So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
Amor verdadeiro
Tão forte é esse amor
Tão forte como o ferro
Que tudo quebra e esmiúça
Doce é o que me faz sentir e,
Agradável a sua satisfação
Quero sempre te amar
Porque isto me serve de motivação
Crio, interiorizo e materializo
Tudo a partir do coração
Difícil é assemelhar o que sinto
Porque sinonimo nenhum serve para tal
Esse amor é especial
Não inveja, não trata mal
Não se vende
Até pode enfraquecer
Mas no fim tudo suporta.
As vezes
Sinto-me inerte
Nos meus agitados movimentos
Vagueio na imaginação
Perco-me sem me ter encontrado
Penso na desgraça que sou
E lamento por ter sido obediente
No dia e momento que,
Aceitei viver na vida
Arrependo-me por nada
Sim. Nada.
Nada por vezes também sou
Mas quando não sou
Também não penso em nada
Vezes e vezes
Busco alento
No grande vazio do meu ser
Mas quando percebo que sofro
Apenas digo: as vezes!
Porque as vezes nem, é sempre
O que significa que tudo passa
E se hoje sou infeliz
Espero no “As vezes” do amanhã.
Mais reflexões
No farfalhar das folhas dos tempos
E no canto dos pássaros aos ventos
Sinto a enfadonha música da vida
Marrabentando numa melodia dançante
Acusticamente mergulho na batida
E me desligo desta vida stressante
Quem sou eu quando sou eu
Morri quando nasci do pai meu
Não escolhi ser maluco e poeta
Tudo é fruto dos dias bons e maus
E da pressão que nem o morto aguenta
Pois viver é um autêntico caos
Muitos dizem: se eu pudesse escolher
Pois não sabem: viver, não viver, tudo é morrer
Esse é o lado bom da vida descansar
Não ser quando o deveria
Ficar inerte no excitante movimento do dançar
Desviver tristemente na própria alegria
Viver é isto viver é aquilo
A questão não é não querer dificuldades
Porque sem elas não seriámos o que somos
Essas são as adversas realidades
Quer queiramos, queiramos não. Tristonhos vamos.
Vítima da vida
Com muitos, vivo
Ainda assim
Sozinho me sinto
Vítima da vida
Vivo inalando a paz nociva
Que é o silêncio dos dias em que estou só
Não sei se é dor
Não sei se é amor
Mas algo sinto
E não me deixa viver
Viver significa existir
Estar em conexão com os sonhos
Não só viver de sonhos
Tal e como sempre fui
Sonhador de primeira
Perdido na podridão do destino
Vagando no deserto dos meus desejos
E desejando não mais ser…
Vítima da vida!
Coisas do coração
Quando a mente deseja
Até o corpo sente
Quando o coração ama
Nem uma palavra falsa mente.
Voar sem voar
É dar asas ao pensamento
Ir longe, mas sem sair do lugar
É ser pássaro por um momento
Voar! Sem terra para alcançar
Voar sem voar
É aceitar que eu posso lá chegar
Caminhado pelas ruas do meu querer
Ruas sem transito nem polícia a controlar
Voar sem voar é o que estou a fazer
Há um voo em cada verão ou inverno
E quem disser que pode voar para sempre
É porque assemelha o paraíso ao inferno
Só podemos voar no momento exacto
Porque uma vida sem voo é um abstracto
Voar sem voar é amar sem amar
Porque quem ama sem amar ainda pode sonhar.
Meu primeiro amor
Com o …
Por entre as pétalas das suas “mathangas”
Aprendi como é que,
Se desenha um filho
Sem noção de arquitectura
Penetrei-te amorosamente
Como o camponês
Desvirgina a terra
Na esperança de um dia
Lhe proporcionar uma bela colheita
Quando gritei Nhandayeyoôô…
Quando invoquei aos meus antepassados
Era o nosso filho estalando-se no seu óvulo,
Fecundante.
Era o leite que, amanhã, fará com que,
Os que hoje te chamam de “Nguavana”
Te chamem mulher
Contigo aprendi que,
Na vida nada mais doce pode existir
Senão essa fonte de prazer
Que as sexopatas vendem até em “Dumbanegues” .
Coitado de mim
Sempre fui amado
Mas nunca subi retribuir
Vagabundo incorrigível
E causador do sofrimento alheio
Eu sou bicho, me assumo sem receio
Quantas vezes me quiseram amar
E eu fingi que já amava sem razão
Magoando inocentes sentimentos
Acabando com sonhos do coração
Se eu pudesse ser outra pessoa
Invento sorrisos para enganar, e consigo
Vivo inventado cores sem sentido
Um dia irei pagar. Coitado de mim
Não estou a saber viver a própria vida
Sou ironia de mim mesmo, é!
Enquanto eu semear esta semente
Ela não vai parar de crescer
E quanto menos tardar, irei colher
Porém, amargos serão os seus frutos
Como mudar?! Coitado de mim.
Imaginação
Quando o sabão acariciava,
O seu corpo apoiado na palma da mão
E eu em pensamentos te via
Suava e o desejo me molhava o rosto
Me sentia inútil por nada poder fazer
Mas a esperança adormecida despertava
E eu desacreditado acreditava em mim
E não via a hora nem o dia de possui-la.
O destino é sempre justo
Na hora oportuna
Sabe sempre juntar;
Lábios,
Gémeos nascidos um para o outro
Assim aconteceu
Quando naquela noite, eu laguna
Associado num beijo ruidoso de prazer
Assinando o contrato do meu amor por você
A combinação biológica e química
Se deu para nunca mais chamar outra mulher
De meu amor senão você meu amor.
Mulheres montagem
Enquanto umas
Preferem trabalhar deitadas
E descansar em pé
Umas outras
Gastam o suor do sangue velho dos pais
Na compra de beleza em “Dumbanengues”
Compram cabelos
Cujos verdadeiros donos
Vão apodrecendo em sarcófagos
Compram unhas
E agem como onças
Nas noites em que vendem e não são pagas
Vestem-se erudita e artisticamente
Mas nem se quer
Nas suas próprias línguas
Me podem definir “Arte”
Elas montam-se de princesas
Para ludibriar coitadinhos
Que roubam o salário mísero
Que a adúltera da vida
Vomita em cada final do mês
Como ganho dos pobres pretos dos pais.
Admiração
Se com palavras
Eu pudesse dizer o que sinto
Ou em prosa ou em verso
A tal prosa ou os tais versos
Nada mais seriam
Senão o mais belo que no mundo há.
Marília
Marília,
Sempre acreditei
Que te teria um dia
Para realizar o que sempre sonhei
Vê-la de perto
Tão linda e tão clara
Agora estou certo
Que a tua beleza é rara.
Até à morte
De todas as dores que
No inferno da vida contraí
Nenhuma pôde ser tão forte
Como a que a tua morte me causou
Com os olhos vejo nada
Pois a minha satisfação
Consistia na tua existência
Estou morto na vida
E muito ansioso para morrer
Definitivamente.
Eu sei que assiste o meu pranto
E não vês a hora da minha chegada
Mas eu quero que saibas;
Enquanto eu não morrer
Sempre rogarei a Deus
Que me tire a vida
Para na morte contigo viver
Continue morta
Pois, não tardar
A dor da tua perda
Também irá me matar.
Miséria dourada
Tal maravilhoso e meigo bom dia
Sai misturado com o brilho de ouro
Mas é tudo fruto da putaminosa estadia
Na famosa e frequentada casa do matadouro
Dantes o pim pim pedia que saísse da estrada
Mas esse de hoje é para o dono ser visto
O volante lhe fica, mas a lata foi emprestada
É talento que possuem os que vivem nisto
Sempre atrás da mulher do vizinho
Quer provar ser macho onde nem fêmea é
Ele te dá para chupar e faz com carinho
E sempre vais chupar porque és bebé
Calças, sapatos e cabelos sempre novos
Se formos a ver a saúde está despida
A vossa vaidade é sensível que 2 ovos
Já são horas, divorciem-se desta desvida.
Sentimentos que sinto
A tinta vai peando
E a folha servindo de chão
A mente vai exprimindo
Belos sentimentos do coração
Floresço-me em cada verso
E desconheço-me no mesmo
E já não é em terceto disperso
Que a quadra me vê com sarcasmo
Sou artista de mim próprio
Sinto poesia circulando na veia
Assim como alguém se embriaga com ópio
Poesia e mais poesia, sempre a mesma ideia
Alegro me quando me exprimo
São sentimentos que eu sinto
É por isso que o que sinto é esquisito.
Reflexões da mente
Tanto esforcei a mente
E na efervescência dos miolos
Rapidamente conclui, infelizmente;
Na minha cabeça mais do que piolhos
Tem o que atemoriza muita gente
Tenho muito tempo para pensar
Acredito esta ser a maior riqueza do pobre
Tempo, suficientemente, para lastimar
Mas o que eu concluo é simples e nobre
Embora tão difícil num poema se revelar
Trago nesta meia dúzia de versos
Um segredo, a chave para se ser feliz
Embora já tenha vários escritos dispersos
É neste que revelo o que se sabe e não se diz
Eu e todos, infelizes, pela vaidade submersos.
Estrela minha
Nunca te elogiei
Mas sempre reconheci tua beleza
És linda, incomparavelmente, com certeza
É por isso que sempre te amei
Aprecio te ver sem extensões
Não que tenha algo contra elas
É que de cabelos com as sobrancelhas
Só de te olhar se me alegram emoções
És a melhor flor do meu imaginário jardim
Adora mais que tudo em ti, pois é lindo
Ainda que um dia esqueça-me a mim
Pensar sempre em ti é bem-vindo
Nada me alegra longe de ti
Porque a tua presença me motiva
Do que me magoaste esqueci
Por ti só sinto amor, minha diva.
O Nosso amor já era
Ontem foste a preferida
Amava-te mais do que a própria vida
Igualmente me amaste também
Só que o tempo foi passando
E conheceste outro alguém
Desde então vivi corneado
Tentei avivar o nosso amor
Mas em troca me causavas dissabor
Sonhei acordado e desacordei
Não soube explicar-me o sucedido
Muito menos entender onde errei
Vi o amor desgastado e desiludido
Hoje sou eu quem não te quer
Não por vingança, nem se eu puder
Magoaste-me quando te superiorizaste
Como quem traz o mundo às costas
Sem medir esforços te mostraste
Não quero saber se de mim ainda gostas
Saia dos caminhos que um dia nos uniram
E devolva-me o amor que as flores pariram
Para que não mais de mim sintas falta
Para que não mais me lembre de ti um dia
E com meu novo amor tenha vida grata
Pois contigo já era, se é que não sabia.
Mistura dos tempos
Chorei rios de saudades e nostalgia
Pois despertaste a infância em mim
Voltei a ser criança, lembrei o que não devia
Ó vida nefasta! Porque me maltratas assim
Porque não me deixas viver o presente
Tão sem graça como sempre foi
Me recordas o passado mísero e indigente
Sem ao menos dizer; passado, oi!
Não me mistures as minhas tristezas
É suficiente o fardo que diariamente levo
Lhe afirmo isso e mais, com todas certezas
Conheço a paz mas somente a observo
Agora vida, basta de lamúrias
Não sei qual é a sua real intenção
Se é me treinar para viver nas luxúrias
Ou eternamente me magoares o coração.
