Se Vi longe e Pq me Apoiei em Ombros de Gigantes

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Espelho

Mergulhei no sono eterno da alma,
Vi-me refletida no espelho moldurado
Em madeira entalhada ao molde europeu,
Pendurado na parede branca e fria
Analisei o espelho, e eu
De pé em sua frente procurei
Respostas para as perguntas
Que eu mesma formulei.
Meu rosto empalideceu.
Moldado pelo efêmero modelo
Que me fizeram usar,
Arranquei-o junto com toda tristeza e pranto
No chão espatifou-se a máscara fria.
Vi meu rosto em vários pedaços
Olhei-me no espelho novamente
Estava eu lá diante dele
Só a máscara caiu...

Insignificantes seriam os dias sem uma razão para comemorar, um sonho para buscar, uma razão para viver. Insignificantes seriam as horas sem um motivo para alcançar, uma intenção para resgatar, um amor para cultivar. Insignificantes seriam os minutos sem ter uma certeza de onde pisar, uma luta para continuar e uma vida sem a magia para sonhar.

Limite do tempo


Quantas e quantas vezes me vi diante do improvável. Muitas e muitas vezes. Todas elas foram substituídas por pensamentos que me levaram ao extremo da confiança, ao limite do tempo e da entrega. Sempre houve distâncias entre o medo e a coragem, mas esse intervalo serviu para enxergar o óbvio.


Hoje, olhando desta forma, sinto-me forte para encarar quaisquer dificuldades. O tempo foi meu aliado e minha fortaleza. Ao olhar para frente, percebi que meu caminho estava aberto, à minha espera.

⁠foi quando o seu olhar no meu se encontrou, então vi que me amava, e eu não podia mais resistir.

Eu já vi Deus tirar homens do fundo do poço, e também já vi Deus saciar a sede de quem estava na beira do poço.

LARVARUNCA


No terreiro da existência,
Vi um caso singular;
O varão perdeu o leme,
Deixou outro governar.
Quem já foi dono da casa
Nem se atreve a opinar.


LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.


Ela escolhe a roupa dele,
O destino e o caminhar;
Marca a hora, muda os planos,
Diz se pode ou não falar.
Ele apenas balança a cabeça,
Sem coragem de negar.


LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.


Se ela compra, ele paga;
Se ela vende, é sem consultar.
Ela muda os móveis todos,
Sem sequer lhe perguntar.
E o coitado só responde:
"Se você quiser, pode deixar."


LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.


No passeio ou na cozinha,
No descanso ou no labor,
Ela dita as regras todas
Com firmeza e com vigor.
Ele segue obedecendo,
Sem mostrar qualquer valor.


LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.


Mas cordel também ensina
Com respeito e sensatez:
Todo lar floresce mais
Quando existe altivez.
Diálogo, amor e acordo
Valem muito mais que a vez.


LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.


Homem e mulher unidos,
Cada qual no seu lugar,
Dividindo os desafios,
Aprendendo a dialogar.
Quem governa junto a casa
Faz o amor sempre reinar.


LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.

Andorinha... e a vida minha


“Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa…”
Ah! Vida sem propósitos...
Sem intento, sem intenção...
Acorda de manhã e segue qualquer sentido, qualquer direção.
O Sol sabe seu rumo... seu objetivo diário...
O que vem clarear... a vida que vem a todos proporcionar.
E isso a cada dia que pelo céu está a passar...
Ah! Vida que segue qualquer sentido...
Sem sentido certo...
Que dia comprido...
Com passos (in)certos
Rodeada de vida vive o mais estéril deserto.
O vento sopra de cá pra lá
De lá pra cá... o tempo todo a trabalhar...
Invisível ao mundo, poeira a espalhar...
Poeira a limpar!
Ah! Vida desassossegada...
dia a dia incomodada... acomodada?
Inquietada...
Impressionada...
Que não serve pra nada.
Desmediocrizada?
E ninguém me disse nada na porta de entrada.


Rosangela Calza

A CATEDRAL DAS SOMBRAS.
Parte i



Quando a noite, em veste escura,Sepultou a velha altura,Vi a Lua, fria e pura,Sobre a torre a soluçar;Cada estrela estremecida,Parecia, adormecida,Uma lágrima esquecidaSem coragem de brilhar.


Pelas naves do silêncio,Onde o Tempo fez domínio,Cada pedra era um martírio,Cada arco, uma oração;E eu seguia, passo lento,Respirando o esquecimento,Como quem transforma o ventoNo compasso do coração.


Vi retratos sem semblante,Vi um espelho vacilante,Onde o rosto do viajanteJá não ousa florescer;Pois a face que eu fitava,Mais que a minha, denunciavaToda a dor que sepultavaO desejo de viver.


Cada porta era um mistério,Cada sino, um cemitério,Cada eco, um ministérioCelebrando a solidão;E as paredes consumidas,Feitas de eras esquecidas,Repetiam, doloridas:— "Tudo acaba... tudo em vão..."


Mas ouvi, de uma janela,Uma voz serena e bela,Como a luz de uma aquarelaSobre um campo sem calor;Não cantava a esperança,Nem promessas de bonança;Era apenas a lembrançaDo primeiro e puro amor.


Meu espírito, cansado,Como um tronco abandonado,Pelo inverno açoitado,Vacilou sem resistir;Pois lembrava, entre gemidos,Os jardins já destruídos,Onde os sonhos esquecidosAprenderam a partir.


Vi então um corvo antigo,Feito sombra e feito abrigo,Que pousou, qual velho amigo,No mais alto castiçal;Seu olhar, sem ter piedade,Conhecia a eternidadeE a secreta identidadeDe todo homem mortal.


Nada disse. Nada fez.Mas o peso da mudezEra a voz da insensatezQue ninguém deseja ouvir;Pois existem mil palavrasQue são frágeis como tábuas,Mas há silêncios que lavramA sentença de existir.


Então vi que cada abismoNasce antes no organismo,Onde o próprio egoísmoErgue alta catedral;Cada culpa alimentada,Cada lágrima abafada,É uma lâmpada apagadaNo invisível funeral.


Quem combate monstros, cedoPode tornar-se o degredoDo mais íntimo segredoQue jurava destruir;Pois o mal que nos devoraNão desperta apenas fora:É a raiz que se enamoraDo jardim por consumir.


E caminhei noite adentro,Procurando algum alento,Mas achei somente o centroDo infinito labirinto;Onde o medo, soberano,Escrevia, ano após ano,Com um dedo desumano,Cada página do instinto.


Quando a aurora finalmenteTocou o horizonte ardente,Vi que o Sol, resplandecente,Não venceu a escuridão;Pois a sombra verdadeiraNão repousa na ladeira,Nem na floresta fronteira:Faz morada no coração.


Mesmo assim, subi o monte,Onde nasce cada horizonte,E rompi, qual velha ponte,As correntes do temor;Porque a noite, por mais forte,Nunca encerra toda sorte:Há mistérios além da morte,Há silêncio além da dor.


Então, diante do Infinito,Ergui firme o meu espírito,Não em gesto de conflito,Mas de lúcida ascensão;E as estrelas, uma a uma,Dissolveram toda a bruma,Transformando a antiga espumaNa mais viva criação.


Compreendi, no último instante,Que o destino mais giganteNão pertence ao triunfante,Nem ao rei, nem ao altar;Pertence ao ser que, vencido,Mesmo em sangue consumido,Faz do próprio coração partidoUma nova forma de amar.


E a noite, antes sepulcro,Fez-se trono, fez-se fulcro;Do silêncio nasceu o músculoDa coragem sem igual.Porque toda alma ferida,Quando enfrenta a própria vida,Ergue, acima da ruína vencida,Sua imortal catedral.

⁠" - Ontem eu vi um velho, hoje o velho sou eu!..." (Victor de Oliveira Antunes Neto)

“Não nasci na estrada das escadas para viver a vida sempre subindo, nasci na estrada dos buracos, vivo a vida sempre caindo, mas isso não me impede de continuar seguindo.”

"Nunca vi o boi pulando a cerca, mas já vi a vaca pulando a janela."


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"Nunca vi o boi pulando a cerca, mas já vi a vaca pulando a janela."




Wesley D'Amico

Quem não busca referências, não sabe a diferença do conhecimento para a ignorância, e vive a vida acreditando que está certo.

"A genética limita a sabedoria."
Já vi peixes voarem, mas nunca os vi construírem ninhos.

Morri...
E lá do outro lado
Eu vi
Todas as passagens
Personagens
Que eu já vivi
- E foram tantas!


Senti o vento e o lamento
De tudo que eu deixei de fazer
De tudo que eu deixei de viver
- Falhei!


Espiritualidade
Sutil
Caridade
Civil
Delicadeza
Severidade
- Comprometimento!


Assim é lá ...
- Acordei!

Haredita Angel
25.11.25

"Ontem, vi uma escultura de mulher que repousava abandonada na areia da praia.
Alguém a moldou num momento de amor ou solidão, e o mar respeitou!"
Haredita Angel
10.06.17

O tempo é imutável, pois, é consistente no seu trabalho. Nunca vi um sujeito tão deficado

Nunca vi serenamente uma vida que não vivesse mas do que realmente desejava

"A vida real acontece fora da tela. Os maiores encontros da vida acontecem quando escolhemos viver, amar e servir ao próximo."

⁠Acho que eu vi um
Serelepe levado
na árvore de cabeça
virada para baixo,
É bem parecido
quando sinto que
o coração está apaixonado,
Você não imagina
que já é meu namorado.