Separação
Nas sombras do tempo, ele caminhava solitário pelas ruas de memórias desbotadas. Seu coração, um mausoléu de amor, guardava o fogo sagrado por ela. Ela, a musa imortal de seus sonhos, vivia na penumbra de sua ausência, uma presença tão vazia quanto as ruínas de um templo esquecido.
Anos haviam se passado desde que suas vozes se entrelaçaram em canções de promessas e suspiros. Anos desde que seus olhares se perderam nos labirintos da alma um do outro. Mas para ele, o tempo era apenas uma cortina fina entre o que foi e o que poderia ser.
Ela era como a névoa da manhã, presente, mas intangível. Ignorava-o como se ele fosse uma sombra indesejada em seu horizonte. Seu silêncio era uma sentença, sua indiferença, uma espada que dilacerava sua alma a cada dia.
Mas mesmo na morte ficta de sua conexão, ele persistia, seu coração como um farol na escuridão, esperando por um vislumbre da chama que um dia ardeu tão intensamente entre eles. Ele a amava além das palavras, além do tempo, além da própria morte.
Em seu amor, ele encontrava uma imortalidade que transcende os limites do mundo físico. Seu amor era uma epopeia, uma saga de esperança contra toda a lógica, contra toda a razão.
E assim, nas brumas do esquecimento, ele continuava a tecer os fios do seu amor, esperando pelo dia em que a morte ficta que os separava se dissolveria, e eles se encontrariam mais uma vez nos braços do destino, onde o tempo não teria poder sobre o eterno laço que os unia.
As despedidas arrancam pedaços da nossa alma, deixando um vazio que ecoa com a ressonância do que foi e já não é mais. Não estávamos prontos para essa separação, para esse adeus que chegou sem avisar e sem permissão, levando consigo um pedaço de nós que talvez nunca mais será recuperado. Cada momento que passamos juntos agora se transforma em memória, um tesouro precioso e doloroso, enquanto tentamos aprender a caminhar nesse novo mundo, um mundo um pouco mais vazio sem a sua presença.
Me dê um sussurro, suave como o vento que carrega segredos. Me dê um sinal, algo que eu possa guardar quando a distância nos separar. Me dê um beijo, o último, cheio de tudo que fomos, antes que as palavras "adeus" rompam o que resta do nosso momento.
Era uma vez um homem que amava uma mulher... e o sorriso dela era um mistério ao qual ele desejava dedicar toda a sua vida desvendando. Cada curva daquele riso iluminava sua alma, como se o universo o convocasse a eternamente buscar essa resposta doce e infinita.
Mas o tempo, com seus desentendimentos e desencontros, os separou. Ainda assim, ele manteve sua promessa, gravada nas linhas do seu peito. Possuiu outros corpos, é verdade — breves respiros de uma ausência que nunca se curava — mas jamais os amou. Seu coração, teimoso e fiel, permanecia ancorado naquele amor primeiro, que nem a distância dos anos conseguia apagar. Amar aquela mulher não era uma escolha, mas um destino que o tempo não soube desviar.
Para baixo, para o lado e para cima
Entre os cercos debruçam-se vidas
Entre as distâncias demarcam-se moradores
Em pares, em folhas, em cantos
Escondem-se os prantos
Os risos, os sonhos, os encontros
Os possíveis, os imagináveis, os postergados
Desenganos em telas
Todos os dias elas nos abrem janelas
“Janelas de alumínio, madeira e silício -
Dentro de Caixas Verticais Compactas e Visitas Não Solicitadas”
Se você se dispôs a fazer as pazes com alguém, mas não encontrou ninguém do outro lado para reconciliar-se, talvez a única pessoa que você tenha que se entender, seja com você mesmo(a).
Ultimamente você tem se mantido tão perto de mim, quanto os meus pensamentos em você.
Mesmo em orações, a minha mente recorda em ti, é como se a saudade tivesse braços, e a usasse-as para lhe manter perto de mim.
No entanto, prometo-me soltar qualquer lembrança sua, e deixá-lo ir.
Será que em nenhum momento ele considerou que ela também tinha sentimentos e um coração, e que talvez o que ele tenha dito a deixou mau?
Ele era especial para ela, mas ela era alguém com quem ele gostava de brincar, e esse foi o começo do fim.
Deixando para trás conflitos.
Sei que independentemente do caminho, a batalha será constante, mas com menos confrontos e menos feridos.
Algumas noites, deito-me com as lembranças, e em silêncio chamo por você.
Em outras, ouço os ecos passivos da saudade, chamando-o por seu nome.
O que machuca entre idas e vindas é voltar sempre para a vida um do outro e se entregar mais do que o necessário e, ao recuar, perceber o quanto todas as vezes deixamos partes de nós no outro e o quanto do outro fica em nós.
Se nos indagarem sobre o que éramos, diremos que éramos a essência da completude, desprovidos de delírios e desvarios.
Éramos a totalidade um do outro, mesmo quando a compreensão nos escapava.
+Q Artesão
Fosse tudo o que pode ser visto, tocado ou sentido feito de uma única partícula, alimentada por uma única energia, dependendo essa energia da existência da partícula e a partícula da existência dessa energia, a separação das essências inutilizaria a existência de tudo. O homem sem arte não é nada.
No dia em que o trabalho não for mais atividade necessária para se obter bens, mas ação necessária apenas para justificar o agradecimento pelos bens já adquiridos, estes em igual equidade à todos, terei certeza a saúde deste povo como sociedade foi alcançada. Até lá, o trabalho sempre dará sentido à separação dos povos entre ricos e pobres.
Não haverão indiretas diretistas até você, pensei em mil.
Você assim quis, mas eu, eu queria mesmo é a sorte de ter tido o leve do que, um dia, poderia ter sido o teu amor
