Sorriso Amigo
Moço - Velho ... Velho - Moço
Ficava extasiada
quando observava o seu sorriso cândido
As sandices engraçadas me comoviam
Da pureza do passado
à presente desesperança.
Vejo com tristeza a sua luta
Querendo agregar no velho o que era no moço.
Aquilo que cobiçava no passado
Conquistava com seus modos insanos
Hoje torna-se indesejável
Quando deseja ser moço
Num corpo velho não almejado.
Meu velho, deixa as parvoíces no passado
Se tivesse semeado bons grãos quando moço
Hoje, não estaria sofrendo em seu murcho corpo
A alma te faria moço.
CAPÍTULO II – O COLÓQUIO DOS QUE NUNCA PARTILHARAM A LUZ.
“Foi apenas um sorriso... mas a eternidade se abriu por um instante e teve medo.”
I. O Sorriso que não Sabia Ficar.
Era uma noite sem lua — mas com vento. Camille desceu ao porão mais uma vez, como se a noite lhe pertencesse, como se a escada soubesse o peso da alma dela. Joseph já a esperava, não como quem aguarda alguém, mas como quem reconhece o inevitável.
Ele estava com as mãos sujas de tinta seca. Rascunhava em uma parede uma frase:
“Deus não nos condena — nos observa em silêncio.”
Quando ela chegou, ele se virou com a lentidão dos que não se acostumam à presença.
— “Trouxe as flores?” — perguntou ela, com a voz baixa, quase como um lamento que queria parecer alegria.
— “Roubei-as do cemitério da rua de cima. Ninguém sentirá falta. Estão todas mortas lá... inclusive os vivos.”
Camille sorriu. E o sorriso dela doeu.
II. Colóquio no Escuro.
Sentaram-se frente ao outro. Ele a fitava como quem se vinga da luz, por amá-la demais e ao mesmo tempo temê-la. Ela recostou o queixo sobre os joelhos.
— “Sabe o que me assusta, Joseph?”
— “A vida?”
— “Não. O que há dentro de mim quando você sorri.”
— “E o que há?”
— “A vontade de viver. Isso me assusta mais do que morrer.”
Ele engoliu em seco.
Camille segurou uma de suas mãos, não para apertar, mas para impedir que fugisse de si mesmo.
— “Prometa que se eu morrer antes, você não escreverá sobre mim.”
— “E se eu prometer, você viverá mais?”
— “Não. Mas saberei que ao menos você me amou em silêncio, e não em frases soltas por aí.”
III. Instante Suspenso na Poeira.
Joseph sorriu. Não muito. Apenas o suficiente para que o mundo inteiro parasse por um milésimo de eternidade.
Camille, deitada agora sobre um lençol rasgado, observava os traços dele à meia-luz de um lampião antigo.
— “Por que você sorriu?” — perguntou.
— “Porque me senti feliz.”
— “E por que o medo veio logo depois?”
— “Porque a felicidade não é para nós, Camille. É como o fogo para quem vive em papel.”
Eles não falaram mais por um longo tempo.
Só o ruído do lampião, e o rangido suave da escada apodrecendo com os anos.
IV. Promessas no Fim do Tempo.
Antes de subir de volta à noite, Camille parou no degrau mais alto, olhou para ele como quem olha do fundo de um abismo invertido — do alto para o que está enterrado.
— “Joseph...”
— “Sim?”
— “Prometa que você não sobreviverá muito tempo depois de mim.”
— “Você quer que eu morra?”
— “Quero que não me esqueça. Nem mesmo para viver.”
Ele assentiu. Não era promessa. Era sentença.
V. Felicidade Medrosa: O Amor que Pressente a Perda.
Eles foram felizes naquele instante.
Mas era uma felicidade assustadora, como a criança que descobre por um momento que os pais podem morrer.
Ou como o prisioneiro que vê uma fresta de luz — e teme que ela revele que o mundo lá fora nunca o esperou.
Camille e Joseph sabiam:
Quanto mais se amassem, mais doloroso seria o silêncio que viria depois.
E ainda assim... sorriram.
Com medo.
Mas sorriram.
“Diziam que era apenas um romance soturno... mas era um universo inteiro tentando amar sem voz.”
Fragmento atribuído a Camille, encontrado sob um retrato queimado.
Eu vejo Deus na simplicidade da vida, No sorriso que aquece, em alma comovida. Eu vejo Deus no gesto nobre do coração, Na gentileza singela, além da razão.
Está no brilho do sol que ao dia retorna,
Na chuva suave que a terra adorna. No canto dos pássaros ao amanhecer, E no silêncio que ensina a renascer.
Eu vejo Deus nas mãos que partilham o pão, Na força do abraço que traz redenção. No olhar do sem-teto que estende a bondade, E no gesto puro que fala em verdade.
Deus está no vento que a face acaricia, Na estrela que guia em noite vazia. Está no riso, na dor, na comunhão, Na alma que busca encontrar a razão.
Eu vejo Deus onde o mundo duvida, No milagre escondido nas tramas da vida. Éna essência que pulsa, no amor que é inteiro, Que vejo Deus, presente e verdadeiro.
Ray S. @AlmaBorderline
Limpe o carpete, espirre o melhor perfume, atenda a porta com um sorriso, não deixe que perceba a bagunça, e que ainda faz alguma falta.
Enquanto um sorriso no espelho ou outro toque em silêncio te lembrar de mim, eu estou aí na pior forma, sem você poder me tocar.
Deveríamos ter acesso as informações restritas,de quando um sorriso se faz de inocente pra lascar nosso coração.
O melhor lugar pra viver é onde o sorriso é livre,a presença é desejada,a ausência tenta ser adiada.
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