Sermão do Casamento Moderno

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⁠CORAÇÃO FDP

Desapegar é coisa
de coração moderno
O dele é um fdp!
Arregaçado
Estrupiado
Viajou mundo afora:
Deu coices
Recebeu pontapés
Fudeu com o mundo
E agora tá com essa cara!
Ferrado
Dopado
Perdido!

⁠A indecisão é o mal do homem moderno.

Não sei se A ou se B,
Se aparo ou não a barba.

Se corto o cabelo,
Ou se deixo crescer.

Não sei nem o que sou,
Quiça o que quero fazer.

Só sei de uma coisa. O que com certeza eu não quero ser.

Aprendi com meu pai.

E como o homem moderno já não almejo fazer.

⁠Em meio a pressa do mundo moderno, o homem se perdeu de si, pois em seu caminho, passou a enxergar apenas o externo.

⁠Como devemos interpretar o fato de, neste mundo tão moderno, no auge do conhecimento e da sofisticação da medicina, vermos cada vez mais doenças físicas crônicas e transtornos mentais? E como não estamos alarmados com isso?

Gabor Maté
O mito do normal. Rio de Janeiro: Sextante, 2023.

Mundo moderno, fábrica de suicidas.

No mundo moderno não necessariamente precisamos ser, mas precisamos parecer para integrarmos a sociedade.

Toda a face religiosa do mundo moderno se deve à ausência, em Jerusalém, de um asilo de lunáticos.

Mundo moderno,
o que Freud
diria?

Há uma explicação para tudo no mundo moderno, as redes sociais são uma cidade de conselheiros e gurus; prefiro morar na casa do Manoel de barros e nada saber. Viver o despropósito no olhar e encontrar ali Deus.

O Silêncio que Fala Mais Alto

Sempre achei curioso o fascínio moderno pelos podcasts. Milhares de vozes, todos os dias, despejando pensamentos, opiniões e experiências em um fluxo infinito de conversa. É como se a humanidade tivesse descoberto, finalmente, o jeito de falar sem parar — e, mais do que isso, sem ser interrompida. Há quem chame de revolução na comunicação; eu vejo como a consagração de um instinto antigo: o de falar mais do que ouvir.

Não me entenda mal. Há podcasts brilhantes, daqueles que parecem uma extensão da alma, que abrem portas para mundos desconhecidos. Mas, na maioria das vezes, percebo que o objetivo não é compartilhar, e sim existir pelo som da própria voz. É um palco portátil, onde cada um pode ser mestre de si mesmo, declamando certezas como quem ergue bandeiras. Falar se tornou uma forma de respirar. Ou talvez, para alguns, seja a única maneira de não se afogar.

Eu, no entanto, nunca tive essa ânsia. Prefiro estar na plateia invisível, nos cantos da sala, com o fone no ouvido, deixando que as vozes alheias se acomodem na minha mente. Não porque eu me ache menor, mas porque sei que é no silêncio que colho mais frutos. Quem fala está ocupado demais afirmando o que já sabe; quem ouve, se abre para o que não conhece.

A ironia é que, nos podcasts, mesmo quando se convida alguém “para ouvir”, na prática, é para esperar a vez de falar. O diálogo cede espaço ao monólogo de duas cabeças. É um jogo de pingue-pongue onde a bola, às vezes, nem precisa voltar — basta continuar girando dentro da própria mão.

Vivo me perguntando se a arte de ouvir não está se tornando uma espécie em extinção. Talvez, no futuro, surjam podcasts silenciosos, onde se transmitam apenas pausas, respirações e o som do mundo acontecendo. Quem sabe aí a gente descubra que, muitas vezes, o que mais precisamos não é dizer algo, mas escutar o que o silêncio já vem dizendo há muito tempo.

E eu estarei lá, ouvindo. Sempre ouvindo.

- Eduardo Medeiros -

Amor Moderno


Em telas frias, o amor se anuncia,
Com filtros e poses, em vã euforia.
Corações conectados por fios invisíveis,
Mas almas distantes, em lares sensíveis.


A pressa consome o tempo de sentir,
O "deslize" descarta o que mal pôde florir.
Trocamos o toque por um "like" vazio,
E o olho no olho, por um "visto" sem paz.


O medo da entrega, a fuga da dor,
Constroem barreiras ao puro fulgor.
Queremos o fácil, o pronto, o sem erro,
Mas o amor, em essência, é um risco e um acerto.


A pressão dita o nosso querer,
Em relações líquidas que não querem prender.
Colecionamos "felicidades", momentos sem nexo,
Perdendo a beleza do amor complexo.


Onde está a paciência de um olhar demorado?
A escuta atenta, o abraço apertado?
Onde a coragem de ser vulnerável e real?
No mundo de hoje, o amor parece irreal.

Minha alma é vintage, mas meu fone é moderno.

É preciso entender esta filosofia. Isto não é um conhecimento moderno — é antigo. Mas vocês diabolizam tudo que vem dos nossos ancestrais, diabolizam tudo que é da raça negra, porque estão colonizados mental e espiritualmente. Ou seja, tudo o que falam é a pura manifestação do colono.

O ser humano moderno arde na ânsia de ser extraordinário, como se o comum fosse uma falha e não a própria teia do mundo. Esquece-se de que a vida não opera por hierarquias nem medalhas; ela apenas pulsa, indiferente aos delírios de grandeza. E é justamente aí que se revela o paradoxo: ser comum já é uma forma secreta de singularidade, pois nada mais raro do que existir sem precisar provar brilho algum.

Os quatro melhores livros que mais influenciaram todo pensamento moderno do ocidente, são eles. A Republica de Platão. A Retorica de Aristóteles, O Príncipe de Maquiavel e por ultimo Confissões de Santo Agostinho de Hipona.

"O Absoluto é relativo?
​Moisés trouxe a pedra, mas o fiel moderno faz "Self-Service da Fé": curte a promessa, ignora o sacrifício e cria sua própria igreja mental. ​A Constituição dos EUA segue o baile. Um texto curto, 50 interpretações. O que é lei na Califórnia vira crime no Texas.​Seja no púlpito ou no tribunal, o "Texto Sagrado" é só o rascunho. No fim, a verdade não é o que está escrito, mas o que a sua conveniência decide ler. Jazz jurídico, improviso espiritual. "
(Mário Luíz)

Reclamar da vida evitando
qualquer responsabilidade
é o novo vício do fracassado moderno.

Pensamento XIV
"moderno saber."


"Não é porque vivemos na era da informação que edificaremos pessoas entendidas. De que te servem sete mares, se te satisfazes com um copo d'água? A resposta está nisto: o tamanho da sede."

⁠O próprio crescimento do mundo moderno implica o esmagamento de quem tentar manter alguma sanidade mental em meio a esse circo de mentiras que as relações humanas se transformaram.

O fracasso é o grande tabu moderno.

Richard Sennett
A corrosão do caráter. Rio de Janeiro: Record, 2015.