Selvagem
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” (Perto do Coração Selvagem, 1944). Essa afirmação de Clarice traduz uma busca que não se contenta com o óbvio: é o desejo por algo que ultrapassa a calma aparente e rompe os limites da palavra. Quando pensamos em “emocionado”, percebemos que sentir é um gesto de libertação, um rompimento das barreiras sociais que tentam conter a alma e escondem sua vulnerabilidade.
Vivemos em uma época em que a eficiência se tornou medida de valor. A calma é exaltada como virtude, enquanto a emoção intensa é vista como desajuste, quase um erro contra a racionalidade. Nesse cenário, trocar a alma pela calma significa abrir mão da autenticidade, transformar o sentir em fraqueza e aceitar a serenidade como padrão imposto, mesmo que isso nos afaste de quem realmente somos.
Ao sufocar a emoção, o indivíduo se distancia de sua essência mais profunda. Clarice, em A Paixão Segundo G.H., mostra que o encontro com o indizível é doloroso, mas inevitável para compreender a própria existência. A calma pode oferecer estabilidade, mas também pode anestesiar, apagando o brilho da intensidade e transformando a vida em repetição sem surpresa, em rotina sem poesia. (@R_Drigos)
Pensar sobre essa tensão é admitir que viver exige equilíbrio. A emoção não deve ser reprimida, mas acolhida como parte inseparável da experiência humana. A calma, embora necessária em certos momentos, não pode se tornar prisão. Entre alma e calma, o desafio é permitir-se sentir sem se perder, encontrar intensidade sem descontrole e reconhecer que a vida se constrói justamente nos contrastes que nos atravessam.
No vazio caótico do niilismo, o amor emerge como uma alucinação selvagem, quase incapaz de se sustentar, mas persistente o suficiente para desafiar a insignificância, transformando o desespero numa esperança arrogante que devora o nada.
SINUOSA E SELVAGEM
A feminilidade perpassa por sinuosidades as quais as travessias da vida nos leva.
Nesse fluxo, o feminino é plural.
Forte e presente, Frágil e ausente, fluido e volátil.
A mulher é a capacidade ínfima da sinuosidade e da adaptabilidade, e isso é ser selvagem.
Assim, com tudo, caminha, garantindo sua sobrevivência e confiando que a vida é extravagantemente abundante e perfeita.
Mulher inteira e madura, segue a força viva da vida.
Atendendo as exigências que o viver à pede, porém sem jamais perder sua força e essência.
Pois, em comunhão há frequências de forças femininas que à sustenta.
Suas ancestrais.
E por esses laços poderosos e que somos todas....Una.
Por Erikah Aparecida
O galho de árbitro se alimenta da seiva da relva selvagem.
Na lucidez as nuvens caminha no céus,
Presente que mundo espera as chuvas chegam.
Na despedida da existência da noite ouvimos canto ecoando no vale.
A ferocidade de um animal selvagem pode ser menor que a ira guardada em seu coração, só que o animal faz pelo extinto por não ser domesticado e você por não ser evoluído espiritualmente
Os indígenas em seu nudismo selvagem conseguem manter o respeito e o trabalho mútuo entre eles, enquanto nós, vestidos da sabedoria do homem moderno, nos atropelamos nos interesses que nos afastam da coletividade.
Cavalo selvagem
Um cavalo selvagem passou correndo em alta velocidade,
O passado caiu, o esquecimento bateu a cabeça, os pesadelos ficaram assombrados com o impacto,
O cavalo seguiu firme galopando e deixando para trás seu rastro, seu cheiro e seu som,
Mais a frente o cavalo parou para comer pastagens e descansar, então foi alcançado novamente pelo que tinha deixado para trás e isso o sufocou, o assustou e com isso provocou sua reação de continuar correndo em disparada e sem direção,
O que ficou para trás desta vez nunca mais o alcançou, ficou a deriva e foi engolido pelo tempo,
O cavalo nunca mais foi visto neste terreno.
Transformar dor em combustível é alquimia selvagem, a chama que nasce do abismo, a vida que renasce incendiada pelo próprio sofrimento.
Nenhuma tempestade apaga o sol interior, a chama é selvagem, eterna, mesmo sob o peso sufocante das nuvens mais densas.
Sou o que não se doma, um cavalo errante, um verdadeiro Mustang selvagem, meu destino não se escreve em linhas, ele não tem selas,ele nasce no horizonte inalcançável.
Há uma serenidade selvagem em entender que certas feridas da alma não precisam de testemunhas, apenas de silêncio para cicatrizar.
A liberdade é um espectro selvagem que só se materializa na fronteira do outro, sua autonomia visceral encontra o limite exato onde começa o território sagrado do respeito alheio.
O amor não é esmola, mas uma enchente selvagem que transborda a própria margem, a súplica por afeto não é um ato de amor, mas a confissão faminta
da carência.
A vida não é um modelo a ser copiado, mas a tela em branco e selvagem da criação, recuse a imitação, pois o seu único imperativo é assinar a sua própria obra com a tinta indelével da sua existência.
Um homem sem conhecimento é como um selvagem das carvernas
entre as leis da Fé & Ciência a hipocrisia continua a mesma
