Sociedade Alienação
O novo trabalhador não irá trabalhar. Ele irá ganhar pontos por colaborar com ideias que beneficiem o poder atuante.
Pensei que pensava meus pensamentos, até pensar que os pensamentos
que pensei não eram meus se pensados por aqueles que pensaram antes de mim.
Ao pensar assim me senti pensando fora das regras e agora o que vão eles pensar de mim?
Aos conterrâneos brasileiros, ocasionalmente se apresentam "fatos" com uma função social análoga a da arena romana, conquanto, nada verossímil a eloquência de Górgias ou à retórica sofisticada de Protágoras.
CAPITALISMO
A bola de neve do capital proporciona um mundo cada vez mais desigual
Temperaturas absurdas poluição evidente todos vítimas de um sistema que não sente
Seu sentimentalismo barato tem um nome uma marca que se vende se propaga
Romantismo nada romântico sem qualquer amor ao próximo escondido atrás do pano encobrindo esse mundo ilusório
"Estive um ano no Brasil e vi que se exige muito do jogador brasileiro e da seleção brasileira. Vivi a pressão que eles têm. Às vezes jogam neles uma bagagem do passado".
O ANALFABETO POÉTICO
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Em meio à fauna amorfa dos que não sentem,
ali está ele – com seu ódio tão peculiar.
A Fome dos outros não o comove;
a Injustiça não lhe diz respeito...
A Guerra? Não lhe tira sono.
Mas a Poesia, isto sim...
Como o incomoda!
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O Analfabeto Poético
diz que só quer viver a vida,
mas não percebe que a vida viva
depende crucialmente da poesia.
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Vaidoso, ele estufa o seu peito esnobe,
orgulhoso de sua pretensiosa racionalidade;
sem impedir que se inflame a barriga infame,
deixa à vista o seu vasto vazio de sentimentos.
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Lá vai ele, vestindo o rosto com seu riso bobo,
suspenso por um fio fino, e tão previsível.
Sempre pela mesma estrada!
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Zomba dos que sentem,
despreza os que fazem versos,
e nunca amou as mulheres
(no máximo,
intrometeu-se entre elas).
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O Analfabeto Poético
admite a Política, mas não a Poética;
Não sabe que a verdadeira Política
nutre-se intimamente da Poesia.
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Ele pretende mudar o mundo
com pequenas operações cirúrgicas,
a golpe das mais descuidadas marteladas,
ou com a triste frieza das canetas tecnocráticas;
mas não tem a sensibilidade poética para perceber
o que precisa ser mudado.
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O Analfabeto Poético, bem armado e mal amado,
reconhece a Ciência, mas não a Poesia.
Não compreende que não há ciência
sem que esta tenha em si poesia.
(Em sua matemática rústica,
ele confunde ciência
com tecnologia).
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Sabe talvez ganhar dinheiro, o Analfabeto Poético.
E o reverte para ganhar ainda + mais dinheiro +.
O que tem tudo isso a ver com a Poesia?
Ele pergunta, sem desejar resposta...
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Pede o prato mais caro, sem capacidade de saborear.
Compra um sistema de som de alta fidelidade
sem ter nenhum gosto para a Música.
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Ouviu falar das mulheres belas
e por isso deseja comprá-las
para exibi-las a outros como ele.
Quando sucede aparentemente tê-las,
não consegue extrair delas um simples sorriso
realmente verdadeiro.
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Ele não percebe que, para que a luz do sol adentre
a inexistente janela da sala de pregões da Bolsa de Valores,
é preciso ter capacidade poética para perceber a luz, para além da luz.
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O Analfabeto Poético declara-se um homem prático...
Por sua vontade, seriam abolidos os livros
que não fossem tratados ou manuais.
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Por ele não haveria música,
não fluiria o pranto,
não transbordaria o riso...
que não fosse mero deboche.
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Munido de algumas frases,
para dizer nas horas mais erradas,
lá se vai ele para a sua ruidosa festa.
Nela, o Analfabeto Poético dissolve-se
em meio a todas as banalidades.
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(1990. Dedicado à genial obra poética, dramatúrgica ensaística e política de Bertolt Brecht).
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[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Cronos, vol22, nº1, 2021]
A extrema direita, com seu verniz de patriotismo distorcido, conduziu o Brasil por um caminho de divisões acentuadas e retrocessos dolorosos, trocando o progresso pelo medo e a esperança pela amargura de um ódio semeado no coração da nação.
Diante de uma realidade social marcada pelas desigualdades e discriminação, o seu silêncio é a aceitação consciente do estado serviçal ao seu algoz, fruto de uma alienação construída paulatinamente, a qual você foi incorporando inconscientemente.
As massas não precisam ser convencidas, apenas entretidas o suficiente para não questionarem quem as controla.
A moralidade autêntica nasce da compreensão do bem, não da coerção religiosa. Obedecer sob a ameaça do inferno ou a promessa do céu não é virtude, é condicionamento.
“...em vão, acredita o ladrão, que o ítem roubado lhe pertence”
[Não é sobre coisas]
Rubenita Olindo - Psicanalista
Todos dormem
O mundo só quer ganhar dinheiro
E se divertir, estão todos dormindo.
Estão todos dormindo
E, a qualquer instante,
Podem morrer.
Estão dormindo,
Ganhando dinheiro e
Se divertindo,
Ignoram o outro, a si mesmos
E as coisas mais valiosas:
Conhecimento, valores.
Não aprenderam com
As coisas mais desastrosas
Da humanidade.
Os meios de comunicação
Só querem vender,
Só querem dar diversão.
Será que mostram
O que é importante?
Enquanto dormiam,
Ganhavam dinheiro,
Se divertiam,
Construíram bombas nucleares.
Eles estão se preparando
Para a guerra.
Tenho certeza de que a humanidade
Irá sofrer uma grande destruição,
como foi previsto no apocalipse.
O jornalismo instrumento de inverdades, missão que revela a injustiça através da injustiça.
Crime, miséria, contenda, guerra, ódio, formadores de opinião em nome
de quem? para quem?
Para sua alienação!
Toda a palavra da Bíblia é pura
para os que são puros, mas nada
é puro para aqueles que sujam suas mentes e possuem uma consciência alienada.
Reconhecer a dissonância cognitiva é um ato de coragem, é confrontar as ilusões e buscar uma vida mais íntegra, lúcida e ética.
