limo no peito
Cresce lodo na alma
Afoga a esperança

A dor que vira poema
Derrete
Esvai
Se vai.

Inserida por elis_barroso

BALANÇO

Quando criança eu não sabia do vai e vem da vida
Cada coisa estava sempre no mesmo lugar
O limoeiro, a mangueira
O pé de papoulas em que eu brincava de comidinha
O varal de roupas branquinhas que pareciam bandeiras da paz
A merenda estava sempre na lancheira
O café na garrafa
Cada coisa em seu lugar
Parecia que nada nunca mudaria

Fui descobrindo que não
Os avós não são para sempre
Muitos amigos se vão
As nuvens nem sempre tem forma
Às vezes são só uns borrões
Nos terrenos baldios nascem prédios
As estradas se bifurcam
Nos obrigam a tomar direções

Quando criança eu não sabia do vai e vem da vida
Ainda estou aprendendo a me equilibrar.

Inserida por elis_barroso

ACREDITO

Perguntaram-me se acredito em amor que dura pra sempre
Respondi que sim
Os meus são todos eternos
Os levarei pra sempre comigo
Vivos
Gravados com tinta no papel
Transformados em poema.

Inserida por elis_barroso

TROCA

Vamos trocar nossos saberes
Você aumenta meu mundo
Eu aumento o seu
Você me ensina a escrever
Eu te ensino a remar

Peraí! Eu não sei remar
Te ensino quando aprender
Amar eu sei!
Deve ser quase a mesma coisa.

Inserida por elis_barroso

PRECE

Ainda trago na boca
O gosto dos beijos teus
Meu corpo agradece
E quase faz uma prece
Rogando que seja seu.

Inserida por elis_barroso

PEDAÇOS

Pedacinhos de mim
Vai ficando em cada verso de poema
Em meus riscos
Rabiscos
Em cada frase
Num conto
Em uma crônica

Lascas de mim
Caem entre os vãos das palavras
Ficam presas em vírgulas
Entre as páginas de um livro

Já não sou mais inteira
Derramo-me a cada deslizar da caneta

Um dia
Serei feito folhas ao vento
Terei em cada canto
Um pouquinho de mim.

Inserida por elis_barroso

DIAGNÓSTICO

Quando o olhar te trai
O corpo sua
A língua tem sede
A pele arrepia
Quando as pernas vacilam

Será doença ou paixão?
Indecisão!
Quem sabe são a mesma coisa.

Inserida por elis_barroso

MISTÉRIO

Entre o batom e o perfume
A montanha russa de hormônios
Nos vãos da doçura e da artimanha
Nem mil filosofias explicarão
O que se esconde em uma bolsa
E na alma de uma mulher.

Inserida por elis_barroso

DOS QUE PARTIRAM

Nesse mundo tão grande
Muitos passaram por mim
Uns deixaram saudades
Outros ensinamentos
Teve aquele que não fez diferença
E até quem mudasse minha crença
Você?!
Você ainda mora em mim.

Inserida por elis_barroso