So Farao com Voce aquilo que Voce Permitir

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A maior liberdade científica talvez seja perguntar se aquilo que todos consideram verdadeiro possui evidências suficientes; a maior liberdade agnóstica é admitir quando a resposta ainda não pode ser conhecida.

A humildade epistemológica aproxima ciência e Direito: ambos precisam distinguir aquilo que conhecem daquilo que inferem. O agnosticismo radicaliza essa prudência diante do transcendente.

O Direito protege a liberdade de ensinar religião, enquanto a ciência exige que aquilo que se apresenta como ciência responda ao teste da evidência.

O Direito responsabiliza o ato, mas a consciência interroga aquilo que aconteceu antes dele.

Recordar é convocar ao presente aquilo que a cronologia condenou à distância.

Amar é conceder ao outro o raro privilégio de testemunhar aquilo que escondemos de nós mesmos.

Amar alguém é aprender a escutar aquilo que a linguagem ainda não conseguiu dizer.

O tempo é o escultor absoluto: retira de nós aquilo que julgávamos ser e revela aquilo que conseguimos permanecer.

O tempo passa depressa demais. Às vezes, é preciso parar e olhar ao redor para não perder aquilo que o tempo leva consigo.

Como deve o Estado constitucional tratar aquilo que a ciência não pode provar, a religião afirma pela fé e o Direito não pode transformar em verdade oficial?

Entre o que desejamos que seja verdadeiro e aquilo que podemos legitimamente afirmar como verdadeiro existe o território da dúvida; é nesse território, precisamente, que a razão aprende sua humildade e a liberdade encontra sua forma mais alta.

Chamamos de certeza aquilo que o hábito repetiu tantas vezes que nossa dúvida perdeu a coragem de interrompê-lo.

Entre aquilo que percebemos e aquilo que acreditamos existir há uma distância que nenhuma linguagem consegue abolir.

Quando o amor necessita de garantias para permanecer, talvez já esteja procurando na lei aquilo que deixou de encontrar no desejo.

Nenhuma aliança é suficientemente sólida para vincular aquilo que pertence à região indomável da vontade humana.

O agnóstico não fecha a porta para o transcendente; apenas se recusa a declarar conhecido aquilo que a razão ainda não conseguiu atravessar.

Às vezes, parar de procurar é justamente o que permite que aquilo que importa finalmente nos encontre.

Quem não examina a origem dos próprios valores pode passar a vida defendendo como verdade aquilo que recebeu apenas como herança.

A dúvida não é inimiga da inteligência; é o espaço respirável entre aquilo que pensamos e aquilo que podemos demonstrar.

Tudo aquilo que nasce carrega, secretamente, a sentença de sua dissolução.