Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
FILME
Há dias que não existo, simplesmente me abstenho da vida e inexisto, não vivo, não choro, não rio e não escrevo.
Carregado de amargor, vago sem proposito, não há o que fazer. O céu é cinza, o clima é encoberto de monotonia, chateação e desinteresse.
Por quanto tempo isso há de durar ? Até quando terei que sofrer por esse sentimento frívolo que me traz frustação e ansiedade ?
Eu só quero que isso passe, que o dia acabe, que o tempo se quebre e o sol exploda, durante esse período seco e insensível, meu combustível é o ódio.
Talvez eu só esteja sendo dramático, fazendo suspense por algo besta, tentando romantizar o tédio. Não sei
Acho que as vezes não há protagonismo em dias que somos figurantes.
POEMA DA VIDA
Poetas nascem nas decepções, poetas nascem nos amores, poetas nascem nas páginas de grandes livros, poetas nascem nas páginas de pequenos livros, poetas nascem na noite, poetas nascem nas madrugadas.
Poetas nascem no fundo do ônibus, poetas nascem em um dia nublado, poetas nascem no banco de trás do carro, poetas nascem no sofá, poetas nascem no bloco de notas, poetas nascem na sala de aula, poetas nascem em todo lugar.
Todos fadados ao mesmo destino, fadados a mesma rotina tediante, fadados ao romance da solidão. Todos viverão de eterna melancolia, mas nunca morrerão infelizes.
CHUVAS DE OUTONO
Sonhei que chovia, acordei chorando. Antes de levantar-me, penso sobre o quanto a vida é injusta, e o quanto somos egoístas ao ponto de priorizarmos nós mesmos e nossos sentimentos. Bom, ao deixar minha cama, volto ao meu cotidiano entediante.
Já não fico mais faminto, é como se eu estivesse cheio, mas de que ? Sendo que não comi nada. Cheio de sentimentos negativos ? Cheio de pensamentos autodestrutivos ? Talvez eu só esteja cheio de você.
Você é saudade, e vem rasgando minha carne. Mas eu me recuso a sofrer de novo, embora a tentação seja grande. Tomara que as águas de abril carreguem a tristeza e a solidão que em mim habitam.
É tão difícil olhar para frente quando o abismo te olha de volta.
Difícil é olhar para dentro — e ver-se sangrando em silêncio,
gritando em ecos que o mundo não ouve.
Há um choro que não cessa,
um grito que não morre,
um dilacerar lento que se repete em cada amanhecer.
E mesmo assim, sigo.
Não disfarço.
Deixo que a dor me atravesse, que me rasgue, que me ensine.
Deixo que o pranto limpe as feridas,
que o grito me devolva à vida.
Porque há beleza no que despedaça,
há verdade no que queima.
E talvez seja só no fundo do abismo
que a alma, enfim, aprenda a respirar.
Quantas mortes cabem em um homem?
Quantas vezes preciso
me congelar por dentro,
silenciar o sangue,
matar versões de mim
para que outra respire?
Há reinícios que não são começos,
são funerais discretos.
Enterros sem caixão,
onde sepulto nomes,
rostos, culpas e promessas quebradas.
Recomeçar não é viver:
é sobreviver ao próprio incêndio.
É virar cinza consciente,
sabendo que a chama não acabou —
apenas mudou de forma.
Toda vez que me mato por dentro,
algo em mim aprende a nascer.
E talvez o verdadeiro milagre
não seja recomeçar do zero,
mas continuar existindo
mesmo depois de tantas mortes.
Ego, o véu da alma
Perdi-me no labirinto do ego, onde a importância se tornou um véu que cega.
Dados de realidade, como espelhos, refletem a verdade:
o valor que dou ao outro pode não ser o mesmo que ele me dá.
É hora de reavaliar, de recolher a energia dispersa
e investi-la em mim mesmo, no cultivo da minha essência.
Todos os sentimentos são válidos, até o egoísmo,
pois é no autoconhecimento que encontramos a paz.
Não é sobre negar o ego, mas sobre entendê-lo,
para que ele não me defina, mas me sirva.
Investir em si mesmo é o maior ato de amor,
é reconhecer que a minha jornada é única, e que eu sou o suficiente.
Filosofia/psicologia/poesia
Autor: Caio Vinícius dos Santos
Entre Ruínas e Recomeços
Uma vida feita de histórias ruins,
mas sem desistir — eu sigo até o fim.
Quebrar pra curar corpo, mente e alma,
no meio do caos, tentando achar calma.
Onde a história insiste em te destruir,
eu viro o jogo, escolho construir.
Cicatriz vira força, dor vira visão,
do fundo do poço eu faço direção.
Escritor Caio Vinícius Dos Santos Costa
Solidão e Resistência
Desde que nasci, caminho com a solidão ao meu lado.
Vaguei por estradas em busca daquilo que nunca tive,
sofri em silêncio,
guardando dores que ninguém viu.
Aprendi da forma mais dura
a nunca pedir ajuda.
Para mim, ajuda era sinônimo de fraqueza.
Tentei melhorar,
lutei,
permiti a mim mesmo mudar.
Mas não floresci na primeira tentativa.
Quando falei, me decepcionei.
Ainda assim,
de cada queda eu me levantei.
E entre todas as lições que a vida me deu,
aprendi que o amor que realmente permanece,
o amor que vale a pena cultivar,
é o amor-próprio.
Em ti
No teu sorriso me encaixo,
no teu corpo me acalmo,
na tua loucura me perco,
e nela, de bom grado, me afogo.
O peso dos pensamentos
Em meio às infinitas possibilidades do pensamento, aprisiono-me justamente naquelas que me diminuem. São ideias pejorativas que me acorrentam, escancarando as portas da ansiedade. O coração dispara, o peito aperta, e meu corpo se torna uma âncora, pesado, levando-me ao fundo de mim mesmo.
Então, na psicoterapia, uma fresta de luz começa a nascer. Aos poucos, o coração desacelera, o peso se desfaz e volto a respirar a mim mesmo. O que antes parecia intransponível revela-se apenas uma sombra.
Quando me escuto de verdade, percebo que muitas das minhas inseguranças eram menores do que o medo lhes permitia parecer. E, à medida que amplio minha percepção, descubro que não era o mundo que me aprisionava, mas a forma como eu o enxergava. A liberdade começa exatamente onde a escuta de si floresce.
Caio Vinicius dos Santos Costa
"O mundo gira
e nas suas voltas
nós vamos aprendendo com os fracassos
e o passado
se torna saudade
e o futuro incerto
ansiedade
há tanto medo entre os homens
e uma busca incessante do amor
a vida vai se gastando
e o que nos espera depois
é um mistério
a velhice nos alcança
e o arrependimento nos persegue
o mundo gira
a vida passa
se gasta
se perde
e de uma forma nada educada
nos obriga a deixá-la
e se tornamos motivo de tristeza
de saudade
somos colocado a sete palmos de baixo da terra
pondo fim a nossa viagem
dando lugar
para que novos passageiros
possam embarcar
o mundo gira..."
INDEFINÍVEL
Não posso afirmar com certeza, que tu és indefinível, afinal defini-la como indefinível, seria um paradoxo. Mas, afirmo que tu és o ser mais lindo e mais angelical que já conheci. Tuas inseguranças, pra mim são perfeições. Embora esculpido pelo divino, não me apaixonei pelo teu corpo, e sim pela tua alma.
É inexplicável o que sinto, seria amor ? Paixão ? Desejo ? Não interessa o que seja, de qualquer forma, eu lhe venero. Teu olhar é como um abismo, onde fico tentado a cair, e aos poucos, vou me curvando, me inclinando cada vez mais, até que fico em queda livre por estes lindos olhos.
Celebro sempre que estou perto de vê-la, mas não posso cobiça-no-la, não tenho o direito de tê-la. Mas de algo podes ter certeza, se por acaso eu lhe perca, meu coração jamais vai desaprender como amá-la.
Longe da Vitória
Tomo o caminho do sucesso,
Mas o destino vai por outro lado,
E acabo, no abraço, do fracasso.
