Sombra

Cerca de 3697 frases e pensamentos: Sombra

Acordo com a sombra de um ontem na garganta, onde palavras não ditas fermentam como feridas abertas. Seguro o silêncio entre os dentes, conto as batidas do escuro, e aprendo que a esperança às vezes nasce de uma cicatriz que respira.

A melancolia não deve ser vista como uma sombra que nos persegue, mas como a penumbra necessária para que as luzes da alma brilhem. Sem o contraste do escuro, a claridade da nossa própria resiliência se tornaria cega e sem profundidade alguma para o olhar atento. É no tom menor da existência que as lições mais cruas e honestas são sussurradas ao ouvido de quem tem coragem de ouvir. Aceite a sua tristeza como uma mestra rigorosa que te prepara para os grandes palcos da vida eterna.


- Tiago Scheimann

Até um anão tem a sombra gigante no ocaso do Sol.

Sou vento, sou sombra, sou chama acesa,
sou o que fica e o que se desfaz,
um enigma que aprende com a própria incerteza
a ser inteiro…
Assim mesmo, encontro
Paz.

A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;

A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:

Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!

Tudo ao nosso redor nos mostra que nunca estamos sós, desde a nossa própria sombra até as estrelas.

O mal é igual a sombra; está sempre ali; ou aceita, ou te incomoda toda vez que olhar.

A sombra é uma referência da natureza para te lembrar que você é a sua melhor e mais leal companhia.

Minha sombra me lembra que tenho a melhor companhia, eu mesmo.

Desconfiar da própria sombra é a destreza dos fortes;

A minha sombra não é tão minha amiga
Sempre me abandona quando chega o fim do dia;

Deixa cair a máscara
Escondes-te na sombra da verdade
Buscas tudo e nada te satisfaz
Vives de fantasias, iludes como um mágico
Alimentas-te da mentira e aplausos.

Quando se está na luz, até sua sombra quer parte da luz que há em você, mas quando se está na escuridão, até a sua sombra te abandona.

Entre a Culpa e o Perdão


Caí…
O peso que sinto é insuportável.
A sombra que plantei sem perceber
voltou — fria e silenciosa —
como quem cobra o preço do erro.


Matei meus sonhos,
feri quem me amava,
e me perdi de mim.


A culpa virou meu pesadelo,
um eco no escuro da alma,
e me abraçou… como a morte.


Gritei…
mas só o silêncio respondia.
Chorei até o choro secar…
e ainda assim, doía.


Achei que Deus não me ouviria mais,
que o céu havia fechado pra mim.
Mas foi no chão…
entre a culpa e a morte…
que eu escolhi recomeçar.


Quando todos disseram “não”,
O Pai disse “vem.”


Ele não me cobrou explicações,
não perguntou o que fiz, nem onde estive.
Apenas me olhou —
e o olhar d’Ele…
me trouxe de volta à vida.

A água é transparente,
mas faz sombra.
A verdade transparece
e ao pérfido assombra!

A vida se insinua nos detalhes que ninguém percebe: uma porta rangendo, uma sombra que hesita, um gesto interrompido. É nesses pequenos interstícios que a verdade se esconde, não para ser descoberta, mas para lembrar que tudo o que buscamos já passou, e tudo o que amamos já se tornou silêncio.

O destino não é estrada nem muro, mas a sombra que projetamos ao caminhar. Cada passo que julgamos firme deixa rastros de incerteza, e cada sorriso que oferecemos é um reflexo do vazio que tentamos ocultar. No fim, tudo retorna àquele lugar silencioso onde já existíamos antes de saber que éramos.

Quando a sombra projeta o vigia e a parede se torna espelho e escrita, o prisioneiro decora as grades pensando ter inventado o horizonte.
Reno Fioraso

Despeço-me da roupa
como quem abandona o dia
e encontro-te na sombra macia do quarto.




Os teus olhos percorrem-me devagar,
com a saliva tranquila de quem sabe esperar. Sinto o teu toque subir pela minha pele como um fogo lento que acorda cada nervo.




A tua boca aproxima-se do meu pescoço, quente, demorada —e o ar entre nós torna-se
mais pesado, carregado de desejo.




A minha boca perde-se
nos teus famintos seios
descobre os caminhos que o corpo guarda para noites em que a razão adormece.




E quando finalmente me puxas para ti, pele contra pele, respiração contra respiração, o mundo encolhe até caber entre os nossos corpos.




Ali ficamos, presos um ao outro,
num ritmo antigo e secreto,
onde cada suspiro diz
aquilo que as palavras
nunca ousariam dizer.

A guerra é poesia invertida:
transforma rostos em sombra
e em terra embebida em lágrimas,
as flores não nascem.