So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
Existe um tipo de descanso que não vem do sono,
vem de permitir pensamentos inúteis,
daqueles que não rendem conclusão,
não viram lição,
não servem pra nada além de existir por alguns segundos.
Lembrar de uma música antiga sem saber por quê.
Reparar no jeito que a luz bate na parede.
Pensar numa cena que nunca aconteceu.
É aí que o corpo afrouxa e a cabeça desarma.
Porque nem tudo precisa de sentido imediato.
Algumas coisas só precisam passar.
Pensar também é brincar.
E quem não brinca com a própria mente
acaba sendo dominado por ela.
Às vezes, clareza não vem do esforço.
Vem do intervalo.
Eu a vi hoje.
Ela não me viu.
Eu também não senti nada.
Nenhum aperto.
Nenhuma pressa no peito.
Só reconheci.
E guardei.
Como quem salva um arquivo
que já não precisa abrir.
Desapego não é ausência de amor.
É a decisão de não se diminuir para mantê-lo.
Amadurecer emocionalmente é aceitar três coisas duras:
Nem todo sentimento vira reciprocidade.
Nem toda conexão vira permanência.
Nem todo valor é reconhecido por quem o recebe.
O erro comum é tentar “ensinar” o outro a perceber.
Mas percepção não se força. Ou a pessoa alcança, ou não.
Carol
Branca como a neve,
mas não fria...
Ela queima.
Ruiva de cachos indomáveis,
carrega o incêndio no próprio nome.
Onde passa, deixa rastro.
Brava como todo sagitariano que se preze,
não abaixa a cabeça,
não mastiga palavra,
não pede licença para existir.
Carol não é brisa.
É rajada.
É seta lançada sem aviso.
E quem tenta segurá-la
descobre rápido:
ela não nasceu para ser contida —
nasceu para atravessar.
Maria Eduarda
É Escorpião.
Não brinca de ser intensa... Ela é.
A mentira nela não passa impune,
é faísca em palha seca.
O olhar fecha, a boca cala,
e quem mentiu sente o peso do próprio erro
sem que ela precise levantar a voz.
Diva da ansiedade....
mente acelerada, coração em vigília.
Às vezes mal interpreta, reage antes,
mas quando decide quebrar tudo
não é descontrole ..
é estratégia.
Ela não explode à toa,
explode para encerrar.
Dona do silêncio.
E o silêncio dela não é ausência,
é cálculo.
É água funda.
É escorpião recolhendo o ferrão
até achar o ponto exato.
Age na calma.
Mas a calma dela é vulcão adormecido.
Terra que sustenta.
Fogo que consome.
Contradição viva ...
abraça e queima no mesmo gesto.
Ela sente demais.
Ama demais.
Odeia com a mesma medida.
Não sabe ser rasa.
Ou mergulha
ou atravessa.
Num segundo está em guerra,
no outro já decidiu o destino.
Porque Escorpião não hesita quando entende.
Ela observa, registra, aprende....
e quando resolve,
resolve inteiro.
Maria Eduarda não ameaça.
Ela cumpre.
Não fala o que fará...
faz.
É tempestade com propósito.
É lealdade feroz.
É intensidade que assusta quem vive pela metade.
E quem a chama de exagero
nunca teve coragem
de encarar a própria verdade.
Eu me procurei nos lugares errados.
Nas pessoas.
Nos olhares que não ficaram.
Nas promessas que não sobreviveram.
E no fim…
eu estava no único lugar onde nunca pensei em olhar:
Dentro de mim.
Me reencontrar não foi bonito.
Não teve trilha sonora.
Teve silêncio.
Teve vergonha do que aceitei.
Teve culpa pelo que calei.
Mas também teve uma verdade crua:
eu nunca estive perdida.
Eu só estava longe de mim.
Fazer as pazes comigo não foi me perdoar por tudo.
Foi entender por que eu fiz.
Foi abraçar a mulher que aguentou o que eu hoje não aceito mais.
Reencontro não é voltar a ser quem eu era.
É finalmente ser quem eu sou.
