Se Nao for para Voar Nao Tire meus Pes do Chao
Quando estou em meus momentos de descanso e tranquilidade, baixa em mim o meu espírito de pensador e imagino que, dentro do meu velho coração em um cantinho da saudade, imagino que ainda posso encontrar o jovem de vinte anos que um dia fui!!!
Pedro Marcos
Um dos meus maiores desejos ao entrar na psicoterapia era descobrir quem eu era. Após cinco anos me deparo com o mesmo questionamento. Me deparo com o mesmo questionamento mas, o que mudou, foi o espanto da descoberta. Se segue assim, no inicio: o mundo. Logo depois vem a ideia: associação livre. Quando a apreendi, nunca mais parei. Meu inconsciente não se segurava mais. Ainda o seguro. Estava prestes a descrever uma série de etapas que se seguem quando se quer seguir etapas afim de obter uma máxima quando percebi que, depois da associação livre, me perdi. Descobri tantos novos caminhos. Poderia falar da série de fragrâncias com cheiros exóticos que descobri: sangue, plástico, pele, iodo. Não, não era isso o que queria dizer. O que quero dizer é que: aprendi a gostar de fragrâncias! Lembro de quando era pequeno, ia ao mercado central da cidade. La encontra-se de tudo: Galinha, pombo, cobra, rato, queijo, tempero, goiabada. Tudo isso misturado me gerava uma extrema náusea - odor fétido. O estranho que, depois de organizado, se tornou cheiro. Sei que, quando criança não era capaz de distinguir todos os odores, acabava misturando tudo em uma coisa só. E ai vinha um odor fétido - que não pode nem ser chamado de cheiro. Ah.. as produções humanas. Todas sempre me fascinaram assim como seus criadores. Gosto mesmo é de pegar um pensamento e escamá-lo. Moldá-lo. Emaranhar-me em sua elasticidade, tocá-lo de dentro para fora a tornar visível externamente o relevo de meu toque sob a superficie. Depois quero virá-lo do avesso. Durante o processo, caso o locutor se perca assim como perde-se entrando em uma rua desconhecida, seu corpo é passível de acomodar-se entrando em sincronia invertida, descompasso de onda - pulsar, assim como se faz o coração: Tu dum. Percebe, entre o _Tu_ e o _Dum_ existe um espaço, eles não são no mesmo tempo mas também não são espaços iguais em tempos diferentes. Uma vez li que a diferença de um pulsar para o outro indica a capacidade do ser vivo de se adaptar e permanecer vivo em meio as mudanças. Quem diria que, através do coração se pudesse saber da mente. Milênios que separam a mente do coração. Nunca pensamos na possibilidade de serem um sistema conjunto. Meu coração bate, minha mente age. As vezes minha mente bate de frente, mas meu coração não mente: age! Não é todo dia que isso acontece, mas quando acontece, sinto que posso enfrentar o mundo: A brisa do amanhã oferece, ao encontrar-me em meu caminhar, um suspiro aldeídico de esperança - movo-me, ajo! Os dias ordinários continuam, o que muda é a lente ocular. Foi tarde que descobri a possibilidade de troca. Claro, está muito abstrato. Amiúde, quando lhe desabrocharem as graças, troque-as. A mudança exige um certo tipo de expertise. Esteja disposto a encontrá-la e aprimorá-la, afinal, ninguém anda por ai com os óculos sujos. Mas chega de falar de óculos até porque, não faço uso. As vezes não enxergo. Não por falta de luz. Não enxergo à luz do dia! Não como Diógenes. Não enxergo pois estou tão entranhando em uma linha de pensamento que, as vezes esqueço de processar as imagens que estão sendo recebidas e processadas. Deixo esse processamento em Stand-by. Ah como seria bom se pudéssemos levar as coisas mais no stand-by. Logo sinto um calafrio, assusto, começo imediatamente a ação mecânica de analisar e categorizar toda luz que entra nesse cano que chamo de olhos. Não sei, poderia falar mais quanto quisesse. Não estou falando! Me dispus de um tão mais renomado trabalho, o da seleção de palavras para dizer - mas dizer o que se não falo nada? A diferença entre dizer e falar é da mesma natureza ontológica entre hear e listen, no inglês. Seguimos com o exemplo:
Can anyone hear me?
Alguém pode me ouvir?
Curiosamente podemos escrever e traduzir:
Are you listening to me?
Você esta me ouvindo?
Percebe? O emprego de duas palavras, em inglês, distintas se deu em uma tradução, em português, idênticas.
A diferença esta no afeto. Há sim! As palavras afetam. Primeiro: Nossas cordas vocais geram ondas físicas que são percebidas por partes do nosso aparelho auditivo que separam e, com a ajuda do cérebro organizam o som para nosso entendimento. Ufa...! Não só isso, estava prestes a dizer o modo que a diferença ontológica entre hear e listen se dá: Hear é vago, pense, podes ouvir um ruido na rua de um carro. O som se torna tão insignificante que sei bem que mal percebeu. Agora, acredito que, ao primeiro contato da onda do som de um homem aos berros aos seus tímpanos, o interesse florescerá e a atenção será furtada de modo tão sutil como o da arte dos batedores de carteira. Define-se essa diferença ontológica através da atenção do ser que se coloca naquilo. Quando se fala, se pode falar qualquer coisa, minha mãe dizia: Até papagaio fala! Mas quando se diz, deposita-se a verdade da existência de si ao que está sendo proferido: Quando digo Digo, digo Digo, não digo Diogo. Quando digo Diogo, digo Diogo, não digo Digo. Na maioria do tempo estamos falando - ah, e como falamos! Mas quando queremos dizer algo, em inglês diríamos: _I mean it_. Em tradução literal: Eu significo isso. Em tradução livre: quero dizer. A palavra interpola entre a ideia e o ser da coisa, o sentido. Nem sempre funciona muito bem, mas pra isso, temos as outras artes. Claro, como exprimir os infinitos pensamentos do ser humanos nas palavras? Delas, faço de instrumento. E, nessa repetição mecanicamente instrumental que é falar, um dia, disse. Disse: Não quero ser! Mal sabia o que era, mas, o que era, não me dizia mais. Mal sabia se era, mas se o era não queria mais o ser. Quero ser! Mas o que ser? Não sei, quero ser, não importa o que ser, além do mais, passei a achar o ser em seu singular muito tedioso. Quem é, é! Não há de ser outra coisa. Se a maçã é vermelha é porque é! A não ser que seja maçã verde - não é. Nunca vi uma maçã cor de rosa.
E se um dia eu, como maçã, não querer mais ser vermelha? A quem devo à suplica de meu ser? Pergunto pois, no mesmo instante rogarei: quero ser cor de rosa! E se o Deus das maçãs escutar as minhas preces, ficarei feliz ao saber que, ao mínimo pigmento que cobre a superfície lisa e brilhante de meu ser, fui inventada enquanto maçã. Bom, é da palavra que tenho então hei de usá-la! Usarei-a sem sentido dessa vez: Biboca, Pimpolho, coração de neném, cão, gato, sapato, amianto, aparelho, internato. Proponho um desafio, já propus o dizer - e o falar - bem como o escutar - e o ouvir. Agora peço que, escute o que vou lhe escrever. Não. Não. Melhor. Escute as palavras. Não! Não! Melhor! Se escute as palavras que tenho a lhe dizer:
Biboca, Pimpolho. Coração de Neném. Cão, gato, sapato, amianto, aparelho. Internato!
Se pões atenção ao que se ouve, creio que tenha sacado de inicio o rimar das palavras antes mesmo de eu as dividir na ordem que devem ser faladas. Aqui _faladas_ pois aqui o que importa é seu som, não seu sentido. Repita mecanicamente e verá que criou-se do que se imaginava não ter serventia alguma, a mecanização instrumental de falar as palavras, uma rima! Usai-vos os sentidos! Acredito que a ideia acerca da existência de sentido quando a palavra falta tenha se lançado a luz da dúvida aos instrumentalistas de plantão. Repito: Para isso temos outras artes. Se o que tenho é a palavra, hei de usá-la. Desta vez, usarei-a com sentido: preciso ilustrar uma imagem que ganhe sentido através da palavra: eis o ser. Sendo assim, comecei a falar dizendo. Sempre que falo, digo! Sempre que digo, digo de mim. Por ai, digo que escuto o que dizem de mim e assim, sou sendo.
*Hoje a minha maior disputa será eu versus eu, e em meus versos, só serei eu versus eu, eu criança versus eu adulto, eu longe de ti versus eu, assim me vejo versando sem lembrar do eu versus eu, até que!*
(Saul Beleza)
Me disseram que sou medíocre ao fazer minhas postagens e escrever meus versos, gostei de saber disso, mas te falo com toda minha mediocridade, não escrevo para te agradar, escrevo por ter vida.
(Saul Beleza)
Nem imagina o estrondo que saudade faz
Ecoa no peito, sem parar
Eu aqui com meus madorno, sonhos repentinos
Vendo tua imagem, sem te encontrar
A distância é um abismo, que não se cruza
Só resta a memória, e a vontade de voltar
Mas por agora, só resta sonhar
Com o reencontro, e o abraço que vai durar.
(Saul Beleza)
Quando a felicidade vacila e some,
E a tristeza invade, trazendo dores, fazendo um estrago nos meus dias, no peito um nó,
mas mesmo na sombra, uma luz pode brilhar,
Quando a escuridão aperta o cerco
E o silêncio é o único som.
Lento, o tempo passa, e a dor não cessa
contudo no fundo, uma faísca resiste, um pulsar.
E essa faísca, pequena e frágil é a chama da esperança, que não quer morrer.
Ela lateja, lateja, e aos poucos cresce e ilumina o caminho, e a dor começa a ceder.
(Saul Beleza)
Chega mais,
Já tirei os sapatos na porta da tua frase,
e espalhei meus versos pelo colchão.
Se aqui também é seu lugar,
vou puxar uma cadeira feita de nuvem
e pendurar um quadro torto na parede
com o título: "Casa onde o preciso vira poesia"
Traga um bule de ideias fervendo
aqui tem um barulho de grilo afinado em lá menor
pra gente rir do silêncio quando ele ficar sério demais.
Tô em casa. Qual cômodo a gente bagunça primeiro?
(Saul Beleza)
*Toda Tarde*
Todas as tardes dos meus dias
Carregam uma saudade que machuca.
Ela acorda quando tocam antigas canções,
Aquelas que têm cheiro de nós dois.
E o sol, cúmplice, vai pro horizonte
Me chamando pra ver o dia morrer.
É convite e é lembrete:
Tudo passa, mas nem tudo vai escurecer.
Hoje eu vejo: o tempo correu.
Levou meses, levou anos, levou pressa.
Mas não te levou.
Você ficou presente desde aquela tarde
Até esse agora em que escrevo.
A saudade não apagou.
Ela só aprendeu meu nome,
Sentou do meu lado no anoitecer
E me ensinou que lembrar também é forma de ficar.
Tem memória que é ferida e tem memória que é casa. E a minha parece ser as duas.
(Saul Beleza)
*O tempo:*
O tempo calou minha voz, anuviou meu olhar, desacelerou meus passos, encheram de neve meus cabelos.
*Tudo tem seu tempo e passa,* e se você não si ligar vai passar com o tempo sem ver o tempo passar.
*Maldito seja o tempo que passa tão ligeiro e bendito seja o tempo que nos deixa envelhecer.*
Hoje sou o tempo, que de tempos em tempo não me deixa te esquecer.
*Volta! Ainda temos tempo.*
(Saul Beleza)
Maio/2026
*Louca Madrugada*
É na noite que dorme e na madrugada que é curta,
que meus pensamentos em ti são longos e tortos.
O travesseiro molha, o relógio não anda,
e o coração insiste em te chamar.
Todo mundo descansa, menos a saudade,
ela fica acordada fazendo amizade.
Com lembrança, com dor, com o que ficou pra trás,
e eu conto estrela até clarear.
(Saul Beleza)
A ti..
A ti, pertence o meu coração
Em ti, estão concentrados os meus pensamentos
A ti, pertence o meu amor
Por ti, tenho a paixão mais pura
Por ti, todo o meu querer
Em ti, fixo o meu olhar, o olhar de quem ama sem querer parar
*Caio Camara Cesar*
Talvez eu nunca consiga ser o irmão que os meus merecem, mas fui agraciado com os melhores. Minha eterna gratidão, Pai!
Nem nos meus melhores momentos de descontração, me atreveria a brincar com os infortúnios de alguém…
Mas me atrevo a dizer que talvez não haja câncer mais agressivo que a metástase que há muito assola o Congresso Nacional.
Nem mesmo nos instantes de maior descontração ousaria brincar com os infortúnios que a vida impõe a alguém.
A dor alheia, por mais distante que pareça, nos exige muito respeito — porque amanhã, uma igualmente ou até pior, pode bater à nossa porta.
Mas, olhando para a realidade política, percebo que talvez não exista câncer mais agressivo do que aquele que corrói as instituições por dentro.
A metástase que há muito tempo assola o Congresso Nacional não é feita de células doentes, mas de práticas que se multiplicam despudoradamente: corrupção, privilégios, conchavos e o desprezo pelo povo.
Diferente de uma doença física, que a ciência e a esperança tentam curar, esse mal se fortalece no silêncio da sociedade e na acomodação de quem já se acostumou com ele.
E assim, geração após geração, vamos herdando um corpo político debilitado, enfraquecido e refém de suas próprias deformações.
Se um câncer no corpo humano ameaça a vida, o câncer da política ameaça a própria noção de futuro coletivo.
A diferença é que, nesse caso, a cura não depende apenas de médicos ou remédios, mas da coragem de uma sociedade inteira em não se conformar.
Crescendo em Estatura e Graça, está aquela que veio para Laurear meus dias e, por vezes, me salvar até de mim mesmo: minha neta favorita!
Depois que meus pais se foram, já aconteceu tanta coisa que me oportunizou louvar a Deus pela partida deles…
O mundo se abarrotar de santos se apoderando da verdade é uma delas.
Gente que não viveu o silêncio das perdas profundas, mas que fala como se tivesse atravessado todos os desertos da alma.
Há uma pressa em se declarar dono da razão, como se a dor não ensinasse justamente o contrário: que quase nada nos pertence, nem mesmo nossas certezas.
Quando meus pais partiram, eu imaginei que o vazio seria definitivo.
Que a ausência deles abriria um buraco impossível de contornar.
Mas o tempo — esse mestre paciente e muitas vezes incompreendido — começou a revelar algo incômodo e, ao mesmo tempo, libertador: a vida não pede permissão para seguir.
Ela continua, com ou sem a nossa concordância.
E é nesse seguir que a gente aprende.
Aprende que o amor não termina com a morte, apenas muda de forma.
Aprende que a saudade não é um peso a ser descartado, mas uma presença que nos molda.
Aprende, sobretudo, que a verdade não grita — ela sussurra, quase sempre nos momentos em que estamos mais vulneráveis.
Talvez por isso me cause estranheza ver tantas vozes cheias de convicção, tão seguras de si, tão rápidas em julgar, tão prontas para ensinar.
Porque quem já perdeu muito sabe: a vida não é um palco para certezas absolutas, mas um caminho de constantes revisões.
Hoje, ao olhar para trás, eu percebo que a partida dos meus pais me arrancou ilusões que talvez eu nunca tivesse coragem de abandonar sozinho.
E, paradoxalmente, foi nesse arrancar que encontrei uma forma mais honesta de fé — menos barulhenta, menos exibida, mais íntima.
Louvar a Deus, então, deixou de ser apenas agradecer pelo que eu compreendo.
Passou a ser também confiar no que eu jamais entenderei por completo.
E talvez seja isso que falte a esse mundo cheio de “donos da verdade”: a experiência de reconhecer que há perdas que não se explicam, apenas se atravessam — e que, ao atravessá-las, a gente não sai maior nem menor, sai mais humano.
Amo Viver Intensamente cada um dos meus dias como se fosse o último, pois sei que um belo dia hei de acertar.
Esse Propósito pode até soar ousadia, mas ele não fala sobre esperar literalmente o fim.
Ele diz muito mais sobre valorizar o agora.
Afinal, ninguém conhece o amanhã.
O tempo é o único bem que recebemos sem garantias, e, ainda assim, é o que mais desperdiçamos acreditando que sempre haverá outra oportunidade.
Viver intensamente não significa viver desrespeitando os limites.
Significa amar sem economizar sentimentos, abraçar quem faz bem, perdoar quando o coração permitir, agradecer pelas pequenas conquistas e encontrar beleza até nos dias difíceis.
É entender que a intensidade está na presença, não na pressa.
Quando percebemos que cada amanhecer pode ser único, deixamos de adiar palavras importantes, sonhos possíveis e gestos de carinho.
Passamos a dar menos valor ao que nos afasta da paz e mais importância ao que realmente alimenta a nossa alma.
Se um dia este for realmente o último, que ele encontre em nós alguém que viveu com propósito, que espalhou bondade, que colecionou memórias em vez de arrependimentos e que fez da própria existência um testemunho de gratidão.
No fim das contas, viver intensamente é a forma mais charmosa e sincera de honrar o presente que é estar vivo.
E, enquanto esse último dia não chega, que cada novo amanhecer seja mais uma oportunidade de viver, amar, aprender e deixar um pouco de luz por onde quer que passemos.
Entre caminhos desertos e ruas escuras, vou dando os meus passos a espera de um dia encontrar a luz de que eu preciso para me encontrar
Provavelmente e digo eu que nada sei, a geração dos meus pais (agora nos 70's) será a geração com maior esperança de vida de toda a vida no planeta terra. E se assim for só tenho a agradecer por isso
Amor, toque-me, sinta-me. Olhe em meus olhos, veja como eles brilham só em lhe ver. Sinta meu coração, ele é seu.
