Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
As cores que o tempo levou
Quando eu era criança, o mundo parecia pintado à mão.
O céu tinha cheiro de tarde quente,
e o vento parecia brincar comigo.
As cores eram vivas — não só nas coisas,
mas dentro de mim.
Agora, aos vinte e dois, olho o mesmo céu
e ele já não me devolve o mesmo brilho.
As cores continuam lá,
mas meu olhar parece cansado de reconhecê-las.
Talvez não sejam as tardes que mudaram,
mas a forma como eu as sinto.
Na infância, o tempo era eterno.
Hoje, ele corre — e leva embora o encanto das coisas simples.
Mas às vezes, quando o sol se despede devagar,
eu fecho os olhos e finjo ser criança de novo.
Só pra ver o mundo com aquele mesmo coração colorido.
O Jardim
Minha vida é como uma rosa que, quando tudo parece dar errado encontra forças para desabrochar.
As pessoas são como borboletas
chegam, pegam um pouco do meu pólen e vão embora com pressa.
Meu sentimento é o jardim onde tudo acontece.
As pessoas entram nele sem saber o que podem causar.
Algumas deixam coisas boas, outras deixam um estrago profundo.
Às vezes fico com marcas que ninguém consegue enxergar.
Mesmo assim continuo tentando cuidar do meu jardim.
Porque apesar de tudo que já aconteceu, eu ainda consigo florescer.
No fim talvez essa seja a minha forma de sobrevive continuar sendo rosa, mesmo depois dos espinhos.
“Quando o Estado pode definir o pensamento legítimo, a liberdade já morreu antes que a censura lhe anuncie o funeral.”
“Nenhum Direito é verdadeiramente livre quando a liberdade precisa pedir licença à maioria para existir.”
“Toda tirania começa quando o poder descobre uma razão para considerar perigosa a liberdade alheia.”
“A liberdade não começa quando o Estado deixa o homem partir, mas quando já não precisa lhe dizer para onde ir.”
"Quando perdemos o hábito de ficar sozinhos com os nossos pensamentos, deixamos que outras pessoas definam a nossa forma de ver o mundo."
"O limite é a fronteira do respeito. Negar um pedido quando ultrapassa suas forças não diminui sua caridade, protege sua integridade. Lembre-se: você não é a 'pior pessoa' por priorizar sua saúde e vida; você é alguém que entende o valor da própria missão. Quem não cuida do próprio jardim, não tem flores para oferecer ao próximo."
“Algumas amizades são meras transações de interesse. Quando a serventia acaba, o laço se rompe. Mas ninguém sustenta uma farsa para sempre: a podridão interna sempre encontra um meio de emergir.”
pródigo.
Eu não pareço com ele.
Pelo menos não quando me olho.
Algumas pessoas dizem que sim.
Dizem que existe alguma coisa no meu rosto, no meu jeito, em alguma expressão que faço sem perceber.
Eu escuto.
Talvez elas estejam certas.
Talvez exista alguma coisa.
Mas eu nunca soube enxergar.
Quando olho para mim, não vejo ele.
Vejo a mim.
E talvez seja justamente isso que me faça pensar tanto nele.
Porque, se existe alguma coisa que eu realmente herdei, não foram os olhos, nem a voz, nem o rosto.
Foram os vícios.
Os malditos vícios.
Talvez essa tenha sido a única herança que encontrou um jeito de chegar até mim.
E é estranho pensar nisso.
Porque eu não herdei as conversas que poderiam ter existido.
Não herdei conselhos.
Não herdei lembranças de infância ao lado dele.
Não herdei aquelas pequenas coisas que parecem tão banais até você perceber que passou a vida inteira sem elas.
Mas herdei isso.
E, as vezes, parece que meu próprio corpo conhece caminhos que eu nunca quis aprender.
Eu tento parar.
Consigo por um tempo.
Depois volto.
E quando volto, existe aquela sensação incômoda de que talvez eu esteja repetindo alguma coisa que começou muito antes de mim.
É aí que ele aparece.
Não na minha frente.
Dentro da minha cabeça.
No subconsciente.
Naquela parte de mim que funciona antes que eu consiga pensar.
Uma reação.
Um impulso.
Uma escolha.
E, por um segundo, eu paro e penso:
“Isso veio de mim?”
Ou veio dele?
Eu odeio não saber.
Talvez seja por isso que eu não consiga perdoá-lo.
Não é só pela ausência.
É pelo que a ausência deixou.
Porque é fácil imaginar que alguém que foi embora simplesmente desapareceu.
O problema é quando a pessoa vai embora e alguma coisa dela continua funcionando dentro de você.
Aí você não sabe mais se está tentando esquecer alguém ou tentando arrancar uma parte de si mesmo.
E eu não quero ser ele.
Nunca quis.
Não quero olhar para as minhas próprias mãos e encontrar as escolhas dele.
Não quero reconhecer nele aquilo que existe em mim.
Não quero que os meus erros tenham o nome dele escondido em algum lugar.
Mas talvez eu precise admitir uma coisa.
Talvez algumas pessoas estejam certas.
Talvez eu realmente carregue alguma coisa dele.
Só que não é isso que me define.
Porque eu também carrego tudo o que veio depois.
As pessoas que me ensinaram.
As que me machucaram.
As que eu amei.
As escolhas que fiz sozinho.
As vezes em que consegui ser diferente.
As vezes em que falhei.
Tudo isso também sou eu.
E talvez seja essa a parte que ele nunca vai conseguir tocar.
Ele pode ter deixado os vícios.
Pode ter deixado perguntas.
Pode ter deixado uma raiva que ainda não sei onde colocar.
Mas não pode decidir o que eu faço com tudo isso.
Talvez eu nunca consiga perdoá-lo.
Talvez um dia consiga.
Hoje eu não sei.
E talvez eu não precise saber.
Porque perdoar não pode significar fingir que nada aconteceu.
Nem transformar ausência em presença só porque seria mais bonito contar a história assim.
Ele não esteve.
Isso também faz parte da história.
E eu não preciso inventar outra para conseguir seguir.
Talvez um dia eu consiga me livrar de tudo aquilo que herdei sem escolher.
Talvez um dia eu olhe para algum vício e não reconheça nele nenhuma sombra.
Talvez eu consiga pensar nele sem sentir que alguma coisa dentro de mim se contrai.
Mas, enquanto esse dia não chega, eu continuo tentando.
Não para provar que sou diferente dele.
Mas porque quero descobrir quem eu seria se não precisasse passar tanto tempo tentando não ser.
Porque eu não sou ele.
Mesmo que exista alguma coisa dele em mim.
Mesmo que às vezes eu me reconheça em coisas que gostaria de não reconhecer.
Mesmo que o subconsciente ainda saiba o nome dele.
Ele pode fazer parte daquilo que explica de onde eu vim.
Mas não precisa fazer parte daquilo que eu vou me tornar.
E talvez seja isso que eu esteja tentando aprender:
eu não escolhi o que herdei.
Mas ainda posso escolher o que fica.
Cada segundo corresponde muito, quando estamos esperando por algo que não está sob nosso controle...
Porém, o que nos move, é a confiança em Deus que tem o controle de tudo e nos
faz saber que não tem a palavra
IMPOSSÍVEL no seu dicionário.
Por que pensas tanta perversidade, oh, minha mente? Quando cansarás de sujar o limpo e tornar-me impuro, cheio de maldade?
Observei quanta perversão se espalhou por toda a terra: todos, se possuem como simples objetos, são usados e descartados como nada!
Ninguém mais se importa com o verdadeiro amor, mas sim com prazer momentâneo. Como vou ainda confiar na bondade humana sendo o homem mal?
Os Que Amaram Tarde
Nós nos encontramos quando era tarde,
Com o coração cansado de esperar,
Mas mesmo assim, em meio à saudade,
Meu peito escolheu te amar.
Talvez a vida tenha errado o tempo,
Talvez o destino tenha nos separado,
Pois quando chegou o sentimento,
Já tínhamos o coração machucado.
E se um dia o amor voltar a chamar,
Que encontre nossos caminhos de frente,
Porque quem aprendeu tarde a amar,
Ama para sempre, mesmo ausente.
Eu gosto de lembrar daquilo
que é bom e bonito,
Não me esqueço de lembrar
quando você dançou
Chico Sapateado comigo;
Você da minha
cabeça não tem saído,
e a minha poesia
está sempre contigo.
