Silêncio
Silêncio
Há um silêncio dentro de mim,
depois de você...
Um silêncio traduzido em inquietação...
Minha vida não pode ser dividida,
quero de volta a parte
que você pra bem longe levou...
Música sem melodia
é assim o meu dia
sem alegria.
É impossível bater pela metade o coração...
Silêncio dentro de mim,
onda suave que me acalma,
eco sereno na alma faz,
refúgio eterno, enfim, quero-lhe, amor meu, volta para ter novamente paz.
Palavras se desfazem no ar,
sussurros mudos a dançar,
no peito, uma paz sem fim,
o silêncio reside em mim...
Traz isso de volta pra mim!
Como brisa leve a tocar,
segredos prontos a revelar,
na quietude, encontro a luz,
silêncio que me conduz.
Você de novo aqui do meu lado... a tristeza que se desfaz...
Volta... eu sei que o caminho você sabe... eu sei que você é capaz!
Diante do ruído do julgamento humano, recolhi-me no silêncio da Tua Verdade Imutável. Dialogar contigo, ó Criador, em vez de responder às criaturas, restaurou o meu ser.
Nem toda verdade vem aos gritos.
E nem todo silêncio significa fraqueza.
Às vezes, o homem mais perigoso da sala…
é aquele que parece salvador demais.
O silêncio do cristão diante da cultura não é neutralidade; é uma falha de mordomia do Evangelho. Nossa responsabilidade perante o Criador não se resume aos pecados que cometemos, mas abrange o amor e a verdade que decidimos reter do mundo.
A voz de Deus ressoa por toda a criação e nas Escrituras. Quem reclama do silêncio divino, muitas vezes, ignora que Deus já falou por meio do Livro Sagrado.
Aquilo que muitos chamam de 'silêncio' divino é, muitas vezes, apenas a recusa deles em abrir a Palavra e o coração para ouvir a vontade de Deus.
A pior omissão de um cristão é permanecer em silêncio enquanto o mundo corre para o inferno; o sangue daqueles que se perdem será cobrado por cada verdade que ele ocultou.
Ainda que minha alma caminhe por temporadas de aridez e aparente silêncio do Alto, meu coração permanece constrangido por um amor incomensurável, resgatado pela efusão de sangue e graça no Calvário.
No silêncio do Éden, antes que o coração de Adão formulasse o desejo, a graça de Deus já havia preparado a resposta. O Criador habita o futuro de nossas carências, providenciando o auxílio antes mesmo que a necessidade desperte.
Liberta-te das amarras
Em meio ao silêncio pesado,
onde os grilhões sufocam
corações aprisionados,
é hora de romper a forte cerração... transformar em leve bruma...
Espalhar pela a escotilha branca espuma.
Rótulos que nos vestem,
como capas de um conto sem fim,
imposições que nos oprimem,
mas a alma grita: “Vem, sim!”
Quebrar as regras impostas,
um despertar em cada passo,
soltar-se e esvoaçar com as nuvens,
encontrar liberdade no abraço fraterno.
Fazer da vida um bailar eterno.
O vento canta a nossa história,
carrega os medos para longe,
na busca incessante da vitória,
o ser livre é o maior de todos os alvos.
Levanta, oh espírito valente,
revela teu brilho, tua verdade!
Na dança da vida, serás presente,
liberto, pleno de saciedade.
O refúgio é, por vezes, a mais sublime morada da alma: nele, o silêncio depura os excessos, a distância reorganiza os pensamentos e a solitude restitui aquilo que o tumulto cotidiano nos subtrai. O grande paradoxo, contudo, reside no fato de que até o abrigo pode perder sua nobreza quando deixa de ser escolha consciente e se converte em permanência fútil. Afinal, refugiar-se é sabedoria quando nos reconstrói; torna-se vazio quando apenas nos distancia daquilo que, inevitavelmente, precisamos enfrentar.
“O Amor Que Nasce em Silêncio”
Cresce ao teu lado, invisível flor,
Um sentimento puro, de imensurável ardor,
Como hera que abraça o muro antigo,
Sem que percebas, eu te sigo.
És cega aos passos do meu coração,
Que bate forte nesta doce ilusão,
Como lua que beija o mar adormecido,
Meu amor por ti tem florescido.
Não vês as raízes que plantei,
Neste jardim secreto onde te sonhei,
Cada olhar meu é semente lançada,
Em terra fértil, porém ignorada.
Cresce em mim esta paixão profunda,
Como aurora que a noite fecunda,
E tu segues teu caminho sereno,
Sem sentir este amor tão pleno.
Um dia, talvez, possas despertar,
E este sentimento enfim notar,
Que cresceu paciente, ao teu redor,
Esperando apenas por teu calor.
Pois o amor verdadeiro assim se faz:
Em silêncio cresce, discreto e tenaz,
Até que os olhos consigam, afinal,
Ver o jardim que sempre esteve no quintal.
Ecos das Senzalas
Havia um silêncio que gritava nas madeiras,
Um vazio que pesava como corrente ao peito.
Nas senzalas dormiam sonhos e preces inteiras,
Onde a liberdade era apenas um direito.
Paredes de barro guardavam histórias caladas,
Cada fresta um suspiro de quem não podia falar.
Vidas inteiras ali foram aprisionadas,
Corações que batiam só para não parar.
No chão de terra batida, memórias pisadas,
Raízes profundas de uma dor ancestral.
Mãos calejadas, almas acorrentadas,
Resistindo em silêncio ao peso do mal.
A noite trazia cantos de lamento,
Melodias que subiam como fumaça ao céu.
Na escuridão, havia um leve alento,
A fé que nem o açoite destruiu ou vendeu.
Crianças nasciam sem saber de amanhã,
Mulheres choravam lágrimas de pedra e sal.
Homens curvavam sob o peso da sanha,
Mas de pé permaneciam, resistindo ao final.
Nas senzalas morava a humanidade negada,
A dignidade pisada, mas nunca destroçada.
Cada alma que ali sofreu e foi calada,
Merece ser lembrada, honrada, respeitada.
Hoje essas paredes são apenas ruínas,
Mas ecoam ainda gritos que não podem morrer.
São cicatrizes na terra, marcas genuínas,
De um passado que não podemos esquecer.
Que o vento que passa por essas madeiras velhas,
Leve consigo nosso respeito profundo.
Pelas vidas que foram como estrelas vermelhas,
Apagadas pela crueldade deste mundo.
Nas senzalas não viviam escravos apenas,
Viviam pessoas, histórias, canções.
Com sonhos tão grandes quanto suas penas,
Com amor guardado em seus corações.
E quando olhamos para trás com olhar sereno,
Não é pra esquecer, mas sim pra aprender.
Que nunca mais reine sobre nós o veneno,
Do ódio que faz um ser humano outro ser perecer.
Memória é ponte, não é prisão do passado,
É caminho para um futuro mais justo e são.
Cada nome esquecido, cada grito calado,
Merece eco eterno em nossa canção.
Nas senzalas viveu um povo de força imensa,
Que mesmo na dor, não perdeu sua essência.
E hoje carregamos essa herança densa,
De luta, resistência e permanência.
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