Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve

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Nenhuma solidão é tão brutal quanto a de quem vê as próprias ilusões apodrecerem por dentro e, sem ter para onde fugir, é condenado a habitar o cadáver daquilo que um dia o manteve vivo.

Amar a Amazônia, como ela é muito alem de como conseguimos vê-la... me alertava meu querido amigo, mestre o artista e intelectual amazonense Moacir Andrade. Amar verdadeiramente selvagem para entende-la.

Quem vê ocultação em toda ausência repete a cascata ao contrário: também infere do vazio.

O que é o Amor?




Só sei que é inimiga da covardia
Pois para ganhá-lo tem que perder
Vencer o medo de ganhar
Vencer o medo de perder
E conquistar o direito de ser livre
Para perder a própria liberdade

A quem me vê sem me enxergar

Espero.
E, enquanto espero, me desespero na esperança de que alguém me perceba sem que eu precise parecer ser aquilo que esperam que eu seja.

Sonho que me vejam, mas veja só que desgraça: quanto mais tento ser visto, mais visto o disfarce, mais visto a vontade de ser visto, menos visto o que sou.

E sou? Ou sou somente o som daquilo que dizem que sou?

Porque me dizem tão dito, me ditam tão ditado, que me torno, de tanto ser chamado, alguém que nunca chamei de meu.

Sou o que digo ou o que digo que sou? Sou o que sinto ou o que sinto que sentem por mim? Sou o que mostro ou o que escondo tão bem que até eu me esqueço de mim?

Espero e espero. E, de tanto esperar, desespero.

Espero que me olhem sem que o olhar me altere, que me ouçam sem que a voz me traia, que me sintam sem que o sentir me sentencie.

Quero ser visto sem ser vistoso, ser notado sem ser notável, ser amado sem ser amoldado, ser querido sem ser adquirido por quem me queira somente quando eu quiser ser o que querem de mim.

Porque há algo de cruel em ser claramente visto e, ainda assim, ser mal compreendido.

Há algo de quase cômico em dizer que sou quem sou e ouvir, como resposta, que não sou quem pareço ser.

Mas quem pareço ser senão aquilo que aprendi a parecer para não desaparecer diante de quem nunca quis me conhecer?

Eu me mostro e me escondo, me escondo e me exponho, me exponho e me componho conforme a composição dos olhos que me compõem.

E, nessa composição, perco partes, parto-me, reparto-me em partes que participam de pessoas que não sou.

Que disparate!

Tanto me reparto para caber que já não sei em qual parte me encontrar. Tanto me adapto para agradar que já não sei a quem devo desagradar para finalmente me agradar.

E o pior não é não me verem. É me verem e não me enxergarem. É me ouvirem e não me escutarem. É me tocarem a alma sem sequer saberem onde ela começa.

É ser presença para os olhos, ausência para o entendimento, aparência para o mundo, desconhecido para quem me chama pelo nome que me deram sem jamais perguntar como eu me nomeio por dentro.

Eu espero.

Espero que alguém veja o que há de avesso no verso, o que há de inverso no que expresso, o que há de imenso no silêncio e de silêncio no que digo.

Que perceba que nem todo sorriso sorri, que nem toda fala revela, que nem todo aquele que se cala consente com aquilo que lhe calam.

Que me veja sem me prever, que me conheça sem me concluir, que me escute sem me traduzir para uma língua mais conveniente.

Pois não quero ser decifrado por quem já decidiu minha definição.

Quero ser lido mesmo quando a leitura for difícil, mesmo quando a frase falhar, mesmo quando eu próprio me contradisser e a contradição disser mais de mim do que eu conseguiria dizer.

Não quero que me inventem perfeito. Quero que não me desfaçam por ser imperfeito.

Não quero que me vejam como gostariam que eu fosse. Quero que gostem de conhecer quem sou quando não estou tentando ser gostável.

E, se for para sonhar, que eu sonhe sem precisar me ensaiar; que eu exista sem precisar me explicar; que eu possa, enfim, ser sem que o ser me custe a necessidade de parecer.

Porque espero e sonho que me vejam como realmente sou.

E, se há alguma ironia nisso, é que passo a vida inteira tentando ser visto enquanto me torno invisível na tentativa de ser visto.

Talvez, um dia, eu não precise mais pedir para que me vejam.

Talvez alguém me olhe e, sem me moldar, me compreenda.

E talvez eu me olhe também.

Porque, no fim, de tanto desejar ser descoberto por alguém, tenho medo de que, quando me encontrem, eu já tenha me perdido de mim.

Não nasci para ser apenas uma coisa
Ser escritor é abraçar um projeto muito pessoal e, muitas vezes, solitário. É ficar a sós com os pensamentos, escolher palavras, construir ideias e tentar transformar sentimentos em histórias. Já nas profissões coletivas, a felicidade parece transbordar quando o trabalho termina e a conquista se transforma em vitória compartilhada.
Certa vez, ouvi Flávio Gordon, jornalista e escritor brasileiro, definir, com sabedoria: a estética determina o que é belo e o que não é; a moral distingue o certo do errado; e a política define amigos e inimigos.
Pois bem! Eu adoro escrever, ouvir música, assistir a comédias, contar piadas, ver filmes de western, cozinhar, conviver com crianças e idosos, aprender coisas novas para compartilhá-las e, principalmente, conversar com os amigos. E é aí que começa o meu dilema: como posso querer ser escritor se gosto tanto de gente?
Quando caminho, geralmente encontro os assuntos sobre os quais desejo escrever. É na solidão das trilhas que meus pensamentos ganham profundidade. O silêncio, a brisa, as folhas que caem, o canto dos pássaros, o perfume das flores, a chuva, o movimento das formigas e até o zumbido das abelhas me ajudam a enxergar o mundo por outros ângulos. Caminhar é como abrir uma janela dentro de mim, por onde entram ideias que, mais tarde, tento transformar em palavras.
Talvez eu devesse ter escolhido outra profissão. Quem sabe estilista ou designer de moda, já que gosto de me vestir bem e minha filha Beatriz, profissional da área, às vezes me ajuda a escolher a roupa certa para cada ocasião. Ou professor, porque adoro pesquisar, aprender e compartilhar conhecimentos. Talvez político, pois gosto de percorrer as cidades, identificar o que está errado, perceber o que falta à população e cobrar soluções. Também não escondo minha indignação diante dos corruptos, dos aproveitadores e daqueles que colocam os próprios interesses acima do bem coletivo. Ou, quem sabe, chefe de cozinha, já que cozinhar é minha segunda melhor terapia.
Agora, próximo dos setenta anos, percebo que me tornei um pouco de tudo isso, embora reconheça o quanto ainda tenho a aprender. A idade não conseguiu apagar minha inquietude, muito menos minha vontade de experimentar, descobrir e fazer acontecer. Talvez eu seja um generalista: alguém que conhece um pouco de muitos assuntos e, por transitar por diferentes caminhos, consegue conectar ideias que nem sempre os especialistas percebem.
Por isso, quase todos os dias, as pessoas me enxergam de maneiras diferentes e tentam me definir. Felizmente, as caminhadas também me ensinaram a ouvir mais, responder menos e não sentir a obrigação de explicar quem sou. Aprendi que nem todo mundo precisa compreender nossos caminhos, muito menos conhecer todos os nossos pensamentos.
Uns me veem como escritor; outros, como peregrino. Há quem me considere alguém que aproxima pessoas, enquanto outros simplesmente me enxergam como um sujeito inquieto, sempre inventando alguma coisa nova — até mesmo a aventura de me tornar Papai Noel.
E talvez seja justamente essa a resposta que eu procurava. Não preciso escolher entre escrever e conviver, entre a solidão das trilhas e a alegria das pessoas. Posso caminhar sozinho para encontrar minhas ideias e voltar ao mundo para compartilhá-las.
Afinal, talvez eu não tenha nascido para ser apenas escritor, professor, cozinheiro ou peregrino. Talvez eu tenha nascido para continuar sendo aquilo que os caminhos me ensinaram: alguém que nunca deixa de aprender, que gosta de gente e que ainda encontra motivos para sonhar.
E, enquanto houver caminhos a percorrer, histórias a contar e pessoas com quem conversar, continuarei sendo esse peregrino inquieto, tentando descobrir quem sou, sem jamais perder a vontade de ser um pouco mais.
Peregrino Nino Carneiro

Um amor antigo ficou perdido no tempo/espaço, mas de um período pra cá comecei a vê-lo passar estranhamente por entre as nuvens, e senti-lo a mesa ao tomar meu café pelas manhãs,
Se isso forem sinais de reaproximação, então que aconteça logo, pois a ansiedade e as incertezas costumam matar na unha.

​"Onde o ego vê um fardo de chumbo, a alma encontra a mina de ouro do despertar."

O que mais dói não é apenas o peso da luta diária, mas a indiferença cruel de quem vê o outro quase desistindo de tanto sofrer e, mesmo podendo, recusa-se a dar uma única chance ou comprar algo para aliviar o fardo do irmão.

Nenhum país cresce alimentando a violência: defender a lei e a moral é o único caminho para a verdadeira liberdade.

Homens não valoriza mulher de muitos homens porque ela não será olhada por um homem sincero as vezes ela só escolhe mas está perdida porque não achou um homem bom no meio de vários só achou outro homem pra fazer ela de muitos homens e na verdade ele vai brigar.

Dá raiva ver a pessoa dando dinheiro para quem só pisa nela e ignorando quem quer vê-la crescer.

Correm atrás de quem maltrata por status, enquanto pisam nas mãos de quem é pequeno e só quer vencer com dignidade.

"O preconceito fere, mas não destrói a essência de quem trabalha honestamente e carrega a verdade no coração."

"A dignidade, a postura correta e as boas atitudes não têm preço, e é nisso que reside o verdadeiro valor de uma pessoa."

​O universo "vê" através dos seus olhos, "pensa" através das suas crises existenciais e "aprende" através da sua superação.

O pior tipo de pessoa é aquela que vê o mal e escolhe defendê-lo. Quem estende as mãos para as trevas passa a fazer parte delas, e já não há salvação.

"Da boca que me julga, jamais há de ter refúgio na sabedoria do senhor, pois é deste advém a verdadeira justiça. E vós, que fazem juízo alheio, são tão ou mais falhos quanto aqueles a quem julgais."

Adeus

Adeus...
Palavra indecifrável
Inconcebível
Incompreensível
Machuca, destrói
Muitas vezes...

Decifrável
Aliviável
Outras vezes,
Intenso
Como o aroma de liberdade.

Amores platônicos
Desprovidos de paixões
Puramente alvo
Socrático
Raiz de todas as virtudes
Distanciado de mim
Ele ficou
Eu renasci.

Aprendizagens darão início... Deus que tudo vê também sabe devolver para ensinar...