Sempre
Não sei se um dia a gente aprende a amar. O outro tem uma bagagem pesada. E nem sempre você está disposto a desarrumar uma mala que não é sua e colocar tudo no seu devido lugar. Cada um tem um jeito, valores diferentes, criações diferentes, traumas, sonhos, personalidades. É difícil juntar duas pessoas que podem ser parecidas ou diferentes e dizer que elas serão felizes pra sempre. Que mania essa de colocar a responsabilidade no outro. Que loucura ter esse fardo de ser feliz pra sempre. Ninguém é. Nem aquela atriz bonitona casada com o ator bonitão. Nem sua vizinha que está sempre bem penteada e maquiada. Nem a apresentadora da TV que tem um casamento aparentemente feliz, dois filhos lindos e está grávida do terceiro. Ninguém é totalmente feliz, só quando posa para a foto da Caras. Todo casal briga, todo casal se estranha, todo casal se magoa. Isso é normal. Mas nem todo casal sabe como dar a volta por cima. Para alguns é mais fácil apertar no stop e dizer chega. Para outros, os que valorizam o amor, o caminho pode ser torto, mas eles querem ir até o fim.
Eu sou uma ovelha negra, não importa o quanto me adorne para disfarçar. Eu sempre irei afrontar aquilo que me incomoda, sobretudo se eu sei que o caminho está errado.
3d
"Se for pra fugir de algo que seja de meus
pensamentos. Infelizmente eles me levam
sempre até você."
Sempre preferi aqueles que admiram mais aos outros do que a si. Não por desamor, não por auto-estima decadente. Mas é que essa coisa de se auto-massagear nos trava. Nos tira de um ciclo de evolução. Faz com que fiquemos a estabelecer comparações constantes.
Gosto de quem tem ciência da própria desimportância. Me encanta essa gente que vai buscar nas diversas fontes do universo um sentido para a fome da alma. Que produz mais dúvidas do que conclusões. Me apego a quem seduz sem afirmar ‘sou’, muito menos ‘tenho’; mas que diz ‘vamos descobrir’. Ahhhh, descobrir o mundo a dois.
Que meus passos sejam guiados pelo mistério. Que meus erros escrevam meus manuais. Meu corpo, tão passageiro, sendo apenas instrumento para descobrir o gosto que viver tem.
No fim, aqueles que admiram aos outros mais que a si, tornam-se admiráveis por gostarem mais de pessoas do que de reflexos.
Que eu evapore e você solidifique. Mas, quando juntos, sejamos água transparente. Molhando e deixando embaçado o espelho na nossa frente.
Um rápido lanchinho no meio do trabalho. Igrejas sempre me deixam com fome. Sabe como é, aquela coisa do sangue de Cristo.
Sempre sofri demais com os problemas alheios, sabe aquilo de sofrer junto? Como se fosse comigo....tomava o problema pra mim e este me absorvia... Chegava a ficar doente de preocupação com os outros, até que entendi que quando o problema era comigo, ah ....ele era problema meu mesmo, ninguém se preocupava tanto a ponto de compartilhar do meu sofrimento ou de se colocar em meu lugar, enfim....Isso não fazia bem a mim e com certeza não faz bem pra ninguém...Não recuso ajuda, mas não vou mais abraçar os problemas de ninguém, é uma carga pesada demais para os meus ombros. Cada um deve carregar o peso dos próprios problemas, até para amadurecimento, superação e crescimento espiritual.
Rosangela Zorio
Todos nós lutamos para encontrar o caminho certo na vida, mas nem sempre é fácil saber qual é ou para onde ele vai nos levar. No final são as pessoas em nossas vidas que nos dão a direção e o impulso para seguir adiante.
Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que nos venceram nessas batalhas.
A lua sempre me encontrou nos meus silêncios.
Ela aparece inteira ou partida, mas nunca deixa de vir — como se entendesse que há noites em que o coração precisa de companhia, mesmo que seja só de luz.
Eu olho pra ela e sinto que existe um espaço dentro de mim que também é feito de fases: dias em que brilho, dias em que me escondo, dias em que preciso recolher tudo para renascer depois.
E está tudo bem.
A lua me ensina que nada que seja verdadeiro deixa de voltar.
Que mesmo no escuro há um brilho insistente.
E que existir é isso: iluminar quando dá, recuar quando preciso, mas continuar orbitando tudo o que faz sentido.
Talvez seja por isso que gosto tanto dela.
Porque, de alguma forma, a lua me lembra de mim.
E de ti também — que carregas luz até quando não percebe.
Aprendi que a minha felicidade sempre vai incomodar aqueles que não têm a ousadia e a coragem de buscarem a sua.
