Som Alto
O silêncio do fracasso virou silêncio do triunfo, o som mudou, mas o rigor permaneceu, sigo com o mesmo trabalho, outro fruto.
Há um eco que rasga a montanha, é o som do amor em busca. Nenhuma noite é tão densa que impeça a voz de chegar. O pastor caminha, cansado, mas a fé o guia, mansa, até que o pranto se cala no peito que volta a pulsar.
Às vezes a voz de Deus sussurra. A esperança é um som leve, quase imperceptível, mas suficiente para mover montanhas internas. Quem ouve o chamado na escuridão, já está a caminho da luz.
O silêncio é o lugar onde Deus fala sem palavras. Quem aprende a ouvir a quietude, descobre o som da eternidade. A graça não se impõe, apenas convida a permanecer.
Puxe o ar até o fundo da alma, que o caos ululante do mundo seja um som distante, pois seu peito é um santuário autônomo onde a tempestade externa não tem permissão para entrar.
Meus silêncios não são ausência de som, são gritos que aprenderam a se comportar para não assustar os que ainda acreditam na leveza da vida. Por dentro, sou um estrondo de vidros quebrados, por fora, apenas a poeira que se assenta após a queda.
Há uma melodia nas coisas que se quebram, um som de fim de mundo que ecoa por dentro muito tempo depois do estrago físico. Eu coleciono esses estilhaços e tento montar um mosaico onde a beleza não venha da perfeição, mas da forma como a luz atravessa as rachaduras.
Há um tipo de silêncio que não é ausência de som, mas o peso exato de tudo o que deixamos de dizer para não desabar o teto sobre as nossas cabeças, é preciso aprender a morar nesse vazio sem medo de que as paredes comecem a gritar o nosso nome.
EU, POEMA DE MIM
Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.
Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.
Sou o eu lírico que canta
o amor, a dor e a esperança,
que veste roupas de sonho
e brinca com a lembrança.
Sou o eu inanimado,
pedra, estrada e paredão;
dou voz ao banco da praça,
à enxada, ao velho portão.
Sou a poeira do caminho,
a folha seca a cair,
o relógio esquecido
que continua a seguir.
Sou também o abstrato,
o que ninguém pode tocar;
sou saudade, sou silêncio,
sou vontade de ficar.
Sou a dúvida da noite,
a fé buscando razão,
o medo escondido em sombras,
a coragem do coração.
Mas sou também o real,
carne, osso e cicatriz;
sou o homem que tropeça
na procura de ser feliz.
Carrego marcas do tempo,
vitórias, perdas e ais;
sou feito de muitas vidas
que já não voltam jamais.
E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.
Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.
Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.
Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.
Da ponta da caneta
são escritos Versos Intimistas
para que não me esqueça
ao som de Indie Rock,
para que a gente vire poema.
...
Dividindo o Camboim
de um amor único
Íncubo e Súcubo
em Versos Intimistas
para daqui para frente
viver vestidos de poesias
e sussurros de amor.
...
O vento traz a chuva
que faz dançar
o Capim-Cambu,
A tua alma me chama
por Versos Intimistas
que inflamam na cama
as mais doces fantasias.
...
Palores lascivos só de ler
os meus Versos Intimistas
e de imaginar o quê farei
quando estiver a sós contigo,
Não é difícil de prever que daqui
prá frente é esse o nosso destino.
No Parcel do Campo Bom
ouvir do mar o grão som,
a terna música da tua voz
e o coração ajustar no tom.
Desfrutar do teu dom...
Toda inteligência artificial nasce dos dados de uma sociedade e, por isso, carrega também suas sombras.
Querendo viver
uma vida normal
ouvindo o som
de Miss Anthropocene
na minha sala
ao redor deste
isolamento social,
Parece piada
por aqui eu li
que 'o dilema
é bíblico',
há quem defenda
trabalhar,
há quem defenda
ficar em casa,
e até agora nada
está resolvido;
Apenas o quê
me resta é
ficar reclusa,
dançar a música
na mais plena
figuração
da linguagem,
escrever poemas
sobre a Lua
para não morrer
de doença
ou ir para a cadeia,
Esperando sigo
perguntando
qual será a próxima cena,
porque quem lambe
a borda da taça,
a alma não cala
e não busca
por 'indulgência' barata.
Ó Samir, arquiteto de aço, fogo e som,
Que em Curitiba molda o próprio chão!
Da força bruta das esteiras e tratores,
Aos elos fortes de um sincero coração.
Nas páginas do tempo e da memória,
Eles de aço, esteiras em movimento,
Trazes na veia o rigor do trabalho duro,
Na precisão do trilho e do instrumento.
Profissional honrado, de palavra e aprumo,
Que do peso da rotina faz sustento.
Mas a alma, ah, essa canta em outra frequência!
Ressoa na agulha a deslizar no vinil,
Na vibração do Kiss, no rock de outrora,
No brilho da luz que ilumina o Brasil.
Comandante dos graves, mestre do palco,
Na "FLAW'S" que atravessa as décadas com ardor,
Transformas o encontro em celebração,
Unindo velhos amigos em tom de festa e amor.
E no teu refúgio sagrado, o Bar do Samir,
Onde a brasa crepita e o karaokê ganha vida,
És o anfitrião de riso franco e porta aberta,
Pai e esposo dedicado, de alma aquecida.
Entre a pedra São Tomé e o azul do teu descanso,
Construíste com as próprias mãos o teu jardim,
Acolhendo leais guardiões a rosnar de alegria,
Em um cenário de vida bem vivida, até o fim.
Criador de imagens, resgatador de memórias,
Guerreiro da rotina e rei da celebração,
Fica registrada aqui a tua justa ode:
A um homem de palavra, arte, garra e paixão.
