Sobrevive Amor Acima de tudo
Ficar sozinho às vezes é necessário, nada de cobranças, nada de ligações, tudo que preciso é escutar um pouco a voz de minha própria mente.
E lá estava eu, deitado na cama, olhando pro nada ,pensando no tudo, e dando mais um sorriso bobo por ter pensado em ti.
A gente faz de tudo
Mas nada faz sentido
Nem as luzes da cidade
Nem o escuro de um abrigo
A gente faz de tudo
Mas nada faz sentido
Nem a existência de uma guerra
Nem a violência do inimigo
Não posso entender o que fizeram com nossas vidas
Não posso entender por que viramos suicidas
Oh! Oh! "O que fizeram com nossas vidas?"
Oh! Oh! "Por que viramos suicidas?"
Eu ando tão vazio, tão cheio de vícios
E o fim da linha, é só o início
De uma nova linha, de um novo mundo
De um dia-a-dia cada vez mais absurdo
Eu já pensei em mandar tudo pro espaço
Eu já pensei em mandar tudo pro inferno
Mas não pensei que fosse tão difícil
Ficar sozinho numa noite de inverno
Não posso entender o que fizeram com nossas vidas
Não posso entender por que viramos suicidas
Oh! Oh! "O que fizeram com nossas vidas?"
Oh! Oh! "Por que viramos suicidas?"
Eu tenho a mente convicta de que tudo se tornará um alivio para meu coração, eu não tenho a resposta de tudo aqui no presente, no hoje só posso ter a certeza de que tenho de plantar amor e serenidade no coração daqueles que sofrem.
A vida toda tive a mania insuportável (pra os outros) de fazer tudo exatamente ao contrário do que me mandam fazer. Quebrei a cara muitas vezes, é verdade, mas na maior parte, tive a oportunidade de olhar pra quem tentava me convencer do contrário e soltar um delicioso não-disse-que-ia-dar-certo. É, eu sou assim porque os caminhos que EU escolhi e que EU tracei, me trouxeram para onde eu estou agora (vou bem, obrigada). E tem sensação mais gostosa do que chegar aonde você queria, por mérito próprio?
Se me pedem pra brecar, escuto: "ACELERA!". Tudo bem, que já saí da estrada em algumas curvas, mas já cheguei muito mais vezes no alto do pódio. Se me falam pra me conter, simplesmente explodo! Por acaso sou epidemia pra ser contida? Se me pedem pra redobrar a atenção, meus olhos se fecham e o vento me leva. E ele já me levou pra lugares que nunca imaginei estar. É assim mesmo, meu bem. O tempo passa rápido demais e pede que sejamos apressados. Meus desejos tem pressa, minhas tentações correm e tenho que acelerar pra alcançá-las. Como diria a diva Clarice: “Sinceramente, eu vivo”. E se a vida está aí pra ser provada, quero todos os seus doces, amargos, azedos e salgados.
Nunca sonhei com uma casinha de cerca branca, uma rotina de fazer docinhos pela manhã, cuidar de filhinhos pela tarde e cuidar do maridinho durante a noite. Eu sonho com o mundo. Sou muito maior do que eu e isso é extremamente notável. Não tente me moldar, não tente me mudar, que isso é a maior ofensa do mundo e uma atitude completamente inútil. Não sou de barro, não sou modelável. Onde eu quero chegar, nem eu sei. Mas de uma coisa tenho certeza: não é o caminho que uma outra pessoa me apontar, nem onde outros passos já pisaram. Quero que os meus passos sejam os primeiros a aparecerem na areia e que sejam marcados em concreto e aço.
E se você me deseja prudência porque o máximo que consegue é existir, me lanço nas mãos da sorte e só pra contrariar vou viver ainda mais. Só pra contrariar, vou ser ainda mais feliz. Só pra contrariar, meu bem. Não é nada com você.
Nos piores momentos tudo fica bem mais claro
Nessas horas eu descubro quem vai estar sempre comigo
E entendo que nunca posso chamar ninguém de amigo, antes
de passar por um momento ruim
Tudo aconteceu como as palavras dele queriam que acontecesse. Mas essa não era a real vontade de Daniel. Lá no fundo ele fora ingenuo de acreditar que Isabel iria lhe impedir... Mas ela não o fez, acatou a decisão dele, deixou que os sentimentos velhos e sem manutenção, caíssem como folhas amareladas e sem vidas ao fim do Outono, com o frio que dominou o coração de ambos.
Ela não soube dizer quanto tempo ficaram sem trocar uma palavra... Quanto tempo o frio os deixou hibernando, só percebeu que já se iam chegando a oitenta semanas que ela o conhecia, ou pelo menos que achava que conhecia. E como em todo inverno, ela teve saudade do calor do Verão... Desejou saborear uma nova Primavera, mas sabia que aquilo eram só ilusões tolas que seu coração costumava a pregar sempre que dormia.
-Eu mereço bem mais que 100% - ela anunciou quando ele pausou um monologo.
-É?
-É.
-Por que?
-Porque sim, oras - ela insistiu sorrindo.
-Acho bem dificil... Nem eu tenho 100% de mim mesmo - ele confessou com um sorriso triste.
-Justamente, por isso eu mereço! - ela sabia que não havia sentido no que falava e por isso lhe deu um sorriso confiante.
Ele a tomou pelos braços.
-E eu mereço você - ele disse envolvendo-a num abraço apertado que só ele sabia dar. Beijando-a de um jeito que só ele sabia beijar. Lhe tirando todo o frio, lhe enchendo de calor.
Aquelas lembranças traziam frio. Um frio que Daniel nunca esperou sentir. Ele que era o homem que não se arrependia, agora sentia aquela ferida latejar o tempo todo. Tinha que fazer alguma coisa...
-Eu preciso de você - ele confessou quando completava-se a 80ª semana que se conheciam - preciso do seu sorriso, preciso do seu olhar, preciso da sua vontade de sonhar...
-Hmm - ela respondeu friamente. Sabia que tinha que se controlar. Mais do que jamais fizera. Não queria nunca mais mergulhar naquela imensidão de incertezas que tendiam a lhe machucar tão profundamente. Pelo menos era isso que sua racionalidade lhe dizia: ela não queria.
-Eu sei que o que fiz foi muito errado.
-É.
-E sei que não tem perdão.
-Não, eu já lhe perdoei - pelo menos era isso o que Isabel dissera a si mesma.
-Eu acho que o que fiz contigo foi só um reflexo do que fiz a mim mesmo...
-Como assim?
-Bem... Quando eu era criança, eu prometi a mim mesmo que iria ser quem eu quisesse. Que iria viver o que sonhasse. E olha quem eu sou... Você já parou pra pensar que talvez você seja uma pessoa que seu 'eu-criança' teria aversão?
-Daniel...
-É sério... Sei lá, é como se eu não tivesse motivos pra viver mais... Como se eu tivesse falhado em tudo...
-Não diz isso.
-Só estou falando a verdade...
-Olha, tenho que ir - ela estava dizendo a verdade. Precisava dormir. Mas então porque sentia um nó na garganta tão apertado?
-Vai, vai... Desculpa por tudo, mais uma vez...
-Eu já te perdoei.
-Mas eu não me perdoei - aquilo lhe fez sentir uma certa satisfação. Mas aquela satisfação era tão fria. E isso a fez mal. Tinha que fazer algo... Mesmo que ele não merecesse.
-Olha, para com isso ok? Por favor... Você é muito melhor do que a maioria, você sabe disso... - do contrário, por que então ela tinha se deixado roubar por ele? - você me fez acreditar nisso...
-Eu te comprar um produto defeituoso.
-Pode até ter sido... Mas eu comprei. E amei. Lá no fundo, ainda amo. Então fica bem.
E ela fugiu. E ele ficou cheio de sensações estranhas. Sorriu, e se lamentou. Alegria e arrependimento. E ele resolveu escrever sobre os dois. Tudo iria voltar como deveria ser... Só que nunca voltou.
Daniel e Isabel continuaram a se falar, porém cada vez menos... Sem mais vontade. Eles se amavam, e se amariam até o fim da vida, pelo amor impossível que haviam encontrado naquele relacionamento estranho; pela tragédia, pela comédia, pelo amor, pela amizade... Mas eles nunca ficaram juntos, porque foram covardes.
Ela foi covarde em nunca admitir para si mesma o que realmente sentia por ele. Ele foi covarde em nunca deixar que aquilo que sentia fosse livre o bastante para se concretizar. E sinceramente, o amor não existe para covardes.
Às vezes, busco no silêncio das palavras expressar tudo aquilo que há em mim. Com o meu silêncio espero que entenda, e, caso não compreendas, nada mais posso lhe dizer.
No começo foi estranho, fiquei super mal.
Não entendia por que e como tudo havia acabado.
Me enfiei em um luto, só meu. Nada mais fazia sentido. Senti como se tivesse perdido tudo o que tinha. E que não haveria mais futuro.
Mais com o tempo percebi que me ganhei em te perder. Me redescobri, conheci coisas novas, amadureci.
Hoje não aposto meu futuro em mais ninguém, só vivo agora. Discerni que ninguém é seu tudo a não ser você mesmo.
Tudo é da terra
Nasceste pó
Perdeste uma costela
Pra não viver só
Pois nasceria ela
Assim tão bela
Crescera vivera e também morrera
Pois na arte do prazer
Pecou sem perceber
Plantara e colhera
o que dá terra dá
Pois dela se tira
Na certeza que um dia
Tu devolverá
Nasceste da terra
Mas ela te espera
Assim é a vida
Por mais que é bela
Um dia se encerra
Devolvendo tudo
O que tirou da terra.
Escrever talvez não seja o bastante para descrever e me libertar de tudo que se passa aqui dentro, mas pode ter certeza que me ajuda muito.
Por que nem tudo na vida é como a gente quer? A resposta para muitas perguntas só o tempo poderá nos dar.
O que pra você é banal, pra mim é anormal.
O que pra você não é nada, pra mim é tudo.
O que pra você é alegria, pra mim é sofrimento.
O que pra você é brincadeira, pra mim é sentimento.
Tudo o que sei aprendi com grandes mulheres. Meu único mérito foi o de ter aplicado o que aprendi com aquelas ‘pequenas’ que cruzaram minha vida.
Tudo na nossa vida se explica no decorrer dela mesma. Nossas conquistas, através de muito ou pouco esforço. Nossas derrotas, por descuido ou falta de competência. Nossas fraquezas, que nos deixam mais fortes. Nossas perdas, que nos fazem dar valor às coisas que nos cercam e se esvaíram só nos fazendo perceber quando já se foi. Nossa mania de heroísmo, que por vezes nos mostra o quanto impotente somos. E a vida vai passando, os dias vão nos engolindo como uma roda gigante devoradora e sem fim, os problemas que afligiam já não afligem mais, outros problemas surgem, soluções a gente vai descobrindo, e isso nunca dá descanso, nunca morre. Não morre porque não tem um ponto de partida ou chegada. Porque sempre temos uma desculpa por trás de cada feito. Procuramos problemas como quem procura algo inalcançável, sabendo que para alcançar basta querer. Como quem, fingindo ser inocente, apagasse a possibilidade de adquiri-los. Mas tudo nessa vida se explica conforme ela mesma vai te mostrando como não leva-la. Leve-a a sério ou não. Ela insinua que você se encontra em certas situações acreditando que foi ela que te colocou lá, quando foi você mesmo o causador de tal fato. Ela mostra que por mais que nos perguntemos, e nos esgoelemos por não saber o que fazer, por certas vezes, ela não vai facilitar nada apontando o seu erro e implorando que você não repita aquilo. Você vai quebrar a cara quantas vezes forem necessárias pra consertar isso e o mérito ser a sua válvula de escape. No final, você vai dizer: a vida me ensinou... Então ela vai rir de você por ser ingênuo mais uma vez. Em seguida, jogará nas suas costas coisas como amores mal resolvidos, saudades insuportáveis, trabalhos intermináveis, sonhos guardados, vitórias esquecidas, e quando tudo começar a fazer sentido e parar de incomodar, não vai passar de experiência. Ela também fará sua boca sorrir, seu olho chorar, seu coração partir e, algumas vezes, seus pés se cansarão de caminhar por não saber aonde quer chegar. Fazendo você notar que, em alguns momentos, ela te explica muita coisa, te mostra muita coisa e até insinua muita coisa também. Mas sempre vai surgir fazendo você acreditar que te ensina alguma coisa, quando no fundo, você aprende tudo sozinho.
