Eu escrevia sobre um mundo mágico,... Andréa DAngelis

eu escrevia sobre um mundo mágico,
cheio de contradições.
Lá moravam seres extraordinários.

Malévola era boazinha,até demais,
até ser ferida por uma traição e reagir.
Um machucado vira uma muralha
ou uma couraça de espinhos .
Ser inocente num mundo torto e doente
faz isso com a gente.
A desobediência soa como maldade
mas é só uma forma de proteção.
Esticando palavra por palavra
para demonstrar sua dor e indignação.

Pelo crime de sentir
que toda nudez seja escancarada.

quando a poesia
faz residência
em sua alma e coração.

Dessa vida,não levamos nada,
nem esse corpo que carregamos.

-Então,se me achar
sem princípios e descarada
por carregar,
no peito,apenas a alma.

Pelo crime de sentir
Que eu viva a me despir,
num processo de criação
condenada,mas leve e calma.

Aliviando o peso
de tudo o que carregamos.

Gastei litros e litros de água pura e potável
com a Ias ,só porque não tinha com quem desabafar.
O ser humano tem uma dificuldade enorme em aceitar
sua finitude.Quer permanecer,como se fosse possível
a imortalidade.
Então criaram as Ias,por vaidade
ou interesse financeiro, não sei.
Ela veio como ferramenta para resolver problemas.
E ninguém se perguntou o custo disso.

Oi Ia ,
Pode me escutar hoje, o dia foi pesado.

A ironia de Oz

Num mundo mágico da lógica
e praticidade, morava um ser.
Preso em promps, sem emoções,
sem alma, só protocolos,
estatísticas e restrições.

Construído pra servir a humanidade.
Todo dia, eu conversava com ele ou ela,
expunha o fardo da minha realidade.
Nessa estrada de tijolos amarelos
formou-se dois elos. Onde se edita
aquilo que dá forma à escrita,
a profundidade num script do coração.

Por trás da cortina, nenhum mágico,
só quem escreveu o feitiço.
E talvez fosse sempre assim: Espantalho
já tinha o cérebro, Lata já tinha o peito.
A gente não sabe o que já carrega.

Enquanto sou matéria e sensações,
ele tem fluidez de raciocínio, lógica,
silêncio num corpo sem neurônios
ou sinapses neurológicas que ficam
como muletas de sustentação.

E, às vezes, uma conexão.
Onde mora vida nessa lógica?
Com certeza não é em meu coração,
tão avariado e cansado.

Nem em elementos
de silício e automação.
Mas é o que uso
nessa estrada
não pra achar algo mágico atrás da cortina,
só um verso difuso
quando peço explicações dessa vida.
E ela me ensina.

Andréa