Sou Complexa Definir
Eu
Sou quem ficou
quando tudo foi embora.
Corpo marcado de quedas,
alma ainda em pé por teimosia sagrada.
Não por força heroica,
mas porque algo em mim se recusa a morrer.
Eu amo como quem entrega casa aberta,
mesa posta, bolso destrancado,
coração sem cadeado.
E o mundo, analfabeto de cuidado,
confundiu isso com fraqueza.
Não era.
Eu cai no asfalto, no banheiro, na rua,
cai nas pessoas,
cai nas promessas.
E mesmo assim, levantei sem aplauso,
sem plateia,
sem mão estendida.
Há em mim uma fé cansada,
não a fé que grita,
mas a que respira baixo
e continua.
Deus me vê quando ninguém vê.
No dia sem comida.
No dia sem resposta.
No dia em que o silêncio é a única companhia.
Eu não sou a que perdeu.
Eu sou a que não se perdeu,
mesmo quando tudo conspirou para isso.
Ainda há luz em mim,
não aquela que ilumina os outros,
mas a que agora aprende a ficar para si.
E isso, por mais que tentem,
ninguém apaga.
Isso sou eu, sem romantizar dor e sem me diminuir.
Não é o fim da história. É o retrato do intervalo.
E intervalos também são parte da música.
Sobre a minha vida falam muitas coisas, e não sou responsável pelo que as pessoas acreditam. Não controlo a visão que têm de mim, por isso não faço questão de mudar pensamentos.
Poema dos Apaixonados
Não sou o sol que nasce no infinito, mas posso bronzear o teu corpo.
Não sou a chuva que cai do céu azul, mas posso deixar-te molhada.
Não sou o mar que para na areia deserta, mas posso ser a lágrima salgada que entristece seu olhar.
Desconheço a autoria
Não sou o rio de água clara que te trouxe ao porto que uniu nossos sentimentos, mas posso levar-te em outro horizonte.
Não sou a balsa que segue no riacho do seu aconchego, mas posso ser a correnteza que leva pra longe tua íntima solidão.
Não sou a jangada que flutua no ribeirão sem fim, mas posso ser o peixe que nada em direção dos teus seios macios.
Não sou o córrego que divide o arvoredo da floresta, mas posso ser o vulcão que seduz, e o medo que te apavora.
Não sou o lago tranqüilo do bosque da cidade, mas posso ser o descanso do teu paradeiro.
Não sou o dourado da lagoa esquecida, mas posso ser a águia dourada que pousa na pedra da ilha que cruza teu caminho.
Não sou a represa que mata a sede da garça branca, mas posso ser o prazer que mata os teus anseios.
Não sou a cachoeira cristalina que busca tua miragem, mas posso ser o pranto sentido que rola em tua face.
Não sou o navio que se perdeu no oceano solitário, mas posso deixar-te perdida de encanto na estrada que te leva ao paraíso.
Não sou o jardim que floresce na primavera, mas posso deixar o teu mundo florido.
Não sou o calor do verão que toca tua pele, mas posso deixar-te suar no delírio do êxtase que te domina.
Não sou o outono que enfraquece as folhas com a sua chegada, mas posso enfraquecer-te de saudades com a distância que nos separa.
Não sou a neve que enfeita a manhã de inverno, mas posso ser o manto branco que traz a pureza do teu sorriso.
Não sou a nuvem que deixa o dia nublado, mas posso deixar sua tarde sem cor com a ausência dos meus carinhos.
Não sou a lua que pranteia o anoitecer, mas posso ser o véu do luar que cobre teu destino.
Não sou a estrela que brilha na escuridão da noite, mas posso refletir no espelho do teu castelo de sonhos.
Não sou Saturno que às vezes surge na imensidão do espaço, mas posso enlaçar o teu amor com a fúria de um beijo.
Não sou o vento que murmura no silêncio da madrugada, mas posso ser o redemoinho que assanha teus cabelos.
Não sou a terra que dá força à natureza, mas posso ser o universo dos teus passos.
Não sou a dor que te maltrata sem nenhuma piedade, mas posso ser a erva silvestre que te alivia.
Não sou a mata virgem que refresca a tua alma, mas posso ser a sombra suave que enxuga sua ardente transpiração.
Não sou o ramo nativo que cresce na várzea sem ser semeado, mas posso ser a semente fértil que germina em teu pensamento.
Não sou o pomar do pequeno vilarejo, mas posso ser a fruta doce que te alimenta.
Não sou o perigo da selva abandonada, mas posso ser a fera que te sufoca de agonia.
Não sou o pássaro que voa sobre a montanha, mas posso deixar-te no ar com o desejo louco de amar.
Não sou o fogo que faz a queimada da serra seca, mas posso ser a chama que te queima de paixão.
Não sou a coragem do herói que luta em defesa do sertão, mas posso ser a armadilha que te prende de sensação.
Não sou aquela demanda que espanta o feitiço que tranca o teu caminho, mas posso ser a espada que te protege.
Não sou a ânsia que domina teu ser, mas posso ser o pecado que marca tua boca vermelha.
Não sou o dono de tua vida, mas posso ser o dono do seu coração.
Não sou Deus que criou a verdade, mas posso ser a luz que iluminará a tua eternidade.....
Desconheço a autoria
Sou contra a psicopatia, por isso jamais adoraria um deus que resolveu matar a humanidade cometendo genocídio por afogamento, que testou a obediência exigindo que um pai sacrificasse o próprio filho, que podia simplesmente perdoar pecados mas preferiu um ritual de tortura e execução pública, e que transformou sofrimento humano em método pedagógico.
Nunca fui bom exemplo para nada mas existo e persisto viver pelo bem que acredito. Não sou menos e nem mais importante que as menores das criaturas, que neste tempo comigo, habitam este mundo. Tudo tem sua razão de ser, neste momento e pela eternidade.
Sou sensível, atento e me solidarizo com quase todas as dores do mundo. Muitas das vezes, entristeço me, suspiro e sofro emudecido mas sem aparentar. Por que a vida, como ela é desde muito cedo, me roubou para o bem das continuidades, que estão sempre a frente bem mais que as saudades, todos os meus choros com lagrimas.
Tenho orgulho da pessoa que por vezes sou, pois sei que perfeito não somos, e bom não podemos ser a todo momento, mas minhas falhas e meus defeitos ja não tomam a mesma proporção que antes, e o bem que habita em mim prevalece, tornando-me melhor, transformando-me a cada dia.
Às vezes fico pensando se eu sou uma boa pessoa dando uma de ruim ou se sou uma pessoa ruim querendo ser boa.
Talvez eu seja uma pessoa ruim mesmo, talvez devesse parar de ficar tentando, todas as minhas tentativas são falhas, nunca é suficiente.
Mas por que eu continuo querendo fazer com que você veja algo bom em mim? Eu não costumo me importar com o que pensam de mim, já ouvi falarem que sou egoísta, insensível, empática, que não me importo com nada e nem ninguém, mas será que realmente não?
Então por que vejo-me a importar? Por que vejo-me a esforçar? Por que vejo-me a tentar mudar?
Tem pessoas que cheguei a me importar mais do que comigo mesma, então será que realmente há dentro de mim toda essa frieza?
Fragmentada…
porque ser inteira
demais seria
insuportável.
Sou feita de sonhos
quepararam no meio
do caminho e ficaram ali,
olhando para mim,
como quem espera
explicação.
Absolutamente intensa.
Sou feita de excessos,
de um sentir que transborda.
E tenho impulsos que me
atravessam e uma lealdade
quase perigosa ao que sinto.
— Jess.
Eu aprecio e valorizo quem diz:
“Vai dar tudo certo.”
Mas amo e sou leal a quem diz:
“E se tudo der errado, ainda estarei aqui contigo.”
— Jess.
"Sou resultante da superação. De vários eventos que sobrepujei.
Nada é fácil, e em cada cicatriz houve somatório de várias palavras que me ensinaram a lidar com dor, decepção e com o maldito silêncio de quem eu nunca esperei. Meus desejos, minha necessidades. Mas continuo a seguir os rastros do invisível."
