Silêncio e o Tempo
Com o tempo, aprendi a ser quem sou. A respeitar o meu silêncio, o meu ritmo, a minha forma de existir. A solitude se tornou um território sagrado, onde ideias repousam e renascem. Vivi o suficiente para entender que não devo invadir o espaço de ninguém — e que, quando estou presente, é porque me tornei parte necessária daquele instante.
Talvez, o silêncio e o tempo é a resposta daquela pergunta difícil, que nunca se cala, no interior do coração daquela alma, que não cansa de procurar a certeza da dúvida que a tormenta.
Ah, como pudemos nos esquecer do momento em que vivemos? Quaresma, tempo de silêncio e reflexão, foram quarenta dias no deserto, lá Jesus foi tentado e afrontado, mas resistiu, pois estava em plena oração...
Não podemos considerar esta Quaresma como uma época a mais, citando a cíclica do tempo litúrgico como uma simples repetição.
Este momento é único; é uma ajuda divina que temos que aproveitar, refletir e orar, pois queremos a presença de Jesus nessa hora, o Cristo que espera de nós uma grande mudança, não somente externa, mas que seja de dentro para fora...
Não é um tempo comum, ainda mais diferenciado é o momento "do agora", pois a cada passo dado, reflete o que pensamos, o que sentimos e o que esperamos...
É tempo de oração, tempo de olhar para o alto com os joelhos firmes no chão!
Meu último poema:
Nas asas do tempo, um adeus se esvai,
No eco do silêncio, a saudade cai.
Palavras não ditas ficam a pairar,
No espaço entre nós, a emoção a vibrar.
No abraço apertado, sentimentos se entrelaçam,
E nas lágrimas contidas, os corações se abraçam.
É uma forte despedida, mas também um novo começo,
Um ciclo que se encerra, mas deixa seu apreço.
A estrada se estende, rumos diferentes a trilhar,
Mas o que foi vivido sempre irá perdurar.
No peito a saudade, no olhar a lembrança,
Uma despedida marcante, que o tempo não cansa.
Que o vento leve os suspiros da separação,
E traga de volta a doce sensação.
Que mesmo no adeus haja um brilho de esperança,
Pois a vida é feita de despedidas e bonanças.
Assim, seguimos adiante.
Uma história escrita com carinho e calor,
Na jornada da vida, o adeus é apenas um ponto de amor.
Bye Vander Hacher
O #ACENDEDOR DE #LAMPIÕES
No silêncio do ontem...
Entre ventos a soprar...
Saudoso de tempo que não volta mais...
O acendedor de lampiões vem lá...
Em namoro com a lua...
Em vielas e ruas...
Nos becos mais escuros...
Junto as tabernas ou cafés...
Casarões antigos...
Cabarés...
Em cantos silenciosos...
Entre alguém e ninguém...
Um a um acende...
Tão cedo no céu a fornalha se aurora...
Retorna lentamente...
Vagando entre as sombras...
Que espreitam insatisfeitas...
O adormecer das estrelas...
No baile das horas...
Não sabe ele...
Nada pode testemunhar...
Da vida pulsante oculta...
De madrugadas de luar...
Muitas vezes o tormento...
Incendeia a paixão do tempo...
Quando a alma precisa de um momento...
Em caminho tantas vezes percorrido...
O acendedor sente saudades de abrir a janela do coração...
Bendita, malvada vida...
Em acender e apagar o lampião...
Suas imensas lembranças...
Silenciosamente dentro dele começam a ecoar...
Algumas oprimem seus sonhos...
Outras o fazem sonhar...
Na rotina dos dias, meses e anos...
Deseja prender o tempo...
E do que lhe resta tão pouco...
Sem perceber muito dá...
Em seu passeio noturno...
Ele faz tudo brilhar...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Fresta do Infinito
Sou verso solto na dobra do tempo,
Rasgando o silêncio com doce lamento,
Na dança da brisa que afaga o cimento,
Sonho acordado num breve momento.
Espelho quebrado reflete universo,
Em cada estilhaço um poema disperso,
O caos é harmônico, quase subverso,
No peito, um abismo de canto reverso.
E se eu for só fresta do infinito,
Luz que escapa, mesmo em grito aflito,
Me despeço do que nunca dito
E abraço o mundo no que acredito.
Carrego perguntas no bolso rasgado,
Respostas me fogem num tom disfarçado,
Sou verbo no cio, desejo alado,
Nas entrelinhas do não-declarado.
Faço da dor um bilhete encantado,
Do riso, um abrigo improvisado,
E sigo, ainda que despedaçado,
Com alma em festa e corpo cansado.
E se eu for só fresta do infinito,
Luz que escapa, mesmo em grito aflito,
Me despeço do que nunca dito
E abraço o mundo no que acredito.
Não me contenha em moldura ou muro,
Sou tempestade no traço mais puro,
Entre o delírio e o sonho mais duro,
Habita em mim o futuro inseguro.
No trapézio dos dias, me jogo sem medo,
Não por coragem, mas por segredo,
Porque viver é poema sem enredo
E amar… é se despir sem degredo.
E se eu for só fresta do infinito,
Deixa que a luz me tome por escrito,
Não peço paz, mas sim um conflito
Que me transforme em algo bonito.
Despertar da Almas
Despertei no suspiro do tempo,
No silêncio que dança no vento.
A razão se calou num momento,
E o amor se fez meu fundamento.
Vi verdades guardadas na pele,
Como cartas que a vida revela.
Cada lágrima antiga é pincel,
Desenhando a alma mais bela.
É no caos que a alma acorda,
Feito flor que rompe a borda.
Não se ensina, não se força,
Ela vem, quando a dor se entorta.
Despertar é renascer do nada,
Com o peito em paz e a mente alada.
Já fui sombra, já fui tempestade,
Hoje abraço a minha verdade.
Caminhando com leve vontade,
Sou poema em plena liberdade.
As correntes viraram canções,
Os espinhos, sutis orações.
Cada queda, um degrau no caminho,
Cada dor, um abraço sozinho.
É no caos que a alma acorda,
Feito flor que rompe a borda.
Não se ensina, não se força,
Ela vem, quando a dor se entorta.
Despertar é renascer do nada,
Com o peito em paz e a mente alada.
E o que era peso virou asa,
E o que era chaga virou brasa.
O que era medo, agora é dança,
No compasso da esperança.
É no caos que a alma acorda...
Despertar... é luz que transborda.
Em meu silêncio procuro descobrir se sou realmente merecedor de tão pouco gostar;
O tempo é só meu sem ninguém dizer o que devo fazer e acho que sempre tenho a mostrar;
Tenho um imenso querer pela sua pessoa, percebendo que ninguém registra a cena e as verdades que meu coração impõe;
Durante muito tempo amei no meu silêncio sem saber como declarar minhas certezas do meu coração;
Olhei ao meu redor tentando viver a vida que nunca vivi e compartilhar um amor desejado;
Meu silêncio dura um pouco mais de um segundo, porém meus gritos sem o mínimo de pudor duram o tempo necessário para que eu possa entender que o escape dos problemas do meu coração é eventual;
Sem pecado e sem culpa ao certo meus erros não me deixam em paz, faz com que eu acorde chorando precisando de atenção e carinhos;
Se muita das vezes quando eu choro demonstro que estou derrotado não se iluda, pois o jogo não acabou e ainda tem um longo caminho para provar de quê somos feitos;
Como a vida se faz estranha, tudo para um desvendar de um querer banal, sem certezas no interesse que se faz inconstitucionais;
Te observam o tempo todo e pelas suas vitórias e acertos te dão a certeza do silêncio, mas se o erro é convincente e berrante te assistem julgando teus passos e gesticulando em voz lucidamente alta;
Às vezes o silêncio precisa gritar em meio ao momento quieto para que o tempo possa refazer as perguntas e o seu coração possa entender uma resposta na qual satisfaça o próprio ego;
Não posso evitar te amar em meu silêncio para não perder tempo de conquistar ou te assistir em meu bem querer;
Suas mãos vazias, porém inteira para concluir as minhas certezas pelo que sinto na esperança de cumprir as promessas;
Não quero escapar do que desejo, de seus lábios que tanto me encantam fazendo-me a leitura do teu coração que fragilmente pedi-me carinhos;
O amor em silêncio é considerada uma fábula realista, pois o protagonista em nosso tempo é o amor que nem sempre é aceito pelo afeto do outro!
Às vezes a melhor coisa a se fazer e dar um tempo, ficar em silêncio que as coisas voltem cada uma para seu lugar.
