Se for Triste Carlos Drummond
Acima do céus,Abaixo do Inferno no centro de tudo e afora irei explora-lo e tomarei sua existência para mim
Amar é como uma queda.
Desde a felicidade de voar,
ao ponto em que gritar
não vai adiantar e
é impossível
voltar atrás.
Amor é uma queda,
acabar é morrer.
Mente vazia é a oficina do Diabo
ele que perca, pois essa vai cheia
uma oficina só minha.
— para tornar meu mundo
um inferno ou o céu.
Romantizar a ilusão tem seu ponto positivo, entendo de verdade quem prefere a ignorância. Afinal, falaram tudo sobre a caverna de Platão, menos sobre o seu conforto.
Não é desistir, quando se pode apenas parar.
Se a meta é vencer: razoabilidade não deveria ser uma questão.
Autores escrevem sentimentos mas não podem entregá-los diretamente. Os livros são a caixa em que eles vão guardados.
Prole preza pela peste
pondo passos
passado poderia
penhorar pedras por pães
parava perdido
padre procurado
polêmico pânico
propicia presença
penumbra pilantra preda
pioneira primeiro
precária progênie
ame o conhecimento, antes de tudo. Há aqueles que amam ideias, mas nunca alcançam o conhecimento, é inevitável, afinal, o pensar que sabe é a ideia mais famosa
Uma manhã amena
Regida pela busca de igual valor
A correspondência posta a julgo
O passo dado e o ranger da catraca
Contifica indiferente esses seres numerados
O correpondente clama
As rodas vencem o atrito do asfalto
O trajeto é projetado em metas
A cada ponto dado treck treck
Da catraca do troco do sonho
Que se desfaz em cheiro de gasolina
E fuligem que cobre esses solitários
Na busca da correspondência
O remetente tinha pressa de cumprir o seu trabalho
Não se esperava a calma toda do destinatário
Que descia lentamente as escadas
Olhava pras placas procurando a rua que conhecia
A mais de quarenta e cinco anos
Na busca da correspondência
Viu um envelope no caminho
No correr para por
No fazer da corrida para
No parar e de modo poder
João e Maria
— Joana me diga, e Maria?
Que fará?
João se foi, coitadinha.
Onde será que ele está?
— Silêncio, menina atrevida.
Quem te mandou falar?
E se quem vem vindo é Maria?
Não deixe te escutar.
— Pois Joana, me conte baixinho.
Que ela não nos ouvirá.
E me diga se é ela que vem vem vindo
Aquele vulto que se assoma por lá.
— Menina atrevida me poupe, vai me deixar descansar
Se te digo o que sei de Maria?
— Tenha certeza Joana querida.
Certeza que não vou apurrinhar.
— Escute, escute.
Maria, Maria.
Casou com o safado,
Contra a família.
Tinha adoidado,
Como você bem disse, a coitadinha.
— Pois então, não há aí algo que já não sei?
— Escute, escute.
Menina atrevida.
Me deixe terminar.
João, safado já era casado.
E Maria deixou-se enlaçar
— Ela sabia?
— Sabia
— Não diga.
— Já disse, sabia.
— Não sabia?
— Me deixe continuar.
Escute, escute.
Menina burrinha.
Maria é que vem vindo
Deu de voltar
João deu de fugido
Já era fingido
Deixou esposa e outra pra trás.
— Outra?
— Maria!
— Maria?
— Outra!
— Outra!
— Menina, tu é burra? Se cuida.
Que acabo de me emburrar.
Escute, escute, rapidamente.
Que Maria vem longe,
Mas logo vai chegar.
Maria traída, se juntou com a que traía
Pra tentar encontrar o fugido.
— E acharam?
— Não sei.
— Como não?
— Eu não estava lá.
— E como sabes tanto!
— É que…
— Não conte que estou aqui Joana maldita,
Não conte que me escondo cá.
— João cala a boca…!
(Toc toc) (abre porta)
— MARIA!??
— Oi Joana, oi menina. Que estão a cochichar?
Venho de longe, procurando um bode
Que fugiu do rebanho.
Um bode que eu vou castrar.
— Maria, não diga, que isso, menina.
Maria te digo bode nenhum veio aqui parar.
Né menina atrevida?
— Te digo Maria, não vi bode.
Vi cabelera farta.
Vi bigode.
Vi um safado de voz forte.
Um safado escondido cá
