Suspiro
Nas entranhas do silêncio, meu coração sussurra a tristeza de uma alma naufragada, onde cada suspiro é um eco solitário na vastidão do vazio, e as lágrimas se tornam rios que levam consigo os fragmentos da esperança que um dia ousaram florescer.
Posso discordar de todas as palavras que proferir, porém, defenderei até o último suspiro o seu direito de expressá-las.
Quase sempre apressado
Sou eu quem chego primeiro
No seu suspiro derradeiro
Eu quem estarei ao seu lado
E não serrei dissimulado
Te mostrarei aonde errou
As vezes que me ignorou
Sem conseguir me reverter
Vai notar que é meu dever
Esquecer o que não zelou
Quando meu último suspiro chegar, que meus saberes me acompanhem, como um legado invisível que nunca se apaga.
Às vezes, a noite chega como um suspiro de despedida e um convite ao recomeço. Entre o fim e o início, há um instante de silêncio onde cabem todas as reflexões, os acertos e os erros, os sonhos que resistiram e os que precisam ser reinventados. Que esse momento nos ensine a aceitar o que passou e a abraçar o que vem, com a leveza de quem sabe que cada novo dia é uma nova chance de ser, sentir e transformar.
Edelzia Oliveira
"Quando o pôr do sol beija o mar"
Quando o pôr do sol beija o mar,
há um suspiro no universo inteiro,
como se Deus descansasse os olhos cansados
numa tela viva de luz e silêncio.
O céu se curva com humildade,
num gesto de ternura que só os puros entendem,
e o mar, velho confidente dos ventos,
abre os braços em ondas de encantamento.
Não há pressa.
O tempo se descalça para caminhar sobre as areias douradas,
e cada segundo parece uma eternidade
vestida de paz, cor e esperança.
É ali, nesse limiar entre dia e noite,
que os corações mais sensíveis se encontram consigo mesmos.
Alguns choram baixinho sem saber por quê.
Outros apenas respiram, gratos por existir.
Porque quando o pôr do sol beija o mar,
algo em nós se acalma.
As dúvidas dormem, os medos se recolhem,
e o amor — mesmo sem nome —
nos visita com os pés descalços e alma leve.
As lembranças antigas dançam na espuma,
e as promessas do futuro se pintam no céu
como se dissessem: “Vai ficar tudo bem…
a vida sabe o que faz, mesmo quando parece não saber.”
Há poesia em cada reflexo dourado,
em cada pássaro voltando ao ninho,
em cada barco que silencia no horizonte,
sabendo que não se chega a lugar algum
sem antes se perder um pouco na beleza.
E tu, que olhas o pôr do sol em silêncio,
carregas dentro de ti um mundo inteiro:
as dores que ninguém viu,
os sonhos que ainda não contaste,
as alegrias escondidas em pequenos detalhes.
Mas naquele momento, tudo cabe num só verso:
“Estou vivo. Sou parte disso tudo. E sou amado pelo céu.”
Quando o pôr do sol beija o mar,
há um recomeço disfarçado de fim,
uma luz que se despede só para voltar mais forte,
e uma certeza suave:
mesmo nas sombras, ainda há beleza.
E que belo é saber que, enquanto o sol beija o mar,
o amor também nos beija em silêncio,
nos convida à leveza,
e nos recorda — sem dizer palavra —
que viver é, sobretudo, saber contemplar.
" VEREI? "
Verei, de novo, a noite enluarada
silenciar-me a alma em seu suspiro
e despertar-me à carne outro vampiro
no veio da poesia em mim sangrada?
Debruçarei por sobre o sol no giro
de um ano a mais na solitude dada
ou deixarei que a luz da madrugada
descanse em mim o verso em que respiro?
Contemplarei, de outra nudez, o encanto
ou, da paixão, a voz em acalanto
chamando-me à união uma vez mais?
De novo, já nem sei se o esplendor
verei, de reluzente e incauto amor
a se atracar no escuro do meu cais!
SAUDADE
Saudade, suspiro queixado na mente
O sol poente duma situação passada
Aquela melancolia no tempo gravada
O perdido dantes encaixado na gente
Uma poética opaca que a poesia sente
Vazio insistente, motim, a alma calada
Migalha nostálgica em uma dor selada
E, no peito a alta solidão, inteiramente
Sofrente sensação que a noite sustenta
Que espinha, apimenta e tanto inquieta
Uma angústia que embala e apoquenta
Exala um sentimento de ligação direta
Ao sofrimento, o ocaso que desorienta
Um tal regular versejar de todo poeta!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12, setembro, 2022, 17’00” - Araguari, MG
Amor em forma de ilusão
Paixão em forma de suspiro
Felicidade em forma de união
Razão em forma de emoção
Amizade de forma de confraternidade
Tristeza em forma de pensamento
Pensamento em forma de esquecimento
Solidão em forma de desespero
Emoção em forma de fé
DURA PARTICULARIDADE
Sinto um suspiro forte que percorre
Por toda entranha da minha poesia
Quando nos versos vejo a analogia
De amor e dor, se fé qualquer acorre
Sinto cada poética quando morre
E rouba do espírito a farta alegria
Se nem da esperança tem tutoria
Se de abandono se tem um porre
Sinto não ter a inspiração valorosa
E sim, a severa, rude e tola escrita
Quando só quer ter prosa amorosa
Sinto aperto, uma sensação ermita
Cá no peito, duma solidão teimosa
Ah! dura particularidade, sem dita!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17 setembro, 2022, 12’10” – Araguari, MG
Suspiro o meu último pensamento,
A ideia da solidão cessa por fim,
Da descrença naquilo que aparento,
Desapareço nos sonhos que há só em mim.
E esta locomotiva fugaz que passa
Desperta o que mais rotineiramente temo,
O demonstrar de um vazio sem graça
E faz morrer um pouco mais do que é supremo,
O sentimento que marca o enredo
E esmorece correndo do relógio,
Me afasta da infância que pela ilusão entendo,
Que me vê em lágrimas, feliz, ao som d’um mau presságio.
Vai chover, eu falei para ela.
Mas está tão quente, ela me disse.
Após um suspiro começou a chover, calma.
Como você sabia que ia chover? Ela me peguntou.
Sou conectado com a chuva, a noite, as estrelas e as nuvens. Ambos tem coisas em comum.
Mas o que tudo isso tem haver com o fato de você saber que vai chover? Ela me perguntou.
Então eu disse, feche os olhos!
Num suspiro a gente morre
E o tempo é pouco a pensar
Vivo a vida com alegria
Pra desse tempo me lembrar
Num canto pode estar o descanso , a respiração pode ser de um simples cansaso e num suspiro pode ser a sensação de alívio ou de deseperada.
Já sabes que a ti pertenço...
Desde meu primeiro adoentado suspiro,
Até meu derradeiro, imerso no imprevisível.
Por vezes devo me esgueirar pela porta da reguarda,
Mas na ida do sol e vinda das estrelas,
Com meu coração fragmentado e a morte à sua silhueta,
Cruzarei outra vez o imponente portão de sua residência,
Onde ao mal não é tolerado a prevalência ou espreita.
Dada a hora final, um suspiro mental
ou mesmo um sonho fatal.
Dadas as circunstâncias, as lembranças ou mesmo desesperanças, é o momento onde dessata-se o laço carnal.
Aos demais o sonho de viver serão por um tempo solene, mas logo cantaram a melodia da paixão.
Paixão que perdi de mim, dos meus, dos seus, dos nossos. No mar desolado, me náufrago... Afundo-me no mar sem fim do vazio estrelado.
Victor Martinez Amaro Santos
1992 🕊️ 2023 ✝️
aprender a viver em amor mesmo que em meio a dores e aflições é,o suspiro da alma trazendo a mais bela e profunda canção,o amor venceu!
- Relacionados
- Frases Viva a Vida e Faça de Cada Momento um Suspiro
