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Talvez o mais silencioso dos naufrágios seja perder a própria identidade enquanto se aprende, pouco a pouco, a representar aquilo que o mundo espera de nós.
A felicidade talvez seja uma porta que só se abre quando deixamos de arrombá-la; há destinos que recuam justamente diante daqueles que tentam possuí-los à força.
O contrário do pecado talvez não seja a perfeição moral, mas a coragem de acreditar que a existência pode ser vivida para além daquilo que nossos próprios limites conseguem demonstrar.
O homem talvez não seja senhor do ser, mas seu mais inquieto guardião, condenado a escutar aquilo que jamais consegue possuir.
Talvez o primeiro problema da filosofia seja descobrir se a vida merece ser abandonada antes que tenhamos compreendido por que desejamos abandoná-la.
Viver talvez não seja derrotar o absurdo, mas recusá-lo como argumento suficiente para desistir da existência.
Filosofar talvez seja aprender a contemplar a morte sem permitir que ela transforme a vida em mera antecipação do fim.
Existir é estar em relação; talvez o isolamento absoluto seja apenas outra maneira de começar a desaparecer.
A razão não precisa declarar guerra ao mistério; precisa apenas impedir que o mistério seja usado como licença para afirmar qualquer coisa.
Talvez a verdadeira liberdade intelectual seja esta: poder acreditar sem precisar fingir que acredita saber.
Levar a vida excessivamente a sério talvez seja a forma mais sofisticada de não perceber que ela está passando.
Talvez o maior talento humano seja transformar nossas próprias contradições em uma narrativa suficientemente convincente para continuar dormindo em paz.
O senso comum talvez seja a mais celebrada das virtudes e uma das menos distribuídas entre os homens.
O preconceito é uma sentença proferida antes do processo; por isso, talvez seja a forma mais primitiva de injustiça.
Talvez a maior conquista da razão não seja descobrir respostas, mas impedir que homens armados de certezas transformem dúvidas em crimes.
O homem civilizado aprendeu a esconder a violência sob palavras elegantes; talvez seja por isso que algumas injustiças chegam ao tribunal usando gravata.
Talvez a verdadeira liberdade seja isto: possuir convicções suficientemente profundas para defendê-las e inteligência suficientemente humilde para abandoná-las quando a verdade exigir.
Conhecer os limites do próprio conhecimento talvez seja a primeira forma de honestidade intelectual.
