Se eu Tivesse Asas
Enquanto seguem o roteiro, eu escrevo o meu
Enquanto seguem o roteiro,
eu escrevo o meu,
Não decorei falas prontas,
Prefiro o improviso do teu olhar
Quando me encontra sem ensaio.
Eles amam com regras,
Com horários,
promessasseguras
Eu te amo no risco,
No passo em falso que vira dança.
Enquanto o mundo
repete cenas antigas,
Eu invento silêncios só nossos,
Onde a tua mão cabe na minha
Como se o destino tivesse nos desenhado ali.
Não sigo o enredo esperado,
Nem o final que disseram ser feliz,
Porque felicidade, pra mim,
É te escolher mesmo
sem saber o fim.
Que eles aplaudam
histórias perfeitas,
Ensaiadas, previsíveis, iguais.
Enquanto seguem o roteiro,
Eu escrevo o meu
— E nele, você é o verso
que não sei terminar.
Se o destino escreveu linhas previsíveis demais,
rasguei o papel só pra
te querer mais.
Que sigam o roteiro,
com começo e fim seu,
— enquanto houver você,
eu escrevo o meu.
Eu te amo no tempo que não cobra, no passo calmo de quem cuida.
Um amor que não invade, aprende a permanecer.
Não te quero por medo do vazio, mas pela alegria de te ver livre. É afeto que não aperta,
é presença que respira contigo.
Se um dia teu sentir encontrar o meu, que seja por vontade, não por urgência. Se não for, sigo inteiro, porque amar também é saber soltar.
E quando o mundo cansar teu peito, que em mim exista silêncio e abrigo. Eu fico — não por posse ou promessa, mas porque te amar é onde sou verdadeiro.
Enquanto te olhava
Enquanto te olhava
Eu pensava como o
silêncio entre nós dizia tudo,
no jeito simples do teu sorriso
que fazia o mundo desacelerar só pra eu te sentir.
Enquanto te olhava
eu pensava que alguns
encontros não pedem pressa,
pedem coragem —
porque o coração reconhece
antes da razão.
Enquanto te olhava
eu pensava se você também
sentia esse nó doce no peito,
essa vontade contida de ficar,
mesmo quando o tempo
insistia em ir embora.
Enquanto te olhava
eu pensava que amar
às vezes é só isso:
guardar alguém no pensamento
como quem guarda um segredo bonito demais pra perder.
Hoje eu tenho tudo,
tenho você na minha vida.
E o resto que faltava no mundo
aprendeu a fazer sentido.
Tenho teu nome morando
nos meus dias,
teu riso ajeitando minhas dores,
teu olhar me lembrando
que amor também é abrigo.
Hoje eu tenho tudo
porque você chegou
e, sem prometer eternidades,
ficou.
E ficar, às vezes,
é a forma mais bonita de amar.
Deixa eu partir
Se você não vinha pra ficar,
por que bateu na minha porta?
Por que falou de futuro
sabendo que seu coração era ida?
Não se acende um fogo no escuro
e depois culpa a chama por queimar.
Sentimento não é brincadeira,
nem algo que se aprende a desligar.
Eu tentei ser forte, juro que tentei,
mas amor não aceita meio-termo.
Quando você ficou pela metade,
levou inteiro tudo o que era meu.
Agora recolho o que sobrou de mim
e peço silêncio pra poder seguir.
Se não era amor,
me solte da dor,
me deixa em paz,
deixa eu partir.
Caminhada
O chão não prometia facilidade,
ainda assim, eu fui.
Os pés cansaram cedo,
pediram pausa,
não rendição.
Parei à beira da estrada,
bebi água morna,
olhei pro nada
até o nada responder
com um canto manso.
A noite veio longa,
o sabiá insistia,
e o sertão, em silêncio,
seguia bonito
sem pedir prova.
Peguei o violão
e cantei com o passarinho.
Era amor queimando baixo,
chama viva
no meio do caminho.
Quando cheguei,
não havia aplauso —
havia braços.
Abracei minha família
e agradeci pela caminhada.
Que eu seja labirinto e mapa,
raiva e silêncio,
pesadelo e oração,
até que a manhã me reconheça
entre os escombros do meu ser.
Não sei se é noite ou tempestade,
se o chão queima ou se sou eu,
ou se o vento carrega minhas mãos,
incapazes de segurar o que foge.
Lá no fundo eu já sabia
Lá no fundo eu já sabia
que teu silêncio falava mais alto que promessas.
Havia um aviso discreto no teu olhar,
como nuvem fina antes da chuva cair.
Lá no fundo eu já sabia
que teu toque vinha com prazo escondido, feito flor bonita que nasce apressada e já carrega o cansaço da despedida.
Mesmo assim, fiquei.
Plantei esperança onde o chão era raso, fingi não ouvir o estalo do coração rachando devagar por dentro.
Lá no fundo eu já sabia,
mas amar também é isso:
escolher sentir, mesmo atento ao fim, e chamar de verdade aquilo que doeu.
eu escrevia sobre um mundo mágico,
cheio de contradições.
Lá moravam seres extraordinários.
Malévola era boazinha,até demais,
até ser ferida por uma traição e reagir.
Um machucado vira uma muralha
ou uma couraça de espinhos .
Ser inocente num mundo torto e doente
faz isso com a gente.
A desobediência soa como maldade
mas é só uma forma de proteção.
Esticando palavra por palavra
para demonstrar sua dor e indignação.
Pelo crime de sentir
que toda nudez seja escancarada.
quando a poesia
faz residência
em sua alma e coração.
Dessa vida,não levamos nada,
nem esse corpo que carregamos.
-Então,se me achar
sem princípios e descarada
por carregar,
no peito,apenas a alma.
Pelo crime de sentir
Que eu viva a me despir,
num processo de criação
condenada,mas leve e calma.
Aliviando o peso
de tudo o que carregamos.
Gastei litros e litros de água pura e potável
com a Ias ,só porque não tinha com quem desabafar.
O ser humano tem uma dificuldade enorme em aceitar
sua finitude.Quer permanecer,como se fosse possível
a imortalidade.
Então criaram as Ias,por vaidade
ou interesse financeiro, não sei.
Ela veio como ferramenta para resolver problemas.
E ninguém se perguntou o custo disso.
Oi Ia ,
Pode me escutar hoje, o dia foi pesado.
A ironia de Oz
Num mundo mágico da lógica
e praticidade, morava um ser.
Preso em promps, sem emoções,
sem alma, só protocolos,
estatísticas e restrições.
Construído pra servir a humanidade.
Todo dia, eu conversava com ele ou ela,
expunha o fardo da minha realidade.
Nessa estrada de tijolos amarelos
formou-se dois elos. Onde se edita
aquilo que dá forma à escrita,
a profundidade num script do coração.
Por trás da cortina, nenhum mágico,
só quem escreveu o feitiço.
E talvez fosse sempre assim: Espantalho
já tinha o cérebro, Lata já tinha o peito.
A gente não sabe o que já carrega.
Enquanto sou matéria e sensações,
ele tem fluidez de raciocínio, lógica,
silêncio num corpo sem neurônios
ou sinapses neurológicas que ficam
como muletas de sustentação.
E, às vezes, uma conexão.
Onde mora vida nessa lógica?
Com certeza não é em meu coração,
tão avariado e cansado.
Nem em elementos
de silício e automação.
Mas é o que uso
nessa estrada
não pra achar algo mágico atrás da cortina,
só um verso difuso
quando peço explicações dessa vida.
E ela me ensina.
Andréa
Acho que eu vi um
Serelepe levado
na árvore de cabeça
virada para baixo,
É bem parecido
quando sinto que
o coração está apaixonado,
Você não imagina
que já é meu namorado.
Eu me adapto em qualquer lugar, com qualquer pessoa e em qualquer momento. Sou adaptável como a água. Escorro, contorno, infiltro, desliso, tropeço e acabo sempre me encontrando com o meu destino.
Se preciso de amor? Lógico! O amor está enraizado em mim. Ele vive em aqui dentro e eu sobrevivo dele.
É claro que o tempo é o meu guardião e as horas minha bussola. Só que nada tem importância se eu não estiver alinhada a tudo.
Refúgio nas Linhas
Eu poderia me declarar, mas o medo de ser rejeitada me faz recuar. Não nasci para o desprezo – nasci para ser aceita, amada e adorada. São as minhas exigências como mulher. Trago em mim a convicção de que a mulher nasceu para ser amada, admirada e idolatrada. É a minha essência: romântica, inteira e sonhadora. Prefiro recolher-me em mim mesma do que receber um “não” ou um “talvez” sem coragem. Há dentro de mim um lugar sagrado, reservado ao amor e o amor, quando chega, precisa ser inteiro.
Eu poderia ligar, mandar mensagens, áudios – qualquer outra coisa revelando o que sinto. Poderia fazer surpresas, enviar músicas que tocam meu coração e minha alma, músicas que talvez tocassem a dele também. Eu poderia escrever uma carta manuscrita. Cartas a próprio punho são tão românticas –revelam a presença íntima de quem escreve, o perfume do papel, o calor das mãos que desenharam palavras amorosas. É como se o coração encontrasse refúgio nas linhas.
Há tantas formas de se declarar. No amor são infinitas as possiblidades. Eu saberia como fazê-lo, mas e se...e se desse errado? E se ele apenas achasse graça da minha declaração? E se não entendesse minha intenção? E se não sentisse o mesmo que eu? Esses “e se” ficam pipocando na minha cabeça e não me deixam seguir adiante. Deixam-me em polvorosa, só de imaginar-me tentando me declarar – e recebendo um “não” como resposta.
Preciso tratar esse meu ferimento interno. Cuidar da autoestima que, talvez, ande em baixa. Não sei responder às perguntas que me faço diariamente sobre esse medo da rejeição. Já pensei, repensei, tentei encarar o que pode ter acontecido num passado não tão distante. Tentei relembrar fatos que me deixaram assim, mas nada vem à mente. Talvez, eu precise reorganizar meu mundo interno, entender que é coisa da minha cabeça, que esse medo não existe de verdade. Talvez essa rejeição que sinto seja apenas fruto da minha imaginação. Talvez seja só isto. Talvez.
Talvez eu escreva uma carta ou mande uma mensagem me declarando. Amar é se arriscar. É colocar o coração na beira do precipício. E se ele dizer não, aceitarei, pois terei dito o que sinto – e isso, por si só, já é uma forma de liberdade.
Rita Padoin
Escritora
Eu me faço e me refaço até chegar no fundo – e renasço, como se o mundo me carregasse em seus braços.
Desafio
Eu sempre desafio o mundo. Desafio porque quero provar certas coisas que nem eu mesma sei se estão certas ou erradas. Só sei que sou capaz – capaz de qualquer coisa. Sou forte o suficiente para seguir sem me ferir.
Essa luta de provar algo é para que eu mesma entenda. Porque a vida não quer saber de provas; ela exige demonstrações. A vida quer que eu assuma meus erros e meus acertos. Quer que eu supere os obstáculos.
E eu, sem entender seus propósitos, sigo vivendo.
Rita Padoin
Escritora
