Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve

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Quando o Silêncio Aprendeu Meu Nome


A casa continuava inteira.
Era eu quem faltava nos cômodos.
Meu corpo atravessava o corredor, mas a alma insistia em permanecer na maçaneta da última porta que nunca tive coragem de abrir.
Descobri tarde que o silêncio não nasce da ausência de vozes.
Ele nasce quando nenhuma palavra aceita morar na boca.
Há dias em que converso com as janelas.
Elas entendem o idioma das pessoas que olham para longe porque perto demais também machuca.
Não espero mais respostas.
Coleciono perguntas como quem guarda sementes sem saber se ainda existe primavera.
E, curiosamente,
foi depois de perder quase tudo
que descobri
que algumas ruínas também sabem florescer.




_Lucci Santz

“Quem fica quando você cai não é necessariamente quem mais dizia amar você.”

Até quando alguém importa quando já não pode lhe servir?


Há quem ame a presença.
Há quem ame a utilidade.


O verdadeiro afeto aparece quando você já não pode oferecer nada e, ainda assim, alguém escolhe ficar.
Porque quem só permanece enquanto precisa de você não ama sua essência. Ama aquilo que você entrega.

Um “te amo” vale exatamente o que a pessoa está disposta a fazer quando amar deixa de ser confortável.

A dor ensina a se portar quando já não podemos reagir a tudo. Ensina paciência quando o tempo não obedece à nossa urgência. Ensina resiliência quando a vida nos derruba e, ainda assim, alguma parte nossa decide levantar.
E talvez a maior lição seja esta: resiliência não é aprender a suportar qualquer coisa. É aprender quando permanecer de pé e quando finalmente ir embora.

Talvez a vida não nos permita ter todo o tempo que gostaríamos… 🤍


Mas quando alguém realmente importa, a gente aprende a desejar menos quantidade e muito mais intensidade.


Um café sem pressa.
Uma conversa que atravessa a noite.
Um olhar que diz aquilo que as palavras não conseguem.
Um abraço que faz o mundo parecer distante.


Porque existem momentos que duram pouco no relógio,
mas permanecem por muito tempo no coração.


E se eu pudesse escolher um pequeno pedaço da eternidade,
não escolheria um lugar perfeito,
nem uma vida sem problemas.


Escolheria apenas um instante verdadeiro,
ao seu lado,
onde o tempo pudesse esquecer de passar.


Porque, no fim,
o que torna um momento inesquecível
não é quanto tempo ele durou…


É **quem estava com a gente quando ele aconteceu.** ❤️

Talvez ser inesquecível seja só isso: fazer alguém se sentir mais vivo quando está perto de você.

Gosto de quem me faz rir quando eu estava decidida a permanecer séria.

Quando você ajuda alguém a brilhar, você brilha junto.

Quando escolhi ser poeta, eu disse para mim mesmo: Eu vou poetizar o mundo.

⁠“O verdadeiro caráter só se revela no enfrentamento das adversidades porque quando se está na zona de conforto é comum, mesmo fácil, se exibir exemplo de boas ações”
Ney P. Batista
Feb/06/2021

⁠Quando se perde um ente querido.
Nesse momento de imensa dor, se faz necessário lembrar que é preciso compreender e saber adaptar-se à “impermanência da vida” - o que significa ter uma clara compreensão de que tudo na vida é transitório, inconstante e que em algum momento todos a deixaremos. Embora seja muito difícil aceitar essa realidade, temos que estar preparados para um dia enfrentá-la, tendo uma perfeita consciência dessa inevitabilidade.
Outrossim, é fundamental buscar o consolo do SENHOR, pelo Espírito Santo, acreditando que os que morreram em Cristo sempre estarão bem.
Lembrem sempre dessa verdade que alguém, noutro tempo, disse:
“Não há sofrimento na Terra que o Céu não possa curar.”
Ney Paula B.

“O limite da nossa fala deve ser estabelecido quando a perda do domínio da situação passa a ser iminente.”
Autor: Ney Paula Batista

​A ILUSÃO DO CONTROLE

​Quando a liberdade vira uma prisão disfarçada

​Eu achava que liberdade era poder escolher, ter todas as opções e decidir o meu próprio futuro. O que eu não percebia é que, ao tentar controlar tudo, eu não estava livre — estava preso a um novo tipo de cadeia.

​O excesso de opções não nos destrói apenas pelo cansaço, mas porque ativa a idolatria mais antiga do mundo: a autossuficiência. É a ilusão de que a força de escolher nos salvará.

​Mas essa é uma mentira elegante — e que cobra caro.

​É a ideia de que sou suficiente para carregar tudo, de que posso escolher perfeitamente para garantir a paz e evitar o sofrimento, de que sou capaz de salvar a minha própria vida.

​A liberdade sem Deus não é neutralidade; é desorientação. E a desorientação, com o tempo, vira prisão.

​No fim, o que parecia liberdade era apenas o peso de um coração que esqueceu como confiar.

​COMPARAÇÃO

​ANSIEDADE

​O PARADOXO DA ESCOLHA

Douglas Santos

​A MENTIRA DO CONTROLE

​Quando a gente acredita que pode carregar tudo sozinho

​A liberdade deveria ser leve. Mas, para muitos de nós, ela se transformou em uma prisão disfarçada.

​Acreditamos que precisamos ter tudo sob controle: o trabalho, a família, o futuro, as escolhas, os relacionamentos e até a nossa própria mente. Contudo, quanto mais tentamos controlar, mais ansiosos ficamos.

​O problema não é planejar. O problema é acreditar que somos os únicos capazes de decidir, prever e resolver cada detalhe.

​Essa ilusão nos faz viver em constante alerta, afasta-nos da paz e nos prende em um ciclo ininterrupto de cobrança, culpa e medo.

​Mas a verdade é simples e profundamente libertadora: você não precisa carregar tudo.

​Deus não nos deu a liberdade para nos sobrecarregar; Ele nos deu a liberdade para confiar. Quando você finalmente para de tentar controlar o que nunca esteve nas suas mãos, a vida volta a ter fôlego.

​O PARADOXO DA ESCOLHA

Douglas Santos

Quando o Mundo Perde a Graça


Há dias em que o mundo se cala por dentro.
Não é ausência de som, é ausência de eco.
O céu continua azul, mas é um azul sem memória,
como se nunca tivesse guardado um grito de criança ou um beijo roubado.
O vento passa, mas não traz cheiro de terra molhada;
traz apenas a notícia de que está passando.
E a gente sente, no peito, um silêncio que não explica.


A graça se perde devagarinho, quase com educação.
Primeiro a gente para de correr atrás do caminhão de gás só para ouvir a musiquinha.
Depois deixa de desenhar corações no vapor do vidro do banheiro.
Um dia olha para o mar e pensa em conta de luz.
No outro, vê uma pipa rasgada no céu e calcula o tempo que falta para a reunião das três.
Crescer, descobrimos, é aprender a traduzir encantamento em utilidade.


A gente vai trocando os olhos de vidro por olhos de adulto,
e o vidro, coitado, não reflete mais arco-íris.
A gente aprende que rir alto é exagero,
que chorar é fraqueza disfarçada,
que dançar sozinho na cozinha é loucura que não se assume.
E assim, com jeitinho, vamos nos tornando pessoas sérias,
pessoas que precisam de motivo monumental para se permitir um sorriso sem destino.


Quando foi que desaprendemos de nos espantar com quase nada?
Quando foi que um passarinho pousado no fio virou mero pássaro,
uma criança fazendo bolha de sabão virou estorvo,
um velho segurando a mão da mulher depois de meio século virou apenas “casal de idosos”?
A gente troca a capacidade de ver milagre pela habilidade de ver problema.
E chama isso de maturidade.


Mas há instantes, raros, em que a cortina se abre sozinha.
Um homem entra no vagão tocando violão desafinado,
cantando com a voz rachada de quem já perdeu muito.
Todo mundo finge que não é com ele.
Até que uma senhora de coque branco e rugas profundas
começa a bater palma fora do tempo,
e canta junto, tão baixo que quase é prece.
De repente o vagão inteiro se lembra de que tem coração.
Alguém sorri sem permissão.
Outro deixa cair uma lágrima que não explica.
E por trinta segundos o mundo volta a ter graça,
como quem volta para casa depois de anos sem endereço.


Nessas horas eu entendo:
o mundo nunca perdeu a graça.
Ele apenas se cansou de oferecê-la a quem já não sabe receber.
A graça continua ali, inteirinha,
escondida no jeito que a luz atravessa a folha da árvore,
no som do portão rangendo como se dissesse “bem-vindo de novo”,
no cheiro de bolo que vem da casa de alguém que a gente nem conhece.


Ela espera apenas um olhar que ainda tenha coragem de ser criança,
um coração que aceite se surpreender sem pedir certidão de utilidade.
Porque a graça não mora nas coisas grandiosas.
Mora exatamente onde a gente desaprendeu a olhar.


E talvez a única revolução possível
seja voltar a se espantar com quase nada,
voltar a correr atrás do caminhão de gás,
voltar a desenhar no vapor,
voltar a dançar na cozinha sem plateia.


Talvez o mundo só volte a ter graça
no dia em que a gente parar de ter vergonha
de ter alma.

⁠Crônicas de uma vida – Parte que não se conta no currículo


Quando eu nasci, não entendia nada sobre humanidade. Nem por que raios eu tinha vindo ao mundo. Era só um choro automático, um corpo quente e confuso que exigia leite, colo e silêncio.


Com o passar dos anos, comecei a querer ser alguém **especial**. Não sabia ainda o que era humanismo, compaixão ou empatia — palavras grandes demais para uma criança que só queria ser notada. Então foquei no meu eu: minhas notas, minhas conquistas, meu quartinho organizado, minhas pequenas vitórias que eu achava que definiam valor. O mundo era um palco, e eu ensaiava meu monólogo principal.


Até que, numa noite qualquer — daquelas em que a cidade parece respirar mais devagar —, tudo mudou sem aviso.


Eu caminhava pela rua estreita atrás do prédio, fugindo da insônia e do calor abafado do apartamento. Foi quando a vi: uma figura encurvada, quase fundida com a sombra do poste. Uma mulher (acho que era mulher, a penumbra roubava detalhes). Ela revirava uma lata de lixo com uma paciência feroz, os braços magros desaparecendo até o cotovelo no fundo metálico. O som era seco, plástico rasgando, latas batendo. De vez em quando ela parava, examinava algo na luz amarelada, levava à boca e mastigava devagar, como se saboreasse um prato requintado.


Fiquei parado. Não consegui seguir andando.


Primeiro veio a surpresa. Depois, uma pontada de indignação quase infantil: **Como assim? Como uma pessoa igual a mim, feita da mesma carne, do mesmo sangue quente, pode chegar a esse ponto?** O cérebro tentava calcular: acidente? drogas? doença? família que virou as costas? E logo em seguida veio o desconforto pior: e se eu, com toda a minha pose de “alguém especial”, estivesse a apenas algumas más decisões de distância daquela lata de lixo?


Ela ergueu os olhos por um instante. Não sei se me viu de verdade. Talvez eu fosse só mais um vulto na noite, mais uma silhueta que passa e julga. Mas naquele segundo de cruzamento de olhares — ou de quase-olhares — alguma coisa em mim estalou.


Não foi pena. Pena é confortável, dá para resolver com uma moeda ou um sanduíche. Foi **reconhecimento**. Uma espécie de espelho torto e cruel. Ela ali, eu aqui. Mesma espécie. Mesma fragilidade essencial. Só que a vida tinha apertado o acelerador em direções opostas.


Voltei para casa com o estômago embrulhado e os pensamentos em looping. Naquela noite, pela primeira vez, percebi que ser “especial” não era uma conquista solitária. Era, na verdade, uma ilusão muito frágil, sustentada por circunstâncias que eu não controlava: nasci em berço que não desabou, tive acesso a escola, saúde, comida na mesa, rede de proteção invisível que a maioria nem percebe que tem.


A criatura furtiva da noite adentro não era “outra”. Era um **lembrete**. Um lembrete vivo, sujo, faminto, de que a humanidade não é mérito — é sorte, é sistema, é escolha alheia, é conjunto de acasos e de decisões coletivas.


E aí, devagar, quase sem querer, comecei a entender o que talvez seja o humanismo: olhar para o outro e enxergar, antes de qualquer coisa, o mesmo grito surdo de existir. Não importa se está dentro de um terno caro ou revirando lixo à meia-noite.


Aquele encontro não me transformou num santo. Longe disso. Mas plantou uma dúvida incômoda e permanente:
E se eu tivesse nascido do outro lado da lata?
E se, amanhã, a vida virar a chave e me colocar lá?


Talvez a verdadeira especialidade não seja chegar ao topo.
Talvez seja conseguir olhar para baixo — ou para o lado — sem desviar os olhos.
E, quem sabe, estender a mão.
Não por pena.
Mas por reconhecer, no fundo do peito, que aquela mão que revira o lixo poderia, em outra história, ser a minha.


E você? Ja passou por situação que fez repensar quem você acha que é?


Ysrael Soler

Quando a vida não der mais prazer,
Quando o sol não brilhar para você,
Quando tudo chegar a dizer não para você...
Quando uma lágrima rolar
E o seu pranto alguém escutar,
Se lhe pedirem para estender a mão, é só ir...
Eu vejo o mundo ao meu redor,
Eu olho as nuvens que passam no céu.
O tempo, como fumaça, se vai
Para não mais voltar.
Quem dera eu e você,
Uns dias destes, andando por aí,
Pudéssemos encontrar o amor
Para nos fazer feliz.
E o nosso pranto secaria,
Solidão não mais haveria,
A alegria estaria em nós.
Quem dera eu e você
Se importasse mais com o amor...

​VÉRTICES


​Quando me vem o medo de amar,
lembro-me de que o amor é bom
e paro num espaço de tempo retrógrado.
Em frações de segundos,
vejo-me, olhando-me por dentro,
com o coração acelerado.
E, em um curto espaço de tempo,
a colisão de dois corpos,
ambos tentando ocupar
o mesmo espaço, a mesma matéria...
Assim foram aqueles tempos.
​Chego a pensar na suavidade do vento,
este que lambia seus cabelos naquele dia,
e lembro de belezas mil que me ofertaste.
As lembranças são partes a revoar
ao longo dos dias na minha mente,
que insistem em se perpetuar
ao longo dos anos!!!
​Em meus pensamentos,
estas lembranças que se formam
através de imagens
ressuscitam tempos bons, enigmas e parábolas,
construindo, assim, vértices
em pontos estratégicos do coração,
mostrando toda a beleza
dessa encantadora criatura
que caminha em busca do seu equilíbrio!

Toda sociedade contemporânea, hoje está muito doente quando não tem paciência, perspicácia, sagacidade e reflexão para entender o comportamento autista de alguns privilegiados escolhidos pela vida. A mesmice, por si só tornou se um padrão mais fácil e a taxação de anomalia comportamental em uma solução errônea e mais rápida.