So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
O mundo é uma peça de teatro que se repete todo o tempo. O mundo quer a sua repetição. Só quando percebemos a nossa contínua reprise é que podemos nos modificar, e, assim, modificar o Universo.
Agora
As pessoas vivem muito, embora só existam por um dia. Assim pensava eu, na poltrona, tentando descrever as sensações da tarde. Os ruídos da rebelião e do caos soavam lá fora e eu percebi que o ódio e a visão pessimista, que eram minhas, haviam se espalhado pelo mundo. Eu tinha medo pelo meu temperamento e aonde ele iria me levar, certamente longe daqui.
Temos apego à inércia e tememos o desconhecido. Quando a chuva fria chegou para acalmar os ânimos, parecia que Deus tinha se arrependido e procurava reverter a situação em que todos tinham perdido as estribeiras. Gritos, urros dos policiais contra a falta de dinheiro, o mundo havia deixado de ser familiar. Sentado aqui, eu examinava o funcionamento da vida. Parece que, a cada dia nascemos ao despertar e, no final, com o sono, morremos, para renascer no outro dia. Só que, ao nascer já éramos outros, melhorados. É uma bela ideia, mas, se formos humildes temos consciência da nossa ignorância. O que sabemos é que pela manhã acordamos com impressões vagas, fragmentos de sonhos, com um humor inexplicável que se manteve até agora. Temos muitos preconceitos para entender isso, e o preconceito errado: o de que eu posso antecipar e prever o que acontecerá até o fim do dia. Se nos basearmos em tudo o que sabemos, o que é muito, mas inútil, a vida começa pela manhã, transcorre pelo dia e termina quando dormimos. Isso é tudo. Mas, o que podemos saber, ao admitirmos a nossa completa ignorância? O que haverá daqui a um instante se a vida cabe num suspiro, como a gota que desgasta o rochedo?
Embora eu seja senhor da minha vida, há alguém que está mais longe, que já chegou aonde eu só desconfio. Seguindo por esse caminho do desconhecimento, nem sei se chegarei há algum lugar, só vendo.
A realidade é uma ideia, nós a compreendemos ao senti-la. As palavras só podem definir, quando tudo é o infinito. A Verdade é a imaginação, pois além de nós está Deus e o que vemos é o que nós somos. Nunca a visão será suficiente para contentar a nossa sede de saber.
A inveja é positiva: é reconhecer algo de bom no outro. Já o ciúme é negativo: querer algo só pra mim.
Quando o mal inveja o bem, há o amor.
Iluminação
Sentado à mesa, ouvindo o som da tabla e da cítara, derramo o azeite de oliva sobre as lentilhas e o arroz e me veio a intensa sensação do mundo perfeito, em que a imperfeição era perfeita. A dor dos seres, a irritação que eu sentia, a morte das horas, tinham o seu lugar. Isso surgiu como uma libertação, e, mesmo intranquilo, eu doravante me sentiria tranquilo e a luz do sol brilharia à noite. Assim, o cansado sonhador pode dormir.
Você pode ensinar tudo a alguém, exceto a compreender a sua dor. Essa aula, só o sofrimento é capaz de ensinar.
Para o invejoso que só tem uma perna, quem tem duas é playboy; quem rasteja debocha de quem caminha, chamando de privilegiado.
Ser Designer é: Dominar a arte de criar o que só existe na mente, de quem ainda nem sabe o que quer.
Seja competente, é só isso!
Façamos as coisas com propósitos, sejamos autênticos, originais. Não conheço ninguém que tenha se dado mal por ser assim.
Tem um custo eu sei, mas dormir tranquilo é a melhor paga!
Sobre o dinheiro, seja competente, dê seu melhor (por você) e saiba que é consequência.
Se o homem não te compensar, Deus te recompensa!
Não perca tempo, com trabalho inútil, relacionamentos fracassados, conversas imbecis e gente tóxica.
Seja competente!
Seja comprometido, em ser feliz, em fazer feliz!
Agora tudo é só
lembranças.
Momentos bons,ruins
São lembrados da mesma forma?
Aquele sorriso no canto da boca
Ao lembrar
Dos namoricos, das brigas
Das pessoas
Que foram embora e que já não
Estão como eram em nossas
Memórias
As coisas parecem distantes e
Ao mesmo tempo são rememoradas
Como se estivessem acontecendo neste
Mesmo instante.
Como aconteceu? Será que lembramos
O bastante?
Desde quando o mundo é assim?
Será que estou velho
Ou é ele que desde sempre é ruim?
Os amigos, nem lembro como
Os conheci
Desde quando eles sabem tanto
Sobre mim?
E as perguntas que tínhamos
Já encontramos as respostas?
Tudo já foi vivido e
São apenas memorias, mas
E quando estamos lá, vivendo
Por quê não nos disseram que
Seria apenas aquele momento?
Por quê tínhamos a impressão
Que éramos imbatíveis para o
Tempo?
O Vermelho da Mente e a Simulação do Tempo
por Celso Roberto Nadilo
O vermelho só é vermelho porque a natureza assim determina — ele habita dentro da nossa mente. Somos construídos pela memória de cores, sons e cheiros. Em uma onda transdimensional, vemos colidir os conceitos da filosofia e da física.
Ao obliterarmos as cores assimiladas, deparamos-nos com o niilismo das almas aniquiladas; falanges momentâneas de objeções e questões que dão partido a novas crônicas. A cada renovação, concedemos livre-arbítrio às informações extraídas das profundezas do nosso ser. Seres animados obliteram o próprio paradoxo existencial, relutando em aceitar que o tempo é apenas a distorção de cores primordiais dentro do nosso cérebro.
O tik-tok constante parece um mantra diante do qual deformamos as premissas da realidade. Observando o tempo transitar pelo espaço, tomamos esse fluxo como nosso — o próprio epígrafe da humanidade. É um voo consciente de energia em movimento, até que a inércia se torne a desenvoltura do tempo que já passou, cumprindo o percurso de uma vida programada até o seu epílogo. Mesmo assim, continuamos a deduzir a morte como um estado no qual abraçamos as estrelas ou contemplamos um mundo sobrenatural. O tempo transformou em memórias eternas os resquícios de uma existência que, tantas vezes, foi apenas pó voltando ao pó da escuridão.
Vemos o verde em uma sintonia de fantasia: enquanto os fantasmas deslizam pelos arcos do destino, enxergamos o verde das florestas, o verde-abacate, o verde do burro que foge. Então, recebemos a visita do branco — a pureza de uma noiva ou o branco cego da raiva, que por viver no sujo logo desbota. Torna-se amarelo, quase o marrom do barro onde o cão vira-lata pula e marca suas patas. As chamas da vivência transformam-se na evidência oca de uma natureza devastada. O verde volta a ser o mesmo pó de que somos feitos.
Essa dinâmica eleva o formato da consciência. Mesmo na alienação intelectual, nos tornamos rebeldes sem resiliência, pois o bot humano é um enigma. Dentro das sensações, negociamos nossas escolhas. Para uma startup, o cenário mundial se deforma ao passar das horas; as metáforas do capitalismo atrelam-se novamente aos conceitos de liberdade e igualdade. Acreditamos ser grandes e melhores porque carregamos o vento e o glamour de ser críticos — de ostentar uma identidade diante dos algoritmos. Vemos a projeção de códigos alinhados ao tempo e ao espaço. Das cores primárias fazemos o partido do pensamento, tornado fluxo abrangente da nossa era.
Os conceitos espaciais básicos tornaram-se meros modelos da indiferença social. Olhamos para o lançamento de um foguete e vibramos quando ele pousa; com outros olhos, vejo apenas ostentação e ganância desmedida. Ao mesmo tempo, enxergo a verdade da exploração espacial: evoluímos ou abraçamos as asas da eternidade diante de inovações científicas. Mas o que realmente muda em nossas mentes? Apenas um intervalo para distrair o espírito antes de retornar ao trabalho duro. A vida revela-se uma série de absurdos embalados por ironias.
De repente, percebo a composição da alienação: a assimilação da simulação é apenas a equivalência do espírito humano. O mundo pode ser cinza, mas na variação temporal enxergamos realidades paralelas. Vemos projeções em código nas elipses da continuidade enquanto devoramos a nós mesmos. Nós, vassalos do tempo, resgatamos a virtude da esperança através do livre-arbítrio, mesmo imersos na alienação.
E ela floresce no exato e irônico momento em que sonhamos acordados — quando a mente acolhe a escuridão das lembranças e o silêncio cruel diante das lágrimas da alma.
Somos vampiros da nossa consciência...
Nada criamos só replicamos.
Mais profundo do sentido as máquinas pensam...!
Sou alma pedida em teus lábios,
O vasto sentimento que vangloria...
Sobre olhares dos deuses sois minha alma...
Tão vivida, tão clara nas planices de minha alma...
O último suspiro é simplicidade o abraço da eternidade...
Calida alma rebelde floresce.
Sempre haverá um pássaro que voa.
No relento de nossas vidas
Somos a madrugada serena...
No céu tudo tem a liberdade...
E percebemos que a terra ainda azul água do mar parece verde,
Ventos uivando palavras jogadas na imensidão...
Relatos de um amor perfeito e iluminado por toda vida da terra...
Então a chuva aparece com lágrimas de uma paixão surge em labaredas de fogo no trovão. Um grito que silencia nossos olhos mortos pelo ardor do luar.
