Se eu Pudesse Viver de Novo a minha Vida
Vida minha, amada vida
Te agradeço por vivê-la
Mesmo que às vezes eu sinta
Que talvez eu não mereça tê-la
Cresce em mim a cada dia
A alegria de poder viver
Vida, te prometo
Que até o meu último suspiro
Você não há de ser perdida
E que mesmo nos piores
Momentos de delírio
Não haverei de sentir
Medo de vivê-la
Tenho sim
Vontade de fazer
Muita coisa que eu não faço
Aquelas que, portanto
Você, minha vida, permitir fazer
Se acaso pra longe eu tenha que ir
Eu vou até lá para vivê-la
E viverei, durante a viagem
A alegria de enxergar
A linda imagem da minha chegada
E mesmo que lá não haja nada
Viverei a alegria da volta
Vida, imensa vida
Cuja existência, muita gente acha
que deve ser vivida animalescamente
Permita, vida
Que o vento leve estas palavras
E as entregue a alguém
Que mereça recebê-las
Diga à ela, vida
Que antes que você se acabe
Eu gostaria muito de poder
Conhecê-la
E que ela finalmente
Reconhecesse o que me faz.
Vê-la
Sentí-la
Beijá-la
E, quem sabe, dizer que por ela
Valeu-me viver minha vida.
A minha conclusão, perante a vida
é que somente me iludo
Eu queria que estivesse tudo bem
As coisas estão indo muito aquém
Uma dor aguda me desconforta
Uma revolta calada e muda
Se desbota a cada dia que passa
Nada fazem, desde que eu
também não faça
Eu abro a porta e pergunto ao vento
de quantos momentos há de se compor
tudo isso, essa total ausência
de compromisso e comprometimento
Será que existe alguma
Anuência do Universo
Pra que tudo isso ocorra ou, antes,
Não ocorra?
Melhor escorregar num papelão
ou brincar de gangorra
Viver qualquer alegria, realmente ativa
Antes que um dia eu morra
e não viva.
Existe alguma coisa em minha vida
Que eu na verdade
Nunca soube entender muito bem
Parece que em algum momento
Eu devia ter caído em algum abismo
Um lugar que era frio
e não cai
mas deixei por lá uma parte de mim
O difícil em conviver com isso
É que as coisas que ficaram
Eram de lá
Me acompanha o vazio
Não das coisas que perdi
Pois nada nunca me pertenceu
Me acompanha o vazio
Do espaço oco reservado a mim
De um lugar que jamais foi meu
Mas em contrapartida
Aprendi com a vida
Não mais pertencer a um lugar
Nem a nada e nem ninguém.
Edson Ricardo Paiva
Quando eu cheguei aqui
E contra a minha vontade
Nasci pra esta vida
E depois eles foram embora
Não sem antes me orientar
De que eu devia duvidar
de toda dúvida que tivesse
E eu vivi a vida acreditando
Meu coração se alegrou
Minha mente cresceu
E eu ouço
desde aquele tempo e ainda hoje
A uma voz que me diz
Cuidado com o que vão fazer com sua alma
E por mais que o corpo doa
Pois o tempo passou e ele envelheceu
O coração conserva a calma
Mas eu não posso de maneira alguma
Perdoar
O que este mundo fez com minha alma.
Edson Ricardo Paiva
Aqui na minha mente
Creio eu
Daqui pra frente
A vida
Há de correr depressa
Acredite sempre
Porém, se um dia perceber
Que tua fé
é incapaz de mover a montanha
Acredite no vento
Esteja descontente, às vezes
Mas jamais se esqueça
Que pra todo descontentamento
Há limite
Acredite no mundo
Mas se lembre sempre
"todo mundo"
é muita gente
Pois, daqui pra frente
O tempo vai voar
Acredito eu
Que não seja o caso
Só de crer
Mas de crer, tão piamente
Que acho até que chego a ver
Enferrujadas, carcomidas
Corroídas pelos dias
As correntes que prendiam
Meus pensamentos
Aos dias de Sol
Felizes dias de Sol
De uma imberbe criatura
Que sonhava
Sonhava com dias de Sol
Que olhava pores do Sol
Até que o Sol se pusesse
E depois sorria, satisfeito
Mas a bem da verdade
Nem via direito
Quando o Sol se punha
Só depois de um tempo
Só depois de tanto vê-lo ir
Um dia percebeu
Quando o Sol voltou no outro dia
Que aquele que ia
Aquele jamais voltaria.
Edson Ricardo Paiva.
Vou devorando a minha vida
É tarde de outono e eu queria tanto andar na chuva
Quando eu vejo, o sol tá no horizonte
O dia tá desfeito em mar de fantasia
Às vezes quase eu durmo
De tanto querer que o sono venha
Há tantas vidas, difícil é ter outra a ter tantos quereres
No início é ter que costumar as vistas
É como estar em um pomar
E ver que o fruto e as folhas são da mesma cor
Vou fazendo de conta que conto pitangas no ar
Outono é tarde, estou noutra estação
Outro trem vai vir, há de passar
A noite chega em mim
A noite chega e se lastima assim
A dizer que o trem que vai passar não leva ao fim da linha
Eu digo à noite que a vida é uma lista
Eu peço à vida que seja da noite esse olhar pessimista
Apago da lista esse triste desejo
De chegar nessa manhã que tem jeito de tarde
Eu só escolho querer, numa vontade que não é minha
Tarde que andava na linha, rumo à próxima estação
Eu queria era andar, andar sem rumo e nem direção
Andar na chuva
Colhendo as pitangas que flutuavam
Pitangas amarelas, iguais àquelas
Que existiram nos fundos de algum quintal da minha infância
Onde eu ia devorando a vida
Um lugar, uma estação
Um trem que passava e tinha a companhia sempre lá
De alguém que te acompanha e leva pro infinito
E apanha frutos no ar, igual ao que a gente fazia
Quando o dia era desfeito em mar de fantasia
A gente sabe e cansa de saber que esse infinito acaba
E mesmo assim desata a rir
Num riso que não tem fim.
Nem precisa acabar.
Edson Ricardo Paiva.
Pra que eu seja o autor da minha vida
E se a vida fosse o meu almoço, que eu preciso preparar
Como se eu tivesse uma panela de barro e só
Um jarro de água, apenas
E muita paciência, em pequenas porções
Viver qual se fosse um pássaro, um velho passarinho
Asas cansadas
Nada além de um breve canto
Um leve pranto
Nada de longas canções
Um fino fio de luz de lua
Talvez um tanto mais tênue
Luz de estrela, que eu, na minha ingenuidade
Nem perceberia a diferença ou quem me deu
Pra que seja eu, autor da minha história
Preciso lidar com a dor, a saudade
e o cansaço, em pequenas porções
E em grandes manhãs frientas
Friorentas margens de rios
Saber ser só, nas solidões que a vida traz
E fazer disso sempre o meu melhor
Jamais, jamais permitir
Que o jarro se quebre
Que a luz se apague
Que um dia vazio se torne em vida vazia
Ou que a dor e o cansaço me entreguem
Me vençam, carreguem
Sem que tenha sido eu
O autor de toda essa balbúrdia.
Edson Ricardo Paiva.
Mãe, tu foste minha vida”
por Sariel Oliveira
Quando tu partiste, mãe,
Eu me vi sem rumo.
Como se o mundo tivesse parado
E só a dor continuasse a existir.
A promessa que fiz pro pai —
De te cuidar até o fim —
Eu cumpri.
Mas o fim chegou cedo demais.
E eu me perguntei:
“Deus, por que tu fizeste isso comigo?”
Por que levar logo ela?
Logo a mulher que era minha razão,
Minha força,
Minha raiz?
Perder pai é uma dor…
Mas perder mãe,
É perder o colo do mundo.
Tu eras determinada, forte, amorosa.
Cuidaste dos teus
E dos que nem eram teus
Como se todos tivessem nascido do teu próprio corpo.
Tu amavas com uma intensidade que poucos têm.
E mesmo com os erros, com os pecados,
— e quem não os tem? —
Tu foste luz.
Luz de mãe.
Luz de mulher.
Quando tu foste embora,
Eu fiquei vazio.
Pensei em desistir…
Tentei.
Mas não consegui,
Porque uma parte tua vive em mim.
Mesmo que tudo o que eu mais queria
Era só mais um abraço,
Sentir teu cheiro,
E dizer:
“Mãe, eu te amo tanto.
Eu tenho tanto orgulho de ti.”
onde as estrelas são
mais visíveis eu
vou encontrar Órion
minha constelação
da vida que guarda
toda minha poesia
Lágrimas de Potira
Na beirinha do rio de toda
a minha vida,
Sou eu que conto as lágrimas
de Potira transformadas
por Deus em diamantes
para eternizar o amor
que ela sentia pelo heroico Itagibá,
De poesia em poesia
vou escrevendo a minha Pátria
porque ao menos no meu
peito eu a quero viva
para ninguém com ódio a reinventar.
Magnífica aurora matutina
que traz Versos Intimistas
para a minha vida e faz
com que eu preste atenção
amorosa no florescer
potente do Ipê-roxo-bola.
(O silêncio é poesia reativa)
Primavera branca florida
faz eu insistir em querer
o amor da minha vida,
Por isso os meus
Versos Intimistas sob
o prelúdio da aurora matutina.
Hoje eu quero pedir a uma pessoa muito importante em minha vida que ela faça para mim a mesma coisa que eu fizer em outra vida hoje eu quero pedir a uma pessoa muito querida que ela me ajude a ser uma pessoa com luz de harmonia e vida hoje eu quero falar por uma pessoa muito importante que ela continue todos os dias com esse esplendor retumbante hoje eu quero ser feito de gesso da cabeça aos pés e que você permaneça assim em outras vezes para que eu possa cada vez mais continuar essa prosa e que sempre seja não importa aonde esteja a ser feita de gelo para que derreta não importa quando seja essa parte do bolo até só ficar a cereja e que pra sempre seja feito o que foi dado como certo para que sempre cada ser obtenha o sucesso!
E mais vezes quero estar em você se precisar e agora é só isso precisamos encerrar
A qualquer de nós é dado
ser baiano, bem ou mal,
pois a Bahia é um estado
de espírito, nacional !
Só por milagre eu poria
numa quadrinha somente
a beleza da Bahia
sua terra e sua gente.
Tem tal encanto a Bahia,
tais magias ela tem,
que quem a conhece um dia
fica baiano também.
Bahia de hoje, como ontem,
santeira e crente até o fim:
- do Senhor dos Navegantes
do Senhor do Bonfim.
Bahia dos tabuleiros
das baianas, das babás,
das velhas Sés, dos mosteiros,
dos telhados coloniais.
Bahia de mil petiscos:
caruru e mungunzá,
caju, cachaça, mariscos,
acarajé, vatapá.
Dos quitutes e quindins,
das festas e foguetões,
dos santos e querubins
levados nas procissões.
Bahia sempre gostosa,
mais doce que velho vinho,
que ainda resiste, famosa,
no Largo do Pelourinho.
Bahia de D. João
do Visconde de Cairu:
- moleques de pé no chão
escravos de peito nu.
Do Brasil engatinhando,
subindo pelas ladeiras,
dos sobradões modorrando
sobre a algazarra das feiras.
Das cadeiras de arruar,
das carruagens, dos nobres,
dos ouros em cada altar,
das pratarias, dos cobres.
Bahia da liberdade,
de Castro Alves, seu condor,
onde a palavra saudade
é negra! - tem outra cor!
Bahia da inteligência,
de suas glórias ciosa:
da cultura, da eloqüência,
Bahia de Ruy Barbosa.
Bahia da independência,
contra a opressão e o esbulho,
da revolta da violência,
Bahia do 2 de julho !
Com o leite branco das pretas
tornaste a pátria viril,
e hoje flui das tuas tetas
o "ouro negro" do Brasil.
Bahia, velha Bahia...
Bahia nova também:
patrimônio de poesia
que a pátria guarda tão bem.
Bahia dos meus amores,
de trovadores aos mil,
de violeiros, cantadores:
"romanceiro" do Brasil!
A trova ja nasce feita,
e rima até com poesia
se a Bahia é a Musa eleita,
se a inspiração é a Bahia!
Bahia dos doces ventos
que sopram velas no mar,
dos coqueirais sonolentos
de curvas palmas pelo ar
Qualquer coisa da Bahia
todo brasileiro tem,
se até o Brasil, certo dia,
nasceu baiano também!
"A Bahia é a boa terra",
repito nos versos meus.
e a voz do povo não erra
- sua voz é a voz de Deus!
Ladeiras, praias, coqueiros,
igrejas, lendas, poesia,
- Cais do Mercado: saveiros . . .
- Natal da Pátria: Bahia!
Amor... e Morte...
O amor
é como a morte
ato banal de todo dia...
Emoção forte
de tristeza ou de alegria,
ele sempre nos surpreende, e a ele nunca nos acostumamos
talvez...
O amor é como a morte:
quando amamos
é sempre a primeira vez.
Quando chegares...
Não sei se voltarás
sei que te espero.
Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.
A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...
Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...
Soneto à tua volta
Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.
Obrigado... Eu vivia tão sozinho...
Que infinita alegria, e que contraste!
-Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!
Voltaste... E dou-te logo este poema
simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...
Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...
(Do livro "Eterno Motivo" " - Prêmio Raul de Leoni, da Academia Carioca de Letras - 1943)
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