Sinto falta do meu Passado
O beijo que não te dei...
Por mais que tente
Emudecer o meu trovar,
O meu brado só sente
Vontade de te beijar!
Porque me apaixonei
Pelo que vou roubar:
O beijo que não dei.
Ah, mas vou dar!...
Ovelha branca...
Ovelha que pastas a meu lado…
Estou grato pelos encontrões, pelas pisadas e safanões que me destes…
Vêm de negras ovelhas
Ou de lobos traiçoeiros, disfarçados de carneiros e armados com tesouras!
Tesouras que cortam e ensinam...
São as melhores professoras, as facas e tesouras!
Cortam lã e agasalho, mas dão calo e sabedoria pra tosquiar o que escurece:
As cinzentas ou negras, as que não dão leite ao pastor nem aconchego à ovelha do lado…
E aprendi...
A dar leite como o pastor ensinou e fugir da faca que o lobo espetou...
Sou ovelha com lã de aço, cascos refinados, lábios mais calados…
Quero pastar em campos de altos muros,
Onde lobos ficam de fora, tesouras não cortam e facas não espetam...
Sou ovelha solitária…
Sangro onde as bandarilhas dos lobos toureiros espetaram...
Mas não morri, renasci...
Esperando pela ovelha branca
Para lhe apontar o melhor pasto…
Até este acabar...
O meu amor é verde!
Uma bela flor em negro vaso...
É em todas as cores ver só uma;
É ser salvo, por quem nos afunda;
É o tanto, que sabe a tão pouco;
É o demónio em paz e o anjo louco;
É a angustia em protesto;
É o doce ser amargo e indegesto;
É o perto que fica demorado;
É ser maquinista desgovernado;
É o riso tremido;
É gritar sem ser ouvido;
É não ter asas e voar;
É ver mas também é cegar;
É ficar tolo e ajoelhado,
Não saber o que é certo ou errado;
É o coração que fica refém
Da rosa que vai e do beijo que vem;
É por vontade ser acorrentado;
É ser verde e aprisionado
Ao universo que quer juntar,
Até quem já tinha deixado...
De acreditar!
Nesta calçada da prosa aqui digo,
Sentindo frio, sede e dor constante,
Que verde é o meu castigo...
E é por tudo isto que doravante,
No meu universo profano,
O meu amor é marciano...
Talvez verde e com antenas...
... como eu...
Pobre passarinho
Vem devagar, de mansinho,
Em doces pezinhos de lã.
Sorrindo sobre o meu ninho,
Traz-me no bico o passarinho
Uma linda romã!
Com tal engodo, a avezinha
Fustiga-me sem piedade,
E deixo a minha casinha
À sua nova rainha
Por minha ingenuidade!
Da rosa não vi o espinho,
Nem romã, nem maldade,
E no entanto o pobrezinho
Não sou eu, é o passarinho
Que não tem dignidade!
O meu jardim
Borboleta,
que em tão negro jardim queres entrar,
que me queres trazer flores ou espinhos,
não tragas
e não entres...
Fica à porta, espreita o que está à tua frente.
Consegues ver, porque lá dentro estão velas.
As acesas, rezam por amores acabados,
as apagadas, por calvários que nunca foram amores.
Diante dos teus olhos
estão mármores frios e negros.
Se reparares com atenção,
em cima desses mármores, estão fotografias.
São fotografias de pessoas,
a quem aos meus filhos direi, que eram amigos,
porque foi com eles
que passei os melhores anos da minha vida.
À tua direita, a terra é estéril.
As flores que vês, vestidas de negro, não são flores!
São de pedra.
Ali jazem fracassos
em forma de mágoas, mentiras, traições e abandonos.
À esquerda, ervas daninhas.
Coroas de flores, por tudo o que foi em vão,
por sorrisos e lágrimas, alegrias e tristezas,
noites inesquecíveis, noites de espera agoniante,
cartas e fotografias que se queimaram,
ouro que se vendeu, bens que se perderam,
recomeços extasiantes, tropeços estúpidos
e sonhos que não se tornaram realidade.
Ao fundo, está um pedaço de terra.
Só tem uma linda flor.
Só tenho essa.
É para a trocar pelo resto da minha vida,
por companheirismo, amor e amizade,
tudo junto!
Por tudo isto, borboleta,
se vieres só de passagem,
não abras a porta do meu jardim!
Mas se vieres para ficar,
se estrelas e constelações quiseres enfrentar,
se tratares o meu jardim como eu tratarei o teu,
entra, porque estive a vida inteira à tua espera!
Do Mundo Que Me Pertenço
Tudo do mundo é meu, mas, nada do que é dele me pertence,
Nem nada no que nele não tem, de nada me falta ou me convém.
...De tudo que do mundo nunca me faltou,
De tudo que eu tenho, difunde-se em quem eu definitivamente sou.
Juazeiro da Bahia, Canto Do Meu Encanto
Tamoquins, tamoqueus e cariris.
Primeiros povos à tua terra fecundar
Juazeiro... Juazeiro... Juazeiro !
Tropeiros por muito ali passar
No descanso à sombra da tua copa
Fizeram deste lugar motivo para ali ficar...
Juazeiro... Juazeiro... Juazeiro !
Já foi vila... Foi vilarejo
Quando se deu um dia por se emancipar
A cidade se fez em teu nome para com o tempo prosperar
Juazeiro... Juazeiro... Juazeiro !
Terra abençoada pelas águas do Rio São Francisco
Tua fonte de vida: Tua sede, tua comida...
Juazeiro... Juazeiro... Juazeiro !
Na música da tua poesia
Na arte da tua cultura
Na história da tua memória !
No teu povo a tua alegria !
Juazeiro... Juazeiro... Juazeiro !
Juazeiro, canto do meu encanto...
Esse é o meu lugar !
No Lamento Da Sua Partida... Recolho-me Nas Lembranças Que Agasalham A Minha Saudade
Meu amor... Por que você partiu assim tão inesperadamente? A tempo de fazer-se ausente por todo meu presente... Queria tanto te contar alguns segredos de nós dois, segredos de um tempo que ainda tínhamos para viver. Em tudo que eu vivo, ainda sinto teu cheiro a me perfumar, as tuas mãos em sincronia a me contemplar, as tuas formas em movimento com amor a me trajar, sentidos a me envolver em carinhos e afagos que sempre estarão guardados na plenitude da imaginação...
Independente de onde e quando com você eu puder estar, tão longe estarei de esquecer o mais perto o quanto um dia nós dois juntos podemos ficar, sempre juntos vivos em fotos não tiradas de momentos que no futuro emoldurei, em dizeres expressados que nunca um dia te falei, em beijos e abraços imaginados que eu nunca te dei, em lembranças a descolorissem-se no soluço que me traz o vazio no qual por vida mergulhei.
Meu amor, por que você partiu assim tão inesperadamente? Foi tudo assim tão de repente que tudo aconteceu, ficou tudo tão diferente depois que você se foi... Queria mais tempo com você do que foi um dia poder estar... Hoje, o que me resta é a companhia da tua falta por muito no tecer da vida me acompanhar...
O meu coração está doido,daquele amor que parecia ser verdadeiro mas foi só fogo de palha e deixou me toda dolorida e machucada como o bagaço de cana de açúcar quando é moída!
Vai procurar meu sorriso o meu rosto entre a multidão e não o encontrará,saiba que ele se foi para não ver o seu
Meu coração muitas vezes rir quando me diz de seus sentimentos,pode ser que não goste de minha reação,mas sabe todos temos medo das desilusões e assim rio muitas vezes não querendo acreditar pra não sofrer mas tarde.
Aqui no meu quarto,aguardando o sono chegar,sei que você existe,nāo sei o teu nome,não sei onde se encontra e nem se pensas em mim,mas eu agora penso em ti,saudade de você só não compreendo por que.Beijos!!!
Não é o corpo tampouco a objetiva,
na verdade são meus olhos, meu dedo e
meu sentimento que registram tudo.
SOL DE GRATIDÃO SENTIDA
Peço licença aos amores, licença aos bons escritores.
O meu peito em puro amor agradece em versos ao mestre.
Gratidão pela inspiração; pela sublime decisão...
Um filho que então é gerado é um Sol a ser cultivado.
Grato ao jardineiro maior, palavras não irão definir.
Amei, cantei e escrevi, mas nada igual jamais senti.
Olhava a estrela crescendo, no ventre da tal escolhida.
Presente maior; minha vida, e uma vida se refazendo.
Encanto; um fruto chegando, quem sabe um elo maior.
Glórias, glórias meu Senhor; é um menino chorando.
E logo o vejo a sorrir e o riso em mim fez morada.
Agora a minha jornada tem nova razão de existir.
Amada minha amada, prenda por Deus escolhida.
Vida longa, vida a vida e a luz que se faz na estrada.
Verde o peito em brilho e festa celebra o rebento nos braços.
Abraços, mil beijos e afagos em tons de cores modestas.
Quisera eu dividir a seiva suave sentida.
Em chuva de paz vejo a alma, de fé a aura é vestida.
Pai; palavra que ecoa aos céus voando em canção.
A ave é a mente do artista repousando em oração.
Poema- Meu lar , meu mundo
Fui convidado para conhecer a terra do reggae, e então chorei ao ver a dura realidade, onde Gonçalves Dias sonhou com a liberdade, mas a tristeza se esconde em cada esquina o que dirá da minha princesa do sertão, onde nasci, hoje perdida em solidão. Sem autoridades que tragam amor, só sofrimento, um grito sem valor. crianças indo para as escolas em pau de arara, outras indo a pé, pegando poeira na estrada. Por que tanto sofrimento? A vida tão cara, flores que brotam em solo de dor e jornada. As casas de palha, as paredes de barro, reflexo de uma vida em meio ao desamparo. Na terra do bumba meu boi, onde o ritmo ecoa, mas a dor da miséria é que verdadeiramente ressoa. Caminhando com olhares que falam de dor, escolas em ruínas, sem amor nem valor. Futuro incerto, sonhos esmagados, Um grito silencioso em corações cansados. Olhei para aquela criança com olhos de mar, “Estou com muita fome”, me disse em súplica. O coração apertado não soube como agir, um clamor que ecoa e nunca se explica. se o comunismo ou socialismo é bom, o Maranhão vai te dizer! Um voto por um Bolsa Família que abrace, que traga dignidade e esperança ao lar. Que cada criança tenha um futuro que enlace, e que a fome se torne apenas um lugar. Na terra do reggae e dos versos de amor, é preciso um canto por justiça e verdade. Que as vozes se unam na luta que entoa, por um Maranhão livre da dor e da saudade. Assim sigo em frente com o olhar mais atento, carrego essas histórias no peito aflito. Com amor como escudo e esperança como vento, que leve as sementes de um futuro bonito.
ADAILSON PEREIRA SALES
