Sou como sou
Só tenho uma cara,uma palavra,
sou como sou,dou graças a Deus,
As pessoas gostam de falar,
de criticar os outros,
têm medo de falar deles próprios,
vida sangrenta, suja, vazia, perdida
moscas que picam, mosquitos malditos
casa de pedra, fria e quente,
escada de fragas, tábuas corridas
cama de ferro, velha partida,
que geme e chia, lareira acesa mesmo no verão
panela de ferro que fervem ,vazias ao vento
fumo que mata,coze-se o pão no forno a lenha,
vida sangrenta, vida sofrida,perdida e vazia
feitiços irreais ,fantásticos, pacientes
líricos ,anormais,coerentes,resignados
mortos de fome,mendigos sozinhos na noite,
amanhece livremente,luzes estreladas,
no céu da serra,mais alta do fogo que arde ,
com que sufoca-te e morre por dentro,
água doce, quente e fresca,choupos,
loureiro, vento amargo ,sentido puro alegre.!
Sambando na chuva da noite (versão 2)
Sou como sou e você é como é, então somos como somos, ou talvez somos dois patos alucinados a banhar amores na poça. Não exijo nada de você e nem você de mim, apenas sua eufórica e irritante grasnada.
Então vamos nos jogar na chuva, molhar nossas cabeças. esquecer nossas diferenças, nossos devaneios, nossas mesquinharias e competições do dia-a-dia, se estamos aqui, juntamos nossas penas cheias de manias e ideais, nossos dissabores do cotidiano e nossas desavenças morrem afogadas na água.
Vamos nos jogar na chuva, e molhar nossa consciência, batizar nossas idéias, esquecer nossas bobeiras e acender nossas malicias, somos apenas dois palhaços notívagos do luar querendo se divertir.
Tentando chacoalhar com nossas malicias, inquietar em nossos romances em cantigas noturnas o samba do amor. Podemos nos esquecer nesse sambar, esquecer dos barulhos do mundo até o amanhecer.
Sambando na chuva da noite
Sou como sou!
e você é como é!
Então somos como somos!
Não exijo nada de você e nem você de mim!
Então vamos nos jogar na chuva!
Molhar nossas cabeças!
Esquecer das nossas diferenças!
Que competimos pelos mesmos ideais!
Nossos dissabores! Nossas desavenças!
Vamos nos jogar na chuva!
E molhar nossa consciência!
Rebatizar nossas ideias!
Esquecer nossas bobeiras!
Somos dois palhaços querendo nos divertir!
Sambando o samba do amor!
Nessa noite quente! Juntos! Até amanhecer!
Vamos nos jogar!
Sou como sou e não do jeito que querem que eu seja, tenho sonhos e objetivos, com minhas lutas vencerei as minhas dificuldades;
O HOMEM DO RIO
Eu não quero ser Caetano,
não sou o gênio imitador
sou como sou
homem que entra no rio
e se transforma
em tantas formas de existir.
eu não quero ser Heráclito
pré-socrático ou Platão
eu sou a soma de todos eles.
Poetas são como são
puros e controversos
sem contradição.
Eu não quero ser Caetano
contudo sou Gil-berto sou João
sou Tom Zé, sou Tom Jobim
você nunca ouviu falar de mim?
