Sem Sentido
“Religião nutre a fé e o sentido de pertencimento; terapia cuida das feridas da mente. Misturar as duas funções é como esperar que a bússola cure a tempestade: cada uma tem seu papel próprio.”
O sentido da vida não está no controle do tempo ou das expectativas, mas na capacidade de abraçar o caminho com presença, transformando decepções em aprendizado e mantendo a gratidão pelo que é essencial.
De repente…
Algumas coisas só fazem sentido quando acontecem.
De repente, as roupas que ocupavam dois espaços passam a ocupar um só.
A casa fica mais florida e uma rotina de regar flores começa sem que eu perceba.
As memórias reveladas encontram espaço sobre o rack e uma casa que nunca teve sofá ganha um de dois lugares.
De repente, na cama existe um lugar. O silêncio pertence a dois, o tempero da comida já não é mais o mesmo e o café ganha um sabor que nenhum outro parece ter.
De repente, eu já não preciso olhar pelo retrovisor para saber se vem outro carro.
E, quando menos percebo, entendo que nunca estive falando sobre coisas.
De repente, você chegou.
E ocupou espaços que eu nem sabia que ainda estavam vazios.
Trouxe vida para a casa e, sem perceber, trouxe vida para mim também.
Me ensinou que algumas coisas precisam ser regadas para continuarem vivas. Que dividir espaço não significa ter menos lugar. Que algumas presenças mudam até o silêncio. E que ser cuidada, às vezes, é simplesmente poder continuar olhando para frente porque existe alguém ao meu lado olhando por mim.
De repente, eu não quero mais outro olhar pelo retrovisor, outro lugar ao meu lado ou outro sabor de café.
Porque não são essas coisas que eu quero que permaneçam.
É você.
E talvez essa seja a parte mais difícil de admitir.
Você mudou a minha vida por completo e não é fácil ser mudada quando eu já havia aceitado que aquela era a minha versão final.
Eu já conhecia meus espaços, meus hábitos, meus silêncios. Já sabia viver a minha vida do jeito que ela era.
Até você chegar e, de repente, existir um “nós” onde por tanto tempo só existiu um “eu”.
Agora me vejo amando.
Te amando.
E entendendo que o mesmo amor que tornou tão bonito dividir a vida também trouxe o medo de imaginar como seria se um dia eu precisasse voltar a vivê-la sem você.
Algumas coisas só fazem sentido quando acontecem.
Mas existe uma que eu não quero que um dia precise fazer sentido:
perder você.
Você não está apenas tentando recuperar autoestima, sonhos e sentido.
Está aprendendo a tornar-se um lugar seguro para a própria existência.
Quem criou a humanidade?
Em certo sentido, a própria humanidade.
Foi a ciência que nos afastou da simples condição de sobrevivência e nos conduziu à civilização.
Sem conhecimento, seríamos apenas criaturas guiadas pelo instinto.
Talvez a maior criação do ser humano tenha sido justamente a capacidade de compreender a si mesmo e transformar o mundo ao seu redor.
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Nem tudo que é visto é sentido, e nem tudo que é sentido precisa ser visto. O essencial está entre os espaços vazios que só a alma consegue preencher.
Às vezes é preciso se perder no ruído,
pra achar o sentido há tanto perdido.
Entre telas e vozes, distantes,
encontrei no silêncio, o que é importante.
“Cativar uma pessoa, no sentido ético, ao ponto de tornar-se necessário para ela; É agregar razão à própria existência”
Ney P. Batista
Apr/02/2022
Para uns, fazer o bem é a âncora que dá sentido à vida; para outros, fazer o mal é o próprio combustível da existência.
Qual é o sentido de tudo isso? Como já dizia o Pregador: “Tudo é vaidade.”
Passamos a vida buscando riquezas, conquistas e coisas materiais, mas nada jamais parece ser suficiente. Essa é a verdade: nada nesta terra será capaz de preencher completamente o vazio dentro de nós.
Pois aquilo que verdadeiramente sacia a alma não se encontra nas coisas deste mundo, mas em Deus — e Deus não pertence a este mundo.
“Todos os caminhos levam ao lar.”
Verdade, mas não em um sentido linear, não como um meio para um fim.
O lar não é um destino encontrado no limiar do tempo.
A verdade é o reconhecimento sem caminhos do que é.
Não apenas um reconhecimento, mas simplesmente as gargalhadas existenciais que surgem quando a busca desmorona o sujeito buscador e o caminho se aniquila.
“Todos os caminhos levam a lugar nenhum” tem um tom melhor de verdade.
A maioria dos ensinamentos espirituais objetiva a verdade que o deixa preso na dualidade sutil de sujeito/objeto.
A mente o ama, pois é diviso em sua própria natureza.
Tudo o que ela faz é conceituar o absoluto.
Ele evoca um assunto de um acontecimento contínuo e diz
"este sou eu,
o resto não é"
como pegar uma onda do oceano ... fofo, mas impossível na realidade.
A maioria dos ensinamentos lança a ilusão de um caminho que obscurece o verdadeiro olhar do supremo e o deixa engolido pela inquietação envolvente da linearidade - a imitação da chegada.
E mais cedo cada caminho que você trilhar será deixado abandonado,
mais frequentemente julgado por tê-lo enganado.
Você então atesta seu caminho recém-descoberto.
"Esse é o novo caminho. Eu encontrei o caminho."
Então, por que ensinar?
não ensine.
Simplesmente compartilhe o que mexe com sua alma, humildemente.
Minha descrição favorita de um verdadeiro professor é transmitida pelas palavras de Laozi
“ele/ela ensina sem um ensinamento, para que as pessoas não tenham nada a aprender”
A verdade não precisa de caminho nem de ponteiro.
É o dedo e a lua, pois nunca houve distância entre sua existência aparente.
A verdade se manifesta em todas as coisas.
Mesmo objetos inanimados tentam nos revelar Deus.
Para saborear a verdade irrevogavelmente,
todos os caminhos ou a ilusão deles devem desaparecer,
toda conceituação deve ser abandonada,
... incluindo o mito do "eu".
Existe realmente um caminho certo
“O sentido da vida não é deixar algo para quando você partir… é viver tão profundamente que nada precise permanecer.”
No início, nada parecia fazer sentido. As paredes respiravam silêncio, as janelas guardavam ventos antigos e o chão, sem pressa, recolhia sombras como quem cole uma memória perdida. Havia um rumor sem origem, um eco suspenso, e no centro desse estranho equilíbrio caminhava o tempo, o Cronos, com seus pés invisíveis, costurando instantes sobre a carne do mundo.
Tudo era confuso apenas para os olhos apressados. Porque o caos, quando visto de perto, parece ruína; mas, quando atravessado pela alma, revela desenho. O Cronos não destruía: lapidava. Tirava nomes, mudava formas, envelhecia certezas, para que o essencial pudesse emergir sem ornamento. Era ele quem partia as horas para que delas nascessem sentido, saudade, retorno e transformação.
Então compreendi que o início não era ausência de lógica, mas excesso de mistério. Nada parecia encaixar porque tudo estava vivo demais, pulsando antes da forma. E o maior sentido estava justamente nisso: no invisível alinhamento entre perda e descoberta, entre demora e revelação, entre o que termina em nós e o que, pelo tempo, finalmente começa. Como rio secreto, Cronos sorria no escuro, sabendo que cada desencontro também era destino antigo.
Quando a saúde falha e a fragilidade se revela, toda disputa perde o sentido. A única urgência legítima é cuidar, sem holofotes, sem vaidade, sem proveito.
Talvez a maior decepção de existir seja descobrir que aquilo em que depositamos sentido também pode ser aquilo que nos ensina o absurdo de esperar. No fim, a vida não precisa nos destruir; basta nos deixar perceber, em silêncio, que algumas coisas que julgávamos abrigo eram apenas lugares onde ainda não havíamos aprendido a sentir frio. E continuamos — não por esperança, mas porque até a desistência exige uma razão, enquanto o coração, esse velho condenado, insiste em sentir mesmo quando a razão já entendeu.
