Seja Direto
Entre o silêncio do universo e a necessidade humana de encontrar um sentido, talvez a dúvida seja a forma mais honesta de liberdade.
Talvez Deus exista; talvez o universo seja apenas matéria, tempo e silêncio. Em ambos os casos, nossa certeza é pequena demais para julgar o absoluto.
O agnóstico deixa aberta a porta para Deus, mas não permite que a esperança seja apresentada como prova.
Talvez o universo seja uma pergunta sem autor, uma resposta sem destinatário e um mistério diante do qual toda linguagem parece provisória.
O homem criou deuses para explicar o céu; talvez sua maior tarefa agora seja aprender a contemplar o céu sem exigir que ele lhe responda.
Talvez nossa maior ignorância não seja desconhecer Deus, mas imaginar que já compreendemos suficientemente aquilo que chamamos de Deus.
A liberdade política exige que o cidadão não seja apenas destinatário da lei, mas também parte de sua legitimidade.
A liberdade exige que ninguém seja obrigado juridicamente a acreditar naquilo que não pode ser demonstrado.
O maior triunfo da razão talvez não seja descobrir todas as respostas, mas saber quais respostas ainda não temos.
O Estado laico protege a religião justamente porque impede que qualquer religião seja transformada em instrumento de coerção, reconhecendo que a verdade última sobre o transcendente permanece epistemicamente aberta.
O consumidor contemporâneo compra produtos enquanto produz dados sobre si; talvez seja esse o primeiro mercado em que o comprador paga e, ao mesmo tempo, fornece matéria-prima.
O problema jurídico do século digital talvez não seja a ausência de informação, mas a presença de uma informação tão personalizada que o indivíduo deixe de perceber o mundo fora dela.
Explicar biologicamente uma experiência religiosa não prova que ela seja falsa; tampouco prova que seja sobrenatural. O intervalo entre essas conclusões é território agnóstico.
