Coraçãmo-te Coraçãmo-te como quem... Joni Baltar

Coraçãmo-te


Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.




Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.




Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.




E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.