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Ter habilitação para dirigir a palavra é como ter a chave do diálogo: transite com cuidado, respeite os sinais de empatia e lembre-se de manter o caminho da compreensão sempre aberto.
Se eu fosse questionado hoje sobre o que desejar ao mundo, eu desejaria diálogo. Se agora você for ao teu lugar de conforto, você verá que do maior ao menor problema, um diálogo diferente teria trazido à realidade dos fatos, uma finalidade mais justa, sensata e empática. O diálogo não é simples, nele não pode haver raiva momentânea, ou rancores, ele deve ser fluído e feito fora do momento de caos. Ao momento de caos, dê lhe preferência ao silêncio, o silêncio é importante, faz com que o outro não invalide toda sua importância. E, ao outro, independente de como ele te trata, cabe a você compreender e transpassar cada vez melhor o seu diálogo, tranzendo-oª cada vez mais para a realidade.
O melhor objetivo de um diálogo é (mutuamente) buscar entender o que o outro vê e como enxerga você, como ela se sente afetada (positiva ou negativamente) por você, seja em algo que você tenha falado, praticado, seja pelo contexto em que você se encontra... Um diálogo verdadeiro, profundo, honesto é uma troca de olhares, com o objetivo de se construir (mutuamente) uma visão da relação e o caminho de um amor maduro.
Três coisas difíceis que deixam a vida mais simples,
na medida que vão sendo entendidas e praticadas:
a paciência, o diálogo
e o perdão.
S.A.
A reciprocidade estimula a participação que por sua vez provoca o diálogo. E esse não é apenas a troca de palavras entre interlocutores, mas é o gesto de ouvir, sentir, absorver e muitas vezes mudar de opinião no contexto da argumentação do outro.
Sócrates refuta Marx
Cena: Um café filosófico em Atenas, com Sócrates e Marx conversando.
Sócrates: Ah, Karl, você trouxe seu livrão! Esse tal de "Manifesto". Interessante essa sua ideia de "luta de classes." Diga-me, Karl, é algo que posso pegar na mão, ou está mais perdido na sua cabeça do que a rota de uma pomba bêbada?
Marx: (rindo) Sócrates, vamos falar sério! A luta de classes é uma realidade social! São as classes em conflito que movem a história para frente.
Sócrates: Ah, entendo. Então se eu não vejo a classe alta jogando tapas e socos na classe baixa, a culpa é dos meus olhos? Karl, sinceramente, essas classes são feitas de carne e osso ou de fumaça de ideias? Porque eu nunca vi história avançando no grito.
Marx: Ah, Sócrates! A luta não é literal! É sobre quem controla os meios de produção. Quem controla, explora; quem trabalha, é explorado. Fácil de entender.
Sócrates: Então você quer que todo mundo compartilhe os meios de produção. Isso quer dizer que o mundo seria tipo... um grande piquenique? Cada um traz uma coisinha e ninguém briga pelo pãozinho?
Marx: Em essência, sim. Se eliminarmos a propriedade privada, acabamos com a exploração, e voilà! Conflito resolvido!
Sócrates: (fingindo pânico) Espera aí, eliminar a propriedade privada? Onde vou guardar minha toga? E o que você faria com esse seu tijolão do "Manifesto"? Sem propriedade, até meu humilde pedaço de queijo vira “patrimônio público”, certo?
Marx: Sócrates, foque no ponto! Não estou falando da sua toga! A propriedade que quero abolir é aquela que serve para explorar. É a que gera desigualdade!
Sócrates: Ah, entendi! Então viveremos sem propriedades "exploradoras", mas ainda com um cantinho para chamar de meu? E quem decide o que é justo ter? Você, Karl? Vamos nomear juízes para essa "nova ordem" ou confiar nos deuses?
Marx: É a sociedade! Cada um vai contribuir com o que pode e receber conforme sua necessidade. Isso é igualdade!
Sócrates: Que romântico! Mas, digamos que minha “necessidade” seja uma taça de vinho toda noite, e a do meu vizinho seja só um pãozinho seco. Isso não causaria... vamos dizer... “alguma” dificuldade?
Marx: (irritado) Sócrates, eu não estou falando de caprichos! Numa sociedade justa, apenas as necessidades reais são atendidas.
Sócrates: Ah! Agora sim, Karl! Então precisamos de um comitê para decidir o que é real e o que é “fútil.” O vinho é o quê, então? Se for uma comissão de bebedores, acho que estou salvo!
Marx: (suspiro profundo) Você só quer brincar, não é, Sócrates? A questão é que a exploração aliena o trabalhador, fazendo-o esquecer sua verdadeira essência!
Sócrates: Certo, então a solução é eliminar o trabalho? Karl, isso mais parece preguiça organizada! Confesso que é tentador…
Marx: Não se trata de eliminar o trabalho, e sim torná-lo uma fonte de realização!
Sócrates: Sim, compreendo. Mas quem vai realizar o trabalho que ninguém quer? Precisaremos de “voluntários”? E se todo mundo quiser tocar flauta ao invés de plantar batatas?
Marx: Numa sociedade igualitária, todos vão contribuir para o bem comum, e o egoísmo será coisa do passado.
Sócrates: Aham... então você acha que todos vão ignorar o próprio umbigo e trabalhar felizes pelo bem maior? Karl, eu nunca vi isso em Atenas. Quem sabe em outro planeta, com habitantes mais... "evoluídos."
Marx: Esse mundo é possível, Sócrates. Mas, claro, você prefere zombar do que acreditar numa nova ordem.
Sócrates: Eu prefiro questionar, Karl. Afinal, como disse um amigo meu, “a vida sem questionamentos não vale a pena ser vivida.” Agora, imagine o que seria da sua “nova ordem” sem um bom puxão de orelha de vez em quando!
Que pena! Não há mais conversas. Não há mais diálogos. Ninguém escuta ninguém. Cada um quer ter razão. Cada qual com sua televisão. Cada qual com seu conforto. Com suas coisas... É solidão que chama?
Queremos máxima atenção ao falar, mas damos zero atenção ao escutar, transformando o diálogo em monólogo.
Antes de tecer críticas sobre algo, busque conhecer minimamente.
Isto vale para pessoas, lugares, religião, política, causas e outras coisas da vida.
O diálogo sincero constrói a ponte necessária entre as palavras e o entendimento, trazendo a harmonia e a paz.
Diálogo é importante em uma interação, assim como o bom senso, e que a convicção pessoal, por mais forte que seja, não deve calar a razão.
Às vezes, palavras ditas de maneira leviana podem nos ferir profundamente, e, mesmo que venham da boca para fora, a dor que deixam no coração é difícil de curar.
As palavras têm a fantástica habilidade de ligar mundos e conectar histórias; o poder de uma conexão sincera se encontra, também, em um diálogo completo. Poder esse que não está apenas no que se diz, mas no que se sente e também no que se entende, na voz ou no silêncio.
A liderança que almeja o sucesso pratica o recato no diálogo com os seus liderados ao invés da força.
José Guaracir
O homem é um macaco em solilóquio que criou Deus à sua imagem e semelhança para ter com quem dialogar.
Aquela grosseria que você rebate fingindo que não percebeu nada traz um ar de superioridade que só provando para saber.
Quando alguém diz: você não consegue... Sentimentos e sensações podem variar, conforme o que tem dito sobre si em seus diálogos interiores. Que tal ser entusiasta de si mesmo?
