Semente
Lentamente
Assim germina a semente
Num passo ingrato e quase inaudível
Desata o laço
Pequeno pedaço que se vai
Sem deixar lembrança
Também não leva saudade
Nada se perpetua
Os passos na rua
Apressadamente
Brancura dos dentes
Sorriso na escuridão revela
O que a claridade escondia
Lentamente, dia-a-dia
Como enorme carruagem que vem
E quando passa
Atropela
Depois se afasta lentemente
Talvez a vida tenha sido
Por acaso e sem igual
Mas sempre tem prazo a cumprir
E faz doer e fica mágoa e apaga
E quase sempre acontece
de forma proposital.
Edson Ricardo Paiva
Quando Deus
põe a gente no mundo
Tem junto
Uma coisa latente
Semente de coisa boa, muito
Que Deus bota dentro da gente
Se ela seca...ou se brota
Num primeiro momento
Normalmente nem se nota
Mas ninguém nunca vai poder
Dizer que secou a toa
Quando o solo era de areia
Não foi nem pra bem, nem pra mal.
Com o alforge repleto de almas
E algibeira de sementes
Deus semeia uma tarde inteira
Mas, quando a alma endurece
Pelo solo empobrecido
Ainda é bom pra plantar a saudade
de coisa que veio na vida
e por não ser a hora
Passou depercebida
E agora te desconhece
Merecidamente
A vida passa
Depressa como a chuva
Não existe ação prolongada
A culpa nunca é de ninguém
Nem nada
Se foi no passo que veio
E no meio desse espaço
O tempo as germina
Lágrimas secas
Não molham sementes
Caem somente
Assim como secam as folhas
Todos colhem
Conforme as escolhas.
Edson Ricardo Paiva.
Errante
Da a raiz à semente
Se a semente à raiz
O caminho é igual
Não semelhante
Quando o tempo é o juiz
Por nenhum instante
Ele se fez ausente
Evidente
Que evidência
Teus olhos ocultam
Cega a mente
Desejoso orgulho
Ego orbitante
Cegamente
Organizadamente
Um nome em dourado
Atestando
Emoldurado ignorante
Desconhece
Ao ciclo da semente
Que segue a corrente
Com simplicidade
O caráter se revela
Quando a última porta
For fechada atrás de si
Jamais, somente
Quando alguém o vir
Não pelo preço
Tendo o engodo
Um ornamento
Adereço
Não me esqueço
Que eu
A mim mesmo
Vejo o tempo todo
E não faço
A semente termina
Na semente
Água turva
Se decanta
Cristalina
O céu desaba
O lugar onde é o começo
Invariavelmente
Onde tudo se acaba.
Edson Ricardo Paiva.
Plantei-me uma semente de silêncio
Em meio a uma floresta
De outros pés de sons intensos
O silêncio, que era bom, vingou
Germinou como quem nasce
Se plantado em lua crescente
Desde então, esse só cresce
Incessante, insistente
Chega até dar medo
O outro nome que a isso se empresta
é pé de segredo
O silêncio, se é que eu sei
Não tem nenhum compromisso
Não tem lugar onde chegar, nem idade
Pois desobedece o tempo
É uma planta temporã, sem lei
Pode ser que, se plantada de manhã
Se agigante
Pode ser que se atrase
Talvez pareça até ter fases
Da lua, pra que cresça
O nome disso é verdade
Pode parecer que sim
Pode parecer que quase
Mas no fim
Um dia, numa madrugada fria
Quando todo mundo
Tá incauto e dormindo
O silêncio dá seus frutos: imbróglios
São tantos
Que os outros dez mil sons se calam
Fingem mudos, se embalam
Olhos astutos, mudos lábios
Mono silêncio, uníssono
É quando esse som grita até
Chega a ser bonito de se ver
E não se ouvir.
Edson Ricardo Paiva
Cada semente semeada germina, mas nem sempre tu colhes o seu fruto, mas há semente que germina sem você plantar, o amor.
A semente rara germina sempre nos jardins menos populares, e seus frutos são sempre questionado pela doçura e sutileza.
Ela é a brisa suave e a tempestade feroz,
O início e o fim, a semente e a flor,
E com cada passo que dá, a terra treme,
Porque ela sabe que o futuro pertence a quem o cria.
Ela é todas nós, e somos todas ela,
Um coro de vozes que se ergue,
Inabalável, irrefreável,
Até que o mundo reconheça: somos a revolução.
“Sou a brisa suave e a tempestade feroz, o início e o fim, a semente e a flor. Fui feita para voar, ... e mesmo quando tropeço, me levantar faz parte do jogo.“
Como a semente que permanece na terra pacientemente a espera de atmosfera propícia para germinar, crescer, frutificar e espalhar, todo bem e todo mal que fizemos em vidas passadas e fizermos nesta vida, não ficarão latentes por toda eternidade, chegará o momento do surgimento, e virão com as consequências benéficas ou maléficas na proporção da soma de tudo que praticamos
Desperte a semente que há em você... a terra molhada ,e Sirius te da energia, para transformar na estrela mais brilhante.
Na criação, Deus plantou uma semente de amor em cada um de nós, que basta apenas ser regada para florescer. Não percamos as esperanças naqueles que nos pareçam perdidos, pois assim como na natureza, a chuva sempre cai em algum momento alegrando toda uma plantação.
O Hoje é invariavelmente o fruto de uma semente lançada há pelo menos cinco anos. O diferente disso é exceção e não a regra. Plante certo e tenha paciência, pois a árvore crescerá e na estação correta haverá flores e frutos.
Em nossa breve passagem pela vida, cada ato em prol da humanidade é como uma semente lançada ao vento. Na segurança pública, protegemos vidas, mantemos a ordem e zelamos pelo bem-estar da sociedade. Na administração, organizamos recursos, lideramos pessoas e criamos estruturas que sustentam o progresso. No direito, defendemos a justiça, asseguramos a dignidade e equilibramos os pesos da balança social. Na medicina, aliviamos dores, prolongamos vidas e restauramos a esperança. Na docência, transmitimos conhecimento, formamos mentes e inspiramos futuros. Na pesquisa, desvendamos mistérios, impulsionamos o conhecimento e pavimentamos o caminho para inovações que transformam vidas. Nas artes, expressamos a essência humana, damos forma aos sentimentos e preservamos o que é eterno no efêmero. Tenho feito a minha parte em cada uma dessas áreas, deixando marcas no mundo e contribuindo para que ele seja um lugar melhor. Tudo o que fazemos para melhorar o mundo é um eco de nossa própria busca por sentido, uma prova de que estivemos aqui e que nossas mãos tocaram o coração da vida.
Esquece no trabalho a semente a plantar, em busca do brilhos, sem esforço e sem lutar, a humildade se perde, a fé se esvai, no altar do egoísmo a alma se vai afogar.
Amor-semente
Sementes do amor frutificado
Ficaram nas gavetas de minh’ alma,
Adormecidas.
Longe da luz,
da água e de nós, secaram,
Ficaram lá tão esquecidas.
“De repente, não mais que de repente”
Vento forte, vindo do Norte, arrebatou-me inteira
Revirando minhas gavetas
Pondo para fora as tais sementes.
O Sol, iluminando-as por inteiro
A chuva, lavando-as com carinho
Levou-as para dentro de meu coração-ser.
Lá, ditas sementes, agora
Brotam em busca de novos frutos
Acompanhadas por seus ais, ais, ais...
Nenhum amor- semente é desperdiçado.
Por respeito às suas origens,
Mantém-se firmes e,
A qualquer Sol,
Levantam-se e germinam!
2024
