So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
O HOMEM DO POEMA
Sempre que escrevia, agoirava:
Não vale nada!
Que poesia mais chanfrada!...
Talvez namoro ou derriço,
Ou grito agudo de lamento
Daqueles que a alma vomita
Numa sensata heresia,
Enquanto lhe resta tempo?...
Mas quando o poema nascia
Na transpiração suarenta
Do corte da placenta
Do filho que foi dado à luz,
Entre coxas de sofridão,
Na mais completa escuridão
Onde só se via a cruz,
O homem chorava então,
Já não agoirava e dizia:
Eis a minha poesia
Tão modesta, tão pequena,
Saída da minha pena...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)
DE FACTO E NUNCA DE FATO
De facto sendo, assim é.
De fato nunca, por não gostar
De enfiar no corpo até,
Tamanho estorvo de apertar.
E me obrigar
Pela simples razão da força,
Ainda que o diabo torça,
Debaixo das axilas,
Rangendo as maxilas,
Estroncar a fatiota toda,
Ainda que me digam
Ou maldigam
Que não percebo da poda,
E não saber andar na moda.
Também não me interesse a roda
Do vestir nas estações,
Basta-me, para andar na moda,
Tapar bem os meus feijões.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever)
NÃO
Não fui eu que me inventei.
Nem projeto,
Nem desenho,
Apenas mais um da grei,
Pelo que sei,
Um ser de certo dialeto
E, já agora, convenho:
Simples, fiel, muito reto.
Fui na pobreza criado
E nunca algoz de ninguém
E muito menos bastardo,
Quer de pai ou de uma mãe.
Sou apenas o resultado
De um amor de vida a dois.
Com a minha voz se canta o fado,
Com a minha vara eu toco os bois.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-11-2023)
NATAL DA REVOLUÇÃO
Natal. Que revolução
Vai dentro de mim, agora:
Porque não veio o nevão
Da neve cinzenta de outrora?
Falo pelo país de mim,
Gente pobre e tão feliz,
De ser pobre e mesmo assim,
Numa esperança sem raiz.
Mesmo sem o tal nevão,
Do frio da nostalgia,
Eu prefiro ser chorão,
Que profeta da idolatria.
Haverá Natal de conceito
Sem aquela representação
Dum presépio tosco e feito,
Pela minha própria mão?
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-12-2023)
TALVEZ UM POEMA MEU DOS MAIS CURTOS
Para mim, não há ano novo
Civil, religioso ou profano,
Quando a fome ataca o povo
No pântano em que me movo,
Neste mundo demais insano.
Quem elaborou o plano
Das horas e do calendário
Que rege o mundo, afinal?
Dizem que foi um mortal
Quiçá um gregoriano,
Papa, de certeza com papa
Garantida todo o ano.
Vieram os contadores dos tempos
Em épocas bem mais remotas,
Babilónias, Egípcias e Chinesas
E para maiores certezas
Perguntem lá ao Hiparco,
O grego que não Aristarco,
Nas matemáticas catedrático,
Se há justiça no relógio
Que marca sem sortilégio
Eu ter de me levantar,
Às três e meia da matina
Há trinta anos volvidos,
Matadores dos meus sentidos
Feita já minha doutrina.
Pobre o povo que continua
Sem ver o sol nem a lua,
Em dias e noites sem nevoeiro.
Não há cesto sem cesteiro,
Um dia, irá ser o primeiro
Da revolta
Presa ou solta,
Do teu ano, por inteiro.
Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-12-2023)
RESISTÊNCIAS sei lá quantas já escrevi
Resisto,
Porque quero
E não por acaso mero,
Porque sou tão teimoso
Que até as pedras da rua
Quando me sentem mancando
Pelas dores negras e cruas
Que me vão martirizando,
E mostrando que nada valho,
Dizem em jeito jocoso:
- Que resistente bandalho!
Resisti,
A promessas de riquezas vãs,
Prometidas por gentalhas
Canalhas, com olhos de rãs;
Seres avaros, repugnantes
Com cartões de governantes,
Sei lá por graça de quem
Foi o santo que os pôs na cripta
De donos de tantas parvónias
Que mencioná-las irrita
E revolta até também
Algumas orquestras sinfónicas.
Continuo a resistir,
Ao meu relógio sem horas
Porque só me traz a desoras,
Sem saber que mal lhe fiz,
As notícias mais pandoras
Deste meu ledo País.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 17-11-2024)
ABRENÚNCIO Ó ALMAS PENADAS E OUTRAS PANADAS
Naquele tempo
De um tempo
Em que não havia tempo
Para pintar,
Eis que veio uma mão suja
Com bico de coruja
Das tintas dos tempos
E dos tormentos
Que dava só em pensar...
Teimosa mão pintou
Na tela do meu peito
Uma vereda de árvores negras
Onde copulavam pegas
A torto e sem direito
Num sentido único que ficou
A ser como que metamorfose
De um destino feito osmose
Mesmo sem água,
Só mágoa
Ao natural,
Nada de solvências de sal...
Ainda hoje eu mostro este peito
A quem queira ver a pintura
Que aquela mão suja e impura
Gravou para sempre sem jeito
Este quadro malfeito
De uma vereda de árvores negras
Onde copulavam pegas
A torto e sem direito.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Tão Triste Por Publicar, em 08-07-2025)
"O seu relacionamento com Deus não deve desprezar a caridade com o vizinho, que não deseja ouvir o seu hino no último volume".
Não há dúvida alguma que sempre fomos ridículos, mas eram poucos os que sabiam. Hoje, fazemos questão que todos os nossos seguidores saibam”.
Amor de peito
Porque me faz bem te fazer bem.
E saber que de mim provém,
É gratuito, não custa nada a ninguém...
Um amor que vai além,
E mesmo na dor, o sorriso se mantém...
Sentimento de gratidão ao meu Deus,
Que em sua perfeita criação,
Faz brotar do seio de uma mãe a fonte de vida...
E por te amar demais sou até capaz, de negar a mim
E servir a ti o que tenho de tão precioso...
Leite materno
Eu amamento
Ato de amor
Fonte de vida
Igualmente diferentes
Pois o tom da nossa pele não define quem somos;
Somos raça, somos cor;
Liberdade com amor.
Tenho força, tenho fé,
Sou guerreira, sou mulher.
Igualmente diferentes no agir e no pensar;
Tenho aquilo que completa o que no outro pode faltar.
Na verdade somos feitos como um quebra-cabeça, cada peça tem seu jeito, seu encaixe é perfeito e no fim tudo se ajeita.
É possível imaginar como seria vivenciar
Um mundo diferente, onde o que realmente importa é aquilo que se sente.
Como pode alguém dizer que é melhor que outro alguém?
Somos carne, somos sangue;
ser humano com defeitos
Todos temos o direito
De uma vida com respeito.
Somo todos iguais;
Somos todos diferentes;
Somos todos gente.
É que a mente tropeça, mas não sente,
ela é racional, às vezes radical.
Age e reage, ela é a tal.
Sempre em frente, firmemente
Não se deixa enganar.
Em tempo e fora de tempo,prontamente a analisar.
Ela é razão, deixa a emoção por conta do coração.
Ah, o coração!
Esse sim é sonhador.
Como o canto de um cantor, vive as notas de um amor.
Melodias, fantasias!
Nada tem, mas tudo cria.
Ele é choro, é alegria.
São opostos em busca do equilíbrio, mas será mesmo possível?
Razão controla a emoção,
Coração humaniza a razão.
Seguem juntos lado a lado, sempre bons aliados.
Em busca desse ciclo descompassado denominado VIDA.
Palavras não definem sentimentos! são apenas meras tentativas de expressá-los! que sempre acabam por causar algum efeito.
Não der total liberdade aos seus filhos, observe-os,os amem e cuide. A LIBERDADE em demasia não ajuda na formação da criança.
