Sorriso
O riso escapa às vezes como quem rouba um remédio proibido. Dói o riso quando sei o preço que ele tem: esquecer por instantes. Mas prefiro esses lapsos de luz a um cotidiano contínuo de negrume, pois há beleza mesmo nos intervalos em que a alma consegue respirar.
Trago no peito a lembrança de um tempo simples, onde o riso corria solto e a vida cabia inteira na inocência de dois caminhos que ainda não conheciam despedidas. Éramos feitos de chão, de poeira e de afeto bruto, desses que não se explicam, apenas se vivem, como se o mundo fosse pequeno demais para nos separar. Mas o tempo, silencioso e inevitável, foi abrindo distâncias onde antes só havia presença, transformando parceria em memória. Hoje carrego comigo aquilo que ficou, não como peso, mas como parte de quem me tornei, marcado pelas ausências que ensinaram mais que qualquer permanência.
Porque existem laços que nascem lado a lado, mas o destino insiste em escrever em caminhos diferentes, deixando na alma a saudade do que poderia ter sido eterno.
- Tiago Scheimann
Por que você riu? Porque riso malvado, constrangido, sensato ou malvado; Todos vão depender da ocasião para os tipos de risos; Riso não te adoece ou sente mal suas ações, é um ótimo remédio ao corpo.
Além da Amizade
A gente era riso solto no mesmo tom,
dois nomes ditos como se fossem irmãos,
dois mundos cabendo num só som,
sem perceber o que eram nossos corações.
Falávamos de tudo, sem medir
o peso leve de existir lado a lado,
como se o destino fosse só nos unir
num laço simples, confortável, sagrado.
Mas veio a distância, fria, sem pedir,
e levou tua voz do meu cotidiano.
E o que era fácil de dividir
virou silêncio em cada intervalo humano.
Eu achei que era só falta de costume,
saudade comum de quem se quer bem…
mas havia um fogo que não tinha nome
que queimava quieto por ninguém.
E você… também sentiu o vazio,
como se o mundo perdesse o sentido.
As conversas voltavam como um frio
lembrando o que tinha sido vivido.
Não era só amizade a nos prender,
era algo que doía mais do que parecia,
era vontade de ficar, de não perder,
era amor que fingia que não existia.
Até que o silêncio não coube mais em nós,
e o tempo trouxe o que estava escondido.
Dois corações voltando a ter voz,
dois medos finalmente vencidos.
“Eu senti sua falta…” — eu disse enfim,
e o mundo parou só pra escutar.
E você sorriu como quem diz assim:
“Eu também… mas não sei mais negar.”
E ali, sem pressa, sem explicação,
como se o universo soubesse o caminho,
teu olhar encontrou meu coração
e deixou de me deixar sozinho.
O beijo não foi começo nem fim,
foi só o instante em que tudo fez sentido:
amizade virando um jardim
onde o amor sempre esteve escondido.
E rimos depois, como quem entende
que o destino só demorou pra acertar:
“Demorou pra você perceber…” — você disse,
“Demorou pra você admitir…” — eu fui completar.
E o mundo, enfim, deixou de ser só amizade,
porque a verdade cansou de se esconder:
o que era dois virou eternidade
no simples ato de se reconhecer.
Canção do Exílio
Minha terra mora em ti,
no jeito que teu riso me chama de volta.
Longe de você, tudo é ausência,
até o tempo aprende a doer.
As noites aqui não sabem teu nome,
o vento não traz teu cheiro,
e o coração anda estrangeiro
num lugar que não me reconhece.
Sonho com o dia do retorno,
quando teus braços serão porto
e não haverá mais distância
entre o que sou e o que desejo.
Se amar é exílio, aceito ficar,
desde que teu amor seja morada.
Pois longe de ti não há chão
— há apenas saudade tentando sobreviver.
Nossa conexão
Te escrevo enquanto penso em você,
em cada riso que acende meu peito,
em cada silêncio que fala sem voz,
e no abraço que ainda não nos pertence.
Te sinto mesmo quando não está,
como se o vento sussurrasse seu nome, como se o tempo se
curvasse para nos deixar
juntos por um instante.
Nos teus olhos encontro meu mundo, nos teus erros, minha paciência infinita, e mesmo
que tudo trema ao redor,
me seguro firme na tua luz.
Por que amar você
é navegar em marés
abertas e calmas.
Mesmo que a tempestade venha,
se a instabilidade tentar desconectar nossa conexão, vou restabelecê-la
com a estabilidade do nosso amor.
Guardo comigo
Guardo comigo teu riso suave,
como se fosse brisa que invade
os cantos mais escuros do meu ser,
fazendo florescer o que pensei perdido.
Guardo comigo teus silêncios e segredos,
cada olhar que atravessa minha alma,
como se o tempo parasse
e só existisse o pulsar dos nossos corações.
Guardo contigo a esperança silenciosa
de que cada encontro seja eterno,
de que cada despedida apenas nos ensine
a amar mais, mesmo na ausência.
Teu riso mora em detalhes esquecidos:
uma rua qualquer, um fim de tarde sem pressa,
o silêncio confortável entre duas almas
que não sabiam que já se despediam.
Num encontro simples,
tudo vira eterno:
o toque tímido, o riso que escapa,
as palavras que não precisam ser ditas porque os olhos conversam por nós.
Que horas eu te pego?
Que horas eu te pego
pra roubar teu riso distraído na calçada, como quem não quer nada, mas quer tudo, principalmente esse teu jeito de ficar.
Que horas eu te pego
pra caber no intervalo do teu abraço,
onde o mundo desacelera sem pedir licença e o tempo aprende a esperar por nós.
Que horas eu te pego
pra dizer baixinho o que o silêncio já grita, que teu nome mora fácil no meu peito e faz casa em cada batida que eu dou.
Que horas eu te pego?
Porque desde que você chegou em mim, qualquer hora virou perfeita
— desde que seja contigo.
Filho ( Pai de Menino )
Filho…
é no teu riso que eu encontro
o começo de tudo,
como se o mundo tivesse
sido criado de novo
toda vez que teus olhos
me procuram.
Ser pai de menino
é aprender a ser forte
sem deixar de ser abrigo,
é ensinar o caminho,
mas também caminhar junto,
mesmo quando a estrada ainda
nem existe.
Em tuas mãos pequenas
eu vejo sonhos que ainda
nem sabem o próprio nome,
e prometo, em silêncio,
ser teu escudo e teu chão,
quando o mundo tentar
ser grande demais pra você.
Meu filho…
se um dia te faltar coragem,
lembra de mim,
porque em cada parte tua,
eu deixei um pedaço meu
— pra você nunca esquecer
que é amado.
Trauma
Às vezes me deito e revisito o passado,
os dias que deixei escapar das mãos,
os risos contidos, as chances adiadas,
os momentos que não vivi com a coragem que o coração pedia.
Carrego uma vontade
antiga de chorar,
não só pelo que doeu,
mas pelos amigos que
Ficaram pelo caminho,
pela ingenuidade de sonhar
uma vida perfeita
sem saber que ela também fere.
Fui machucada por mãos confusas,
por palavras que diziam amor
e entregavam espinhos,
por quem tocou minhas
Inseguranças como se fossem brinquedo, e eu aceitei…
porque amar, pra mim,
sempre foi acreditar demais.
Aprendi, mudei, cresci —
mas nunca o bastante pra não sentir.
Ainda coloco esperança onde não há promessa, ainda espero verdade em gestos rasos, mesmo sabendo que isso me quebra.
No fundo, entre erros e tentativas,
descobri a parte mais dura do amor:
por mais que eu sonhe em ser abrigo, no final das quedas
sou eu quem recolhe
meus próprios pedaços.
A pessoa errada vai tirar a sua paz...
a sua força de vontade
o desejo de vencer
o riso nos momentos bobos
a vontade de viver
Cuidado ao abrir seu coração. Seja seletivo. Confie em poucos. Por mais difícil que seja estar só, lembre-se que até a solidão, é menos triste e dolorosa do que a companhia da pessoa errada.
Eu deixei uma pessoa horrível permanecer na minha vida e hoje me sinto morta por dentro.
Fique sozinho, mas não fique ao lado de quem você sabe que não é do bem.
Até um erro pode ser corrigido, mas o riso é tão espontâneo que seria absurdamente impossível desrir.
Me ame no choro no riso.
Me ame no olhar no beijo no abraço…
Me ame no infinito, nas ondas do mar…
Mas o que eu mais quero.
É que me ame e deixe eu te amar…
