Sonho texto

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⁠O que é sonhar?
Se ao amanhecer o sonho acaba
O que é sonhar?
Se os limites que nos aprisionam não se dissolvem
Por que sonhar?
Sonhar para ser liberto ou para sofrer?

Sonhar, eu diria, é viver
E viver é traçar no papel cores que fluem,
Como um livro que transforma, guiando a correnteza das emoções.
Sonhar é ser autêntico, é viver mesmo na utopia,
Onde os pingos de cor que escapam do papel ganham vida.

Seja utopia, para colorir as manhãs que atormentam nossos dias.
Seja realizador de sonhos,
Para que, desses sonhos, nasça o mundo,
E desse mundo, o sonho genuíno que sonhamos viver.

Deixei de viver para apenas existir.
Fui atrás de um sonho — e disso não me arrependo.
Foram minhas escolhas que ganharam forma no caminho.
Quando me encarei no espelho, entendi:
para chegar onde almejo, não preciso me pressionar,
preciso, de verdade, viver cada momento.


E quantos momentos eu deixei passar
por achar que não merecia,
por acreditar que era preciso sofrer
para me tornar referência.


A dor, sim, me moldou —
mas não me endureceu.
Ela me fez grande, me fez verdadeira,
me arrancou de um pensamento banal
e me ensinou a viver uma vida intensa.

Se me disseres adeus, meu amor,
Meus olhos vão se fechar.
É a morte de um sonho meu
Que sozinha estive a sonhar.

Eu quis me dar um presente
Infinito além do céu.
Eu quis me dar um amor
Como dos filmes que ninguém fez.

Se me disseres adeus,
Tudo que havia em mim eu já chorei.
Não me restaram palavras
Nem medos que me pusessem fim.

Tudo em ti, meu amor,
Eu já ganhei e perdi.

Eu definhei em segredo
E também em silêncio eu cresci.
Foram para ti os poemas
Que a Deus eu dirigi.

E diante de um sonho
Tão salgado,
Tão pobre e tão rica eu me vi.

E diante do hoje
No qual conquistei
Tudo e ao mesmo tempo, nada,
Pronta, eu morro em mim.

Eu me amei,
Eu me aplaudi,
Também sozinha
Chorei,
Também sozinha sorri.

Se me disseres adeus,
Me conforto dentro de mim.
Eu não sou Deus,
Eu não sou Deus,
E desse sonho, ainda viva,
Eu vou me despedir.

Mas, se me disseres oi e sorrir,
Entrego meu amor
Por uma vida inteira a ti,
Na esperança de um milagre
Que no meu coração senti.

Talvez eu seja só ilusão
E um dia saudades.
Ainda assim, eu sonhei,
Eu te amei, eu te vi.

Mas se disseres adeus, meu amor,
A Deus entrego o amor que dei
E não recebi...

E de todas as tolices que a vida humana reserva,
Não me arrependeria de reparar em ti.
És belo...
És belo...
És belo...

Assim te vi.
Assim te fiz
E assim hei de me despedir.

Eu? O que sou?
Pétala ao vento...
Poucos hão de reparar em mim...
Mas eu, tudo vivo, e reparei...

Ao menos tentei dar um final feliz para ti.

E para mim? Meu final?

Eu morro todas as noites...
E renasço todas as manhãs
Até o dia em que não existir mais Sol...

Eu morro a cada minuto e renasço a cada sinal.

Mas, se me disseres adeus, meu amor,
Ainda haverá outros olhos, até meu último suspiro, pelos quais lutar, com os quais me distrair.

Os meus olhos?

Ora, que ricos! Ora, que tristes...
Ora, que tudo veem...

Menos o futuro, além do meu coração.

Meu coração: eterno jardim a esperar florir.

Um dia, quem sabe, encontro consolo em mim.

Entre o Caminho e o Sonho

Hoje passo os dias no corredor do ônibus,
cobrando passagens, conversando em breve;
minha mão segura o aparelho, mas a mente voa longe,
para salas de aula, onde meu coração quer chegar e ficar.

Sou pedagoga em alma, mesmo que o trabalho seja outro,
cada interação aqui me ensina algo novo também;
estou sempre aberta ao que a vida me apresenta,
mas sei onde mora o meu verdadeiro encanto e contentamento.

À noite, os livros de educação são meu refúgio,
anoto, estudo, me preparo para o concurso que virá;
cada página virada é um passo mais perto,
do lugar onde sei que realmente pertenço e vou brilhar.

Independente do caminho que a vida me faz andar,
abro meus braços para o novo, sem medo nem temor;
mas meu amor é e sempre será a educação,
cultivando mentes novas, como jardineira cultiva flor.

O vestido de noiva

Guardei no armário um sonho rendado.
Branco como a nuvem, um vestido de noiva, comprado pra você, puro e esperado.
Cada ponto da costura era um plano meu.
No brilho do cetim, o "nós" que se perdeu.
Eu trazia o amor na palma da mão.
Pensei que éramos um só coração.
​Mas o destino é um nó que não se desfaz.
Ele abriu o portão e entrou e não olhou para trás.

Logo vc falou, preciso entrar.
Entrou no silêncio, num passo ligeiro.
Levando consigo o meu mundo inteiro.
No quartinho de costura, entre linhas e panos.
Você teceu outra vida, outros desenganos.
​A agulha que moldava o meu véu de noiva.
Foi a mesma que feriu o que a alma desagua.
Enquanto eu esperava o altar e o sim.
Você casou com ele, bem longe de mim.
O vestido descansa, guardado e mudo
Numa casa, qualquer, onde o "quase" levou o meu tudo.
Paz e amor!

A vida ruim que você acha que tem…

A vida ruim que você acha que tem é o sonho de muita gente.
Mas quase ninguém acorda pensando nisso.

A gente acorda pensando no que falta.
No salário que parece pouco.
Na comida que poderia ser melhor.
No calor que incomoda, no frio que irrita.
No dia que pesa, no corpo que cansa, na sensação silenciosa de não ser suficiente.

E está tudo bem.

Não há problema em se cansar.
Não há problema em sentir dor.
Não há problema em achar que é mal remunerado.
Não há problema em sentir que não é valorizado.
Não há problema em desejar uma comida melhor.

Sentir isso não te torna ingrato.
Te torna humano.

Você reclama porque conhece as próprias dores. Porque vive dentro delas. A dor ocupa espaço. O sofrimento estreita o olhar. Quem está no meio da própria tempestade dificilmente enxerga o horizonte dos outros.

Ainda assim, existe um contraste que insiste em existir.

Enquanto você se frustra com o salário, existe alguém que não tem salário algum.
Enquanto você critica o almoço simples, você conseguiu se alimentar — e alguém não teve nada para comer.
Enquanto você reclama do calor ou do frio, alguém está deitado em uma cama de UTI, sem saber que horas são, sem saber onde está, sem saber se volta.

Isso não invalida o seu cansaço.
Não diminui a sua luta.
Não apaga a sua dor.

Apenas amplia o olhar.

Porque a mesma vida que te esgota… sustenta.
A mesma rotina que te sufoca… mantém.
O mesmo chão que você pisa sem notar… é o teto que falta em outra história.

E há algo ainda mais silencioso que você talvez nunca tenha percebido.

Muita gente se espelha em você — e você nem faz ideia disso.
Muita gente te tem como referência — enquanto você acredita que apenas está sobrevivendo.

Você enxerga falhas.
Quem te observa enxerga resistência.
Você vê peso.
Alguém vê constância.

Mesmo achando que a vida é dura, você virou exemplo.
Mesmo achando que está falhando, você virou força.
Mesmo achando que não aguenta mais, você virou esperança para alguém.

Por isso, seguir em frente não é só sobre você.
É também sobre quem precisa te ver caminhando para acreditar que é possível.

Você não precisa ser perfeito.
Não precisa estar inteiro.
Não precisa acreditar em si o tempo todo.

Só precisa continuar.

E, quando der — sem culpa, sem cobrança —
seja grato.
Agradeça.

Agradeça pelo que sustenta, pelo que permanece, pelo que ainda está de pé.
Agradeça porque, mesmo em meio ao cansaço, há uma ordem maior que te mantém vivo, respirando, seguindo.

Deus — o Grande Arquiteto do Universo —
não constrói vidas sem sentido.
Mesmo quando você não entende o desenho,
mesmo quando as linhas parecem tortas,
há um propósito sendo erguido onde seus olhos ainda não alcançam.

Não porque sua vida seja perfeita.
Mas porque, mesmo imperfeita,
ela ainda é o sonho de muita gente.

E isso, por si só,
já é motivo suficiente para continuar caminhando.

Sonho que sou um Anjo
Minhas asas por vezes pesam
Descanso entre um voo e outro.

Chamam por mim
Penso em deixar as lembranças mais doces
E partir de novo.

Mas ainda não sei para onde devo dirigir o meu voo
Como Anjo que sou, tudo me é revelado
Desta vez não voarei rumo ao desconhecido.

Neste ultimo voo, estou mais feliz
Já não me pesam as asas
Talvez por saber o destino.

Será aquele que procurei em todos os meus sonhos... :)

Hoje voltou a saudade
Do sonho que vive em mim
É uma presença sentida do desconhecido,
Dum sentido amor tão cúmplice
Que não sei explicar, apenas sentir!

Por vezes adormece e eu fico confusa
E penso... o sonho morreu!
Se é saudade dum amor sonhado
porque, o sinto tão intenso e belo?!

Eu sei, a minha alma pressente-te
Sinto-me sorrir, de sonhar o teu sorriso terno.
Não sei se te idealizo, mas gosto...
Não há incoerência.

Sinto-me prisioneira do meu sonho
O meu corpo desconhece-te, eu sei
Embora te sinta!
Mas na intimidade da minha alma
Serás eternamente reconhecido
Eu sinto e gosto...

Tu és a estrela, a única que brilha ao luar.
Encontro-te nas ondas do mar
Imagino-te no topo da montanha
Sinto o teu perfume numa singela flor
Dá-me um sinal da tua presença!

Deixa o meu amor percorrer-te de mansinho
Quero ouvir a tua voz sussurrando "amo-te"
Entrelaçados para sempre meu amor.

Ao amanhecer vou esperar por ti
Quem sabe desembarcas no porto
Onde aguardo serena a tua chegada.

O mar conhece os meus desabafos
Divido com ele o meu sonho
As ondas beijam meus pés
Enquanto caminho sobre a areia
E o sal alimenta a minha esperança
Dizendo, não desistas, volta amanhã.

Marília Masgalos

Um sonho esquecer


Se sonhar, lembre-se do sonho, pois esquecer um sonho entristece a alma, tira a calma e traz pesar. Pois um sonho esquecido, não lembrado, é como não ter dormido ou ter adormecido amarrado. Traz agonia, faz impotente o homem que em sonho era rei e em terra apenas cristão. Que ironia do destino, uma noite bem dormida, mas um sonho esquecer, é como se sentir perdido, sem caminho, sem poder!

Nunca é tarde, enquanto o sonho não for enterrado

Disseram muitas vezes que ele chegou tarde.
Mas ninguém viu de onde ele veio.

Aos dez anos, não teve escolha. O pai morreu cedo demais e a casa ficou cheia de silêncio, irmãos pequenos e fome. A escola oferecia duas coisas raras: conhecimento e comida. Mas aprender não sustentava a família. Trabalhar, sim. Ele trocou o caderno pela responsabilidade e cresceu carregando gente nas costas antes mesmo de ser cuidado.

Aos trinta anos, mal sabia assinar o próprio nome.
Mas já sabia algo que a vida ensina sem livro: resistir.

Guardava um sonho improvável ser doutor da lei. Parecia tarde demais, diziam. Velho demais, repetiam. Mesmo assim, voltou a estudar. À noite. Cansado. Errando. Recomeçando. Cada letra aprendida era um reencontro com o menino que precisou abandonar a escola. Aos cinquenta anos, chegou onde jamais imaginou. Não venceu o tempo apenas não deixou que ele o vencesse.

Ela também carregava um sonho.
Não desses que se anunciam. Ficava quieto, guardado. Sonhava em criar um projeto social, mas sempre deixava para depois. Até o dia em que viu alguém fazendo. E entendeu que, às vezes, o impossível só precisa ser visto para ganhar permissão de existir.

O sonho nasceu da fome. Na infância, era em um projeto social que ela e a família encontravam a única refeição do dia. Aquilo não virou revolta virou propósito. Quando decidiu começar, não tinha estrutura nem garantias. Tinha memória. Começou pequeno. Cresceu real. Tornou-se o maior projeto social da cidade, alimentando centenas de pessoas diariamente. Onde antes havia escassez, agora havia dignidade.

E existe ainda uma terceira história coletiva, silenciosa, incômoda.

Dizem que o lugar mais rico do mundo é o cemitério. Não pelo mármore, mas pelo que foi enterrado ali: empresas que nunca abriram, canções que nunca foram cantadas, talentos sufocados pela vergonha, projetos adiados pelo medo. Gente que tinha tudo, menos coragem de começar hoje.

O problema nunca foi falta de capacidade.
Foi excesso de amanhã.

Esperaram o momento certo. Esperaram a vida melhorar. Esperaram perder o medo. Esperaram tanto que o tempo seguiu sem eles.

Essas histórias dizem a mesma coisa, de formas diferentes:
nunca é tarde para chegar enquanto o sonho não for enterrado.

Alguns chegam depois de salvar a família.
Outros chegam depois de transformar a própria fome em propósito.
E alguns nunca chegam porque desistem antes de tentar.

O sentido não está em chegar cedo.
Está em chegar inteiro.
Com história. Com cicatriz. Com verdade.

Se ainda dói, é porque importa.
Se ainda pulsa, é porque chama.
E se você ainda carrega um sonho, então ele não pertence ao cemitério.

Pertence a você.
E o tempo certo… é agora.

O amanhã


Tenho muita esperança e sonho com o amanhã.
Espero-o com a sóbria confiança.
Diante de qualquer peleja,
até que se esgote qualquer tipo de fraqueza,
e, espero a cada dia, um amanhã que seja próspero,
e com toda a firmeza,
Pois, trabalho, rezo, amo e resisto a tudo que não constrói
Só pra viver os encantos e os louros de um amanhã
Envolto de riquezas.

Felicidade insana

Qualquer coisa pode trazer felicidade
aquele sonho que foi mal realizado
justifica-se na intriga armada
que na pessoa mal amada
no ato que deveria ser volúpia
não passa de fúria no pensamento
necessita mostrar ao mundo
a sua performance fria, desenhada
É a estupidez que reina
quando a solidão desatina
diante do caos nos sentimentos
esta felicidade é uma penicilina.
Mesmo com a alma ferida
imagina-se fortalecida
seduzindo-se pelas tentações
alimentando o ego e vaidade
fingindo a própria vida
iludindo-se com o reconhecimento
mentindo à sociedade
Na morte também é assim
o apodrecimento
é sempre de dentro para fora
e não de fora para dentro.

Meu sonho!

Sou simples, mas acredito, ao te contemplar pela primeira vez, isso que descrevo é o que os poetas chamam de arrebatamento.
É aquele momento em que a realidade parece ganhar um filtro cinematográfico e o mundo ao redor simplesmente desaparece.
​Não é apenas "achar bonito", é um impacto emocional que estaciona" na mente e se recusa a sair.

​O Brilho que Não Apaga
​Porque existem encontros que não acontecem apenas nos olhos, mas na memória.
Quando eu a viu, não foi apenas uma imagem, foi como se o tempo tivesse parado para que ele pudesse decorar cada detalhe, como quem contempla um milagre inesperado.

Você se tornou a "Branca de Neve" do mundo real.
Abro parágrafo, uma pureza e uma beleza tão intensas que me deixou sem defesas.
Mesmo cruzando fronteiras, viajando para longe e conhecendo novos lugares, o pensamento sempre volta para o mesmo porto seguro: aquele rosto.

Vivo perdido nesse fantasma que eu vi com os meus olhos,
​"fantasma" do bem, uma presença constante que sussurra que a vida ao lado seu seria a maior de todas as aventuras.
E felicidade.
Esse desejo de viver "para sempre" nasce da certeza de que, depois de ver o sol de perto, ninguém quer mais caminhar no escuro.
É a alma reconhecendo, finalmente, onde ela quer morar.
​O que define esse sentimento:
​O Impacto: O choque visual que paralisa o corpo e acelera o coração, que coisa linda!
​A Permanência: A imagem sua se torna o "papel de parede" da minha mente, não importa onde eu esteja.
​O Ideal. A sensação de que você é única, quase mística, como um personagem de conto de fadas que ganhou vida.
​Parece que esse rapaz está vivendo o início de uma grande história de amor, daquelas que mudam o rumo da vida.
Você é o meu sonho!

Baby, fica atento à confusão do mundo.
O que era sonho está sendo distorcido na calada da noite.
Ideias sem raiz viram promessas vazias,
e o que parecia descanso acorda como pesadelo ao amanhecer.
Vivemos um retrato de impasse sem freio.
A ordem perdeu o rumo,
o barulho virou regra
e o silêncio, abandono.
Ninguém escuta, todos opinam.
Ninguém cuida, todos cobram.
O controle não está mais nas mãos,
está espalhado no medo,
na pressa,
na falta de propósito.
As pessoas querem respostas rápidas
para vazios profundos.
E a pergunta que ecoa é simples e dura:
onde buscar ajuda quando o mundo adoece por dentro?
Talvez não fora.
Talvez no retorno à consciência,
à verdade que não se vende,
à fé que não é emergência,
à responsabilidade de ser humano antes de acusar o caos.
Enquanto isso, vigia.
Não se deixe moldar pela confusão.
Nem todo barulho é verdade,
nem toda direção leva à saída.

Poema I
Suprassumo pensar


A alma — ah, a alma
ora templo, ora caverna,
sonho de ser eterna,
conturbada ou calma.

Sussurrava e gritava
entre lágrima e pranto,
fino e suave manto,
porque alma ela era.

Não só carne,
nem só memória —
mas a fragrância do espírito.

Não só escrita,
nem só história —
mas a essência em um abismo.

A alma — ah, a alma.

Metáfora expandida I
Um Sonho Distante

Eu tive um sonho distante.
Neste sonho, éramos muitos — porém, um só.
Um a cada capítulo, membros de um único livro.
Cada página à frente só podia enxergar as páginas de trás.
O título era o passado: um sonho distante.
O futuro, o capítulo final — e o fim da história.

Essa história tomava emprestadas referências de outros livros na mesma prateleira.
Mas a prateleira também nos rotulava.
E esses rótulos, ironicamente, eram o que nos prendia àqueles livros —
livros que estavam ao nosso lado,
também sonhando o mesmo sonho distante.

Mas conversávamos do logradouro de outra biblioteca.
Essa não falava nossa língua —
e, ainda assim, tinham dúvidas semelhantes às nossas.

O sonho de todo livro era ser mencionado,
e, quem sabe, ganhar sua própria saga e volume.
Mas para isso era preciso um ato raro:
libertar-se de si mesmo.

Contudo, sempre que um ousava mencionar outro,
vozes sussurravam ao redor:
— É um sonho distante.

' MEU SONHO MINHA ESPERANÇA '


Busco-te em meu sonhos, na madrugada
No brilho da lua que chega de mansinho
Até mesmo quando eu estou acordada
Na carência de seus abraços e carinhos


Todas as manhãs é sempre recomeço
Para quem carrega no peito esperança
Dos rascunhos onde ali, sempre escrevo
me lembrando de quando eu era criança


Talvez nos esbarremos,aí, pela vida afora
E um ao outro, então, fazer companhia,
E possa eu te contar como me sinto agora
Dos tempo de outrora, onde vivia sozinha


Durmo a sonhar até um dia a ti encontrar
Você, o meu enamorado, caminhar até o fim.
Tu não imagina,quando este dia enfim chegar;
O tanto quanto eternamente irei te amar !


Maria Francisca Leite
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⁠Soneto de Oitenta e Um

Em Tóquio, ergueu-se o sonho em chamas vivas,
Zico guiando o manto à imensidão,
Com passes, gols, jogadas tão altivas,
Fez do Brasil o dono da emoção.

Leandro, Júnior, Adílio — obra-prima,
Andrade, Nunes, raça sem pudor,
Na terra do sol, brilhou nossa rima,
Calou o Liverpool com seu fervor.

Foi mais que um jogo: foi libertação,
A taça do mundo em nossa mão,
A glória eterna em rubro-negro tom.

E desde então, a história eternizou,
O mundo viu o quanto o Mengo é bom,
Oitenta e um: o ano que não passou.

Edson Luiz ELO
Rio de Janeiro, Dezembro de 1981

⁠Mãe, mulher, exçressâo de amor.

Em seus afetuosos e ternos abraços adormeci,
em um longo sonho de sono infantil, do qual só me despertei ao contemplar que na poeira do tempo, esquecida no vácuo do infinito, ficara a minha infância.

Olho para você e... Há como tudo mudou!
Retratas em tua face o Império do tempo, que escureceu os teus olhos, marcou sua pele, mas ele não lhe enfadas.
És fonte de valor inexorável, mamãe, fonte da vida.

Perto de ti, o mais rude dos homens se emociona, extremesse, a alma infantil adormece com apenas um cicil suave e tranquilo de seus labios.

Quizera eu não despertar deste sono de amor que um dia vivi em teu seio,mas o tempo forçou-me a acompanha-lo pela estrada da vida e tornei-me homem.

Porém, roubo a sinceridade existente no expressivo sentimento infantil para dizer-te: És mãe, a expressão viva do amor de Deus aos homem, refletido na terra em forma de mulher.

Autor: Cicero Marcos

Um dia, a fruta cai,
A saúde se esvai,
E o grande amor,
Como um sonho, se dissolve no ar.

Só então percebemos,
O valor das coisas simples,
A doçura de cada fruta,
Quando a colheita se torna distante.

A saúde, antes um tesouro,
Se revela frágil ao adoecer,
E lembramos do vigor,
Que antes não soubemos agradecer.

O amor, tão forte e vibrante,
Só é sentido na ausência,
Quando a saudade aperta,
E o coração busca sua essência.

Valorizamos o que se foi,
Quando a vida se torna um labirinto,
E nas complexidades do dia a dia,
Encontramos a beleza do que é simples e bonito.

Assim, que possamos aprender,
A cada instante, a cada olhar,
Apreciar as pequenas dádivas,
Antes que se deixem de amar.