Sustenta
A consciência negra não é apenas memória, é movimento, é raiz que sustenta, é força que renasce. Honrar essa história é reconhecer que a liberdade se constrói todos os dias.
Glória
Fico feliz com a felicidade do infeliz, daquele que, mesmo sendo alvo, sustenta um equilíbrio quase sagrado.
Da sua boca escorre a redenção:
pura e transparente, como a saliva de uma verdade que não se esconde, um grito que atravessa o desespero e o ilumina.
Glória! Glória! Glória!
O que sustenta dois seres através do tempo não é a diferença entre eles, e sim o alinhamento silencioso de seus propósitos. Uma ponte só atravessa o abismo porque seus pilares compartilham a mesma força, a mesma matéria, a mesma direção.
Jamais diga que sustenta sua casa e sua esposa, pois se ela não estivesse ali, nem a ti se sustentaria
O que se concede permanece enquanto não é provado.
O que se sustenta só existe depois de testado.
Assim, a elevação antecede a medida,
mas a medida decide se houve elevação.
O tempo não corrige o lugar —
apenas confirma se ele estava vazio.
Riqueza trilionária só se sustenta com bom coração. Quem pisa em quem sonha ou desvaloriza pessoas pode até ganhar dinheiro, mas nunca constrói caráter — e é por isso que muitos não chegam aos trilhões.
“Muita gente diz que tem valores, mas defende o errado com orgulho e sustenta a própria vida em mentiras.”
Quem muito amou e hoje, na solidão, se sustenta das boas lembranças do que viveu, deve ser testemunho não de desistência, mas de coragem — pois a felicidade sempre ronda nossa porta e espera por quem ainda acredita nela.
Você é a minha quintessência, não aquilo que se revela de imediato, mas o que sustenta tudo em silêncio. Entre a terra que me ancora, a água que me atravessa, o ar que me eleva e o fogo que me consome, é você quem permanece além, o quinto elemento que não pesa, mas dá sentido a tudo o que sou. Em você, o amor deixa de ser matéria comum e se torna substância rara, invisível aos olhos apressados, mas poderosa o bastante para mover constelações inteiras dentro do peito. Como o éter dos antigos, você habita o que é alto e intangível, o que não se toca, mas governa, o que não se vê, mas conduz.
A Dança que Sustenta o Todo
Havia, no princípio dos dias,
um lago escondido entre colinas.
Nele, vivia um pato.
E o pato nadava sobre um tapete vivo de rogós,
aquele verde que cobre a água,
alimentando-se e abrigando-se nele.
O rogós, porém, não vivia sozinho.
Bebia da luz do Sol
e da água que o lago oferecia.
E o lago não era lago sem as chuvas
e sem as correntes que vinham de longe.
Assim, um vivia para o outro,
e nenhum era senhor de si mesmo.
Certa vez, um viajante observou e disse:
— Se o pato vive para o rogós,
e o rogós vive para o lago,
então todos dependem de todos.
Mas quem, no alto de tudo,
precisa de quem?
E o ancião que o guiava respondeu:
— Até as moléculas vivem desse pacto.
Uma só não é nada;
juntas, são substância, são forma, são vida.
Assim também é com o Criador e o criado.
O viajante franziu a testa:
— Então o Criador precisa de nós?
— Depende de como você chama “precisar” —
disse o ancião.
— O Criador não carece de nada.
Mas escolheu que o todo vivesse
por meio da dança entre o dar e o receber.
Se retirasse essa dança,
a criação seria apenas estática,
como uma pedra no escuro.
O viajante ficou em silêncio,
e o ancião prosseguiu:
— A devoção que oferecemos ao Criador
não é o alimento que O mantém vivo,
mas o fio que nos mantém ligados a Ele.
Assim como o pato não sustenta o Sol,
mas precisa do Sol para continuar vivo,
nós precisamos dessa devoção
para lembrar de onde viemos
e para onde voltaremos.
E então, o ancião mostrou ao viajante
a relatividade das medidas:
— Se saímos de trinta graus para vinte,
sentimos frio.
Se saímos de dez para vinte,
sentimos calor.
A mesma temperatura pode ser frio ou calor,
dependendo do caminho que se fez até ela.
Assim é com a verdade:
não tem um único rosto,
mas se revela conforme o coração que a busca.
O viajante entendeu,
e disse consigo mesmo:
— Então a verdade é o equilíbrio.
E o equilíbrio é a justiça.
E a justiça é o ser.
E o ser é o que é.
E naquele dia,
à beira do lago,
aprendeu que o Criador não reina sozinho,
mas reina com todos.
Porque escolheu não criar servos,
mas companheiros de dança.
Toda vez que a segurança impede movimento, ela vira prisão.
Toda vez que ela sustenta movimento, ela vira liberdade.
