Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Jamais guarde para si um problema ou angústia não resolvido, transcreva-o para um papel, compartilhe-o com alguém de sua confiança e vá a um(a) psicólogo(a). Assim, certamente aconteceram duas coisas: sua situação será resolvida ou se tornará bem menor do que aparenta.
Quero sentir o gosto do beijo sem me preocupar com o depois. Sentir a sensação de estar dentro do corpo. Vida que me impulsiona a querer ser livre, voar pelos quatro cantos do mundo sem precisar de documentos. Sentir o vento que toca os poros. No orvalho, a lágrima de Deus. “Por que fizeste a vida para que sofram?” Pergunta o velho desolado olhando pra cima. A vida já havia lhe tirado tudo. Da onde Deus se escondia soavam notas musicais, cada som um significado, ele era o maestro que conduzia o espetáculo. O sofrimento era parte do enredo, dava sentido a alegria. Dias daqueles que qualquer um sonha, céu azul, sol penetrante… os olhos eram dois diamantes, a boca revelava os segredos que guiavam… o enredo.
Haverá realismo nas redes quando cada indivíduo baixar a máscara da vaidade para divulgar suas dores e fracassos.
Mesmo criando leis, não impedimos aqueles que querem fazer o mal, focamos em sobrevivência e bem estar. Como se manter seguro num ambiente de controle psíquico que nos induz a nossos instintos mais primitivos pela sobrevivência?
Quero a sutileza que separa o sensual do vulgar, contemplar a existência com os olhos de quem olha por dentro. Me desmistificar de tentativas de decifrar o indecifrável. Admirei o horizonte como quem vê o inalcançável, plantar a semente, regar e colher seus frutos durante toda minha vida, sonhar com o dia que não precisarei almejar, tudo já me pertence em algum lugar. Destroços no jardim ao redor do pomar. Linhas presas aos meus membros me movimentam no ar. Só quero respirar, beber a água que vem do céu, sorrir com facilidade como quem rasga uma folha de papel. Suportar a dor como quem deseja resistir. Se eu fosse Deus começaria tudo de novo.
