Silêncio

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Pai,
desde que partiste
há um silêncio diferente na casa
— um silêncio que tem o teu nome.
Ainda espero, às vezes,
ouvir os teus passos na porta,
como se fosses entrar
com o mesmo sorriso tranquilo
de quem sempre soube cuidar de tudo.
Faz-me falta a tua voz, pai.
Faz-me falta o teu conselho simples,
o teu abraço forte
que parecia dizer
que nenhum problema
era maior do que nós.
Levaste contigo tantas palavras
que eu ainda queria dizer.
Tantos dias que ainda queria viver
ao teu lado.
Mas deixaste tanto em mim.
Deixaste a coragem que me ensinaste,
o coração que me formaste,
e esse amor imenso
que nem a distância da morte conseguiu levar.
Há dias em que a saudade dói tanto
que parece não caber no peito.
E nesses dias eu olho para o céu
e imagino que estás ali,
orgulhoso, como sempre estiveste.
Sei que já não posso abraçar-te,
mas continuo a falar contigo
em pensamento,
como um filho que nunca deixou
de precisar do pai.
E prometo-te uma coisa:
enquanto eu viver,
irei cuidar da tua eterna amada:
a minha querida mãe,
e dos meus queridos irmãos.
Pai, tu viverás em mim
em cada passo,
em cada decisão,
em cada pedaço de amor
que aprendeste a dar-me.
Profundas saudades tuas,
meu querido pai.
Para sempre.
As minhas lágrimas
escrevem no meu rosto:
Amo-te, pai,
como sempre te amei
e como sempre te amarei.

A insónia é o lugar
onde o meu silêncio
continua impreterivelmente
a saber à tua pele.

Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.




Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.




Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.

No Alentejo a planície estende-se e
dissolve-se em silêncio: como um sonho que se recusa a terminar.

O amor: ensina que nada floresce
sem silêncio, e quando verdadeiro,
é sempre uma espécie de primavera interior.

O silêncio não é ausência de som,
mas a condição de possibilidade de qualquer sentido.

Coraçãmo-te


Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.




Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.




Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.




E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.

Amar-te em Silêncio




Amar-te em silêncio é ouvir o universo respirar dentro de mim, como se cada estrela
soubesse a tua madrugada.
E cada batida do meu peito é um trovão a chamar por ti.
Ardo no espaço onde
a palavra falha e,
nesse fogo que ninguém vê,
a tua presença é chama,
o teu corpo é vertigem
e eu sou apenas o que sobra depois de te desejar até ao limite do ser. Talvez aquilo que calo consiga confessar que te procuro
não nos caminhos do mundo,
mas nos desvios da alma,
onde cada dúvida é uma porta
e a tua essência é uma resposta.

No silêncio entre dois corpos nasce um campo magnético,
onde cada gesto é promessa
e cada respiração é caminho.


A pele torna‑se horizonte,
o olhar, uma mão invisível,
e o tempo verga‑se como tecido húmido à espera de ser moldado.


Há um tremor que não é físico,
uma vertigem que não é carnal,
mas que acende o coração
como se fosse chama a acender
as constelações da alma.


E quando o silêncio desaparece,
os gemidos tornam-se linguagem.
E o ar entre nós torna‑se incenso,
lento, quente, vivo.


Uma língua feita de luz,
que só dois sabem ler.
Uma liturgia de sombra e claridade,
onde duas almas se reconhecem.

Pai


Pai, hoje a noite parece ter o teu profundo olhar. Sento-me aqui, no mesmo silêncio onde te procuro,
e a estrela que leva o teu rosto acende-me o peito.


Há dias em que a tua ausência pesa,
mas é nessa saudade que te sinto mais perto, como se a luz lá em cima fosse a tua mão a pousar devagar sobre a minha.


Falo contigo assim,
sentado, quieto
porque a saudade
que tenho de ti
não é dor,
é caminho.


E enquanto essa estrela brilhar,
sei que não estou sozinho.


Pai, fica comigo nesta noite.
Eu continuo aqui,
a falar contigo,
como quem acende
uma fogueira dentro da alma.

O silêncio do mundo é a tela em branco onde o Zonista pinta a vida que escolheu.

"O bem se faz em silêncio"


E o mal?


Como se faz?

É no silêncio do pensamento


Que encontramos um Amor barulhento

O silêncio grita e o mal foge calado

Diante da arrogante lamentação ecoa o silêncio do perdão

INQUIETUDE

O que me incomoda é este teu silêncio
de amar e se fazer amada
mas não me ama.
Você me olha quase falando
mas nada fala.
Teus gestos tem um quê!
mas eu não sei o por que
deste teu silêncio.
Desta chuva que cai, mas não molha
deste fogo que arde, mas não queima
deste vento que sopra tão forte,
mas não move sequer uma folha do lugar.
E você permanece imutável
sem saber que te amo,
deixando apenas o silêncio
falar por você...

É no silêncio da espera que se revelam os que foram semeados com fé.

"Existe o silêncio para estabilização
e existe o silêncio obsceno, e deste último
o mundo está cheio."
Haredita Angel
27.10.15

"Às vezes, o silêncio e o afastamento é também um ato de amor..."
(para consigo).
Haredita Angel
05.04.2006

"No silêncio eu sinto que existo,
no barulho eu já me perco!"
Haredita Angel
21.11.15