Se eu Fosse Algum Rei
As pessoas se perguntam se existe amor a primeira vista. Eu só sei que amei você antes de te ver. Quando o vi tive certeza que era o amor da minha vida.
A primeira vez que conheci a mentira eu tinha quatro anos de idade. Pedi minha irmã para eu ir na rua com ela. Mandou eu pedir minha mãe. Quando voltei ela tinha ido embora e me deixado. Entendi rapidamente que ela tinha mentido e me enganado. Até hoje tenho sérios problemas com mentiras. E ser enganada é sentido como um golpe emocional muito forte.
Eu sempre digo. Quem tem amigos tem tudo. Acrescento, quem tem Deus tem muito mais.
Muitas vezes passamos por caminhos tão estreitos e situações tão desesperadoras que perdemos quase o sentido da vida. Nesses momentos só encontramos conforto em Deus. E ELE é tão misericordioso que permite mais um ano em nossas vidas. Serei sempre grata ao meu Deus. Como dizia o apóstolo Paulo: " Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade
Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece."
Obs: postado no face no dia do meu aniversário - 16.04.2021
Olha, eu nem sei. Homem diz umas coisas que considero sem noção e uma grosseria. Com o tempo perdem a sensibilidade, se é que tiveram um dia, e esquecem que ainda somos a mesma que ele conquistou. Porém, parecemos diferentes por nos conhecer melhor agora. E isso não lhes dá o direito de serem indelicados. Não seriam assim com outra mulher.
Eu já li e você também já deve ter lido que a verdade liberta...
Isso significa que é melhor viver sem um véu sobre o rosto.
(conversa com uma jovem)
Eu só queria ser eu mesma quando não tenho mais nada para ser. E ainda que eu não seja, continuo sendo sem querer.
Para alguns eu sou luz. Para outros um conforto em momentos difíceis. E embora eu me ame muito, tem momentos que sou só tristeza.
Meu pai cantava essa música quando eu era criança. Me sentia tão amada e orgulhosa de ouvir ele cantando para mim:
"Quero uma mulher
Que saiba lavar e cozinhar
Que de manhã cedo
Me acorde na hora de trabalhar
Só existe uma
E sem ela eu não vivo em paz
Emília, Emília, Emília
Não posso mais
Ninguém sabe igual a ela
Preparar o meu café
Não desfazendo das outras
Emília é mulher
Papai do Céu é quem sabe
A falta que ela me faz
Emília, Emília, Emília
Não posso mais." (canção de Vassourinha)
As pessoas erram o tempo todo. Mas quando eu erro, parece o fim do mundo. E não é para as pessoas, é para mim mesma. E os erros podem ser perdoados. As atitudes erradas podem ser corrigidas. Quase sempre podemos voltar atrás. Nem que seja só pelo arrependimento.
Um dia eu tive um jardim. Começamos, eu e minha prima a observar que as plantas estavam secas, sem vida. Resolvemos molhar elas e aquilo se tornou um compromisso de infância. O jardim era na casa dela e não na minha. Mas a casa dela era como minha casa e onde passei muitos dos melhores momentos da infância e adolescência. Aos poucos vimos as plantas mais verdes e começamos a plantar flores. Elas deram vida de forma indescritível. Se tornou nosso jardim. Hoje me deu vontade de aguar um jardim.
Agora que a miragem se desfez, euavisto o horizonte da promessa; uma reconstrução daquilo que estava certo no único lugar onde a vida fazia sentido.
Eu acho incrível as pessoas que moram em uma casa com sua família a vida inteira. Criam memórias, lembranças, laços que atravessam anos e décadas. Não tive essa experiência. Vivíamos mudando de casa e de endereço. Éramos como nômades, ciganos. Mesmo constituindo minha própria família, acabei reproduzindo esse padrão. Não tenho essas memórias de forma física. Não tenho uma casa do passado para mostrar que estivemos lá. Também não pude preservar o quarto do meu filho.
Em silêncio, sem que ninguém saiba, eu choro a morte do meu filho todos os dias. Hoje me perguntaram por que eu chorava, se alguém havia morrido. Quando disse que era pelo meu filho, ouvi como resposta: "Mas já se passaram sete anos?". Preferi não explicar, apenas calei. As pessoas realmente não entendem que o tempo não apaga a ausência de um filho.
O golpe mais cruel e baixo que a vida me deu foi perder o meu filho. Se alguém tinha que partir, eu sentia que deveria ser eu, e não consigo me conformar com essa inversão. Essa dor consegue doer mais do que a ideia da minha própria morte — e olha que eu sou absolutamente apaixonada pela vida.
Eu não acreditava que a vida era tão dura, mesmo ela sendo dura lá atrás. Achei que o mundo era colorido, os problemas possíveis de resolver e que dava para crescer sem grandes danos. Mas a realidade me cobrou caro. Sigo enfrentando batalhas sem trégua desde que nasci. Isso não alterou a minha fé, ainda que a abalasse. Minha esperança é de que, em breve, poderei romper todos os grilhões e cadeias que hoje me prendem e por fim, possa viver o melhor dessa vida ainda com plena saúde e autonomia.
antes de mim.
Naquela noite eu recebi uma ligação de um número que não existia.
Não era número privado. Não era desconhecido.
Simplesmente não existia.
Ainda assim, atendi.
- Alô?
Do outro lado, silêncio.
Depois uma voz.
A minha.
- Não vá dormir hoje.
Eu ri.
Não porque fosse engraçado. Ri porque algumas coisas assustam menos quando a gente finge que são ridículas.
- Quem é?
- Você.
- Isso não tem graça.
- Eu sei.
A ligação caiu.
Fiquei olhando para o telefone por alguns segundos, esperando alguma explicação aparecer na tela. Nada.
Joguei o celular na cama e tentei esquecer.
Cinco minutos depois, bateram na porta.
Três batidas.
Sempre três.
Levantei.
Não havia ninguém.
Só um envelope no chão.
Meu nome estava escrito à mão.
Dentro havia uma foto.
Era uma foto minha dormindo.
No verso, uma frase:
“Você tem oito horas.”
Eu deveria ter chamado alguém.
Não chamei.
Talvez porque, no fundo, uma parte de mim já soubesse que aquilo não tinha começado naquela noite.
Passei a madrugada tentando encontrar uma explicação.
Procurei a origem do número.
Nada.
Revirei mensagens antigas.
Nada.
Olhei as câmeras.
Às 02:13, alguém entrou.
Era eu.
A mesma roupa que eu estava usando.
O mesmo rosto.
A mesma cicatriz pequena perto da sobrancelha.
Eu parei o vídeo.
Voltei.
Assisti de novo.
Eu entrava em casa às 02:13.
Mas eu estava em casa.
Sentado na frente daquela tela.
O vídeo continuava.
Eu aparecia no corredor.
Parava diante da minha porta.
Olhava diretamente para a câmera.
E sorria.
Depois levantava a mão.
Três batidas.
A gravação terminava.
Eu olhei para a minha porta.
Três batidas vieram do outro lado.
Não abri.
Às 05:40, alguém bateu novamente.
Dessa vez, uma mulher falou meu nome.
Eu conhecia aquela voz.
Era impossível.
Ela tinha morrido há seis meses.
Fiquei parado no meio da sala.
Ela disse:
- Você prometeu que não faria isso de novo.
Não respondi.
- Eu sei que você está aí.
Meu corpo inteiro ficou frio.
- O que eu fiz?
Silêncio.
Depois:
- Ainda não fez.
Às 06:15, recebi outra mensagem.
Uma localização.
Um endereço que eu não reconhecia.
Abaixo, apenas:
“Se quiser saber por que todos estão tentando impedir você, venha sozinho.”
Fui.
Não sei por quê.
Talvez porque algumas perguntas sejam mais perigosas quando ficam sem resposta.
O lugar era uma casa abandonada.
Entrei.
Havia fotos nas paredes.
Centenas.
Todas minhas.
Eu criança.
Eu adolescente.
Eu adulto.
Eu dormindo.
Eu chorando.
Eu dirigindo.
Eu trabalhando.
Eu abraçando pessoas.
Eu terminando relacionamentos.
Eu sozinho.
E então encontrei uma foto que me fez parar.
Era eu, sentado naquela mesma casa.
Com cinquenta e poucos anos.
Ao meu lado havia uma mulher.
Não reconheci.
Atrás da foto estava escrito:
“Primeira tentativa.”
Outra foto.
Eu, mais velho.
Sozinho.
“Segunda tentativa.”
Outra.
Eu sorrindo.
Uma família ao meu redor.
“Terceira tentativa.”
E então uma última.
Eu, exatamente como estava naquela manhã.
Abaixo:
“Quarta tentativa.”
Foi quando ouvi passos.
Virei.
Um homem entrou.
Eu conhecia aquele rosto.
Era o homem do vídeo.
Era eu.
Só que mais velho.
Muito mais velho.
Ele fechou a porta.
- Finalmente.
- O que está acontecendo?
Ele sentou.
- Você vai me odiar.
- Quem é você?
Ele respirou fundo.
- Sou a única versão sua que conseguiu chegar até aqui.
- Até onde?
Ele olhou para o relógio.
06:59.
- Até antes da escolha.
Ele explicou tudo como se estivesse contando uma história que já tinha contado muitas vezes.
Disse que aquela noite acontecia repetidamente.
Sempre.
Eu recebia a ligação.
Recebia a foto.
Via as câmeras.
Ia até aquela casa.
Encontrava ele.
E então precisava escolher.
Existiam quatro possibilidades.
Em uma, eu permanecia exatamente como era.
Em outra, mudava tudo.
Na terceira, esquecia completamente aquela noite.
Na quarta...
Ele parou.
- Na quarta, você me mata.
Eu ri.
- Por que eu faria isso?
Ele olhou para mim.
- Porque eu sou a única coisa impedindo você de ter a vida que quer.
- Que vida?
Ele não respondeu.
Foi até uma parede.
Havia uma porta.
Uma porta que eu não tinha visto antes.
Ele colocou a mão na maçaneta.
- Você precisa escolher antes das oito.
- E se eu não escolher?
- Já escolheu.
- O quê?
Ele abriu a porta.
Do outro lado havia meu quarto.
O meu quarto.
Exatamente como estava naquela noite.
Minha cama.
Meu celular.
A janela.
O envelope.
Tudo.
Eu entrei.
Na cama havia alguém dormindo.
Eu.
Ele estava dormindo profundamente.
O homem mais velho apareceu atrás de mim.
- Essa é a primeira vez.
- Primeira vez o quê?
- A primeira vez que você conseguiu chegar até aqui sem lembrar.
Olhei para o homem na cama.
- Então quem é ele?
O velho ficou em silêncio.
- Você.
- Não.
- Sim.
- Mas eu estou aqui.
Ele sorriu.
- Esse é o problema.
O relógio marcou 07:59.
Uma sirene começou a tocar em algum lugar distante.
Eu olhei novamente para a cama.
O homem dormindo abriu os olhos.
Sentou.
Olhou diretamente para mim.
E falou:
- Não vá dormir hoje.
Eu senti o sangue desaparecer do rosto.
Era a mesma frase.
A mesma voz.
A minha voz.
O velho começou a chorar.
- Não...
- O quê?
- Dessa vez foi diferente.
- O que foi diferente?
Ele apontou para mim.
- Você nunca deveria ter me visto.
A luz apagou.
Por alguns segundos, não existiu absolutamente nada.
Então ouvi uma porta fechando.
Quando a luz voltou, o velho tinha desaparecido.
A casa estava vazia.
As fotos haviam sumido.
A porta também.
Só havia uma coisa sobre a mesa.
Meu celular.
Ele estava tocando.
Olhei para a tela.
Era uma chamada recebida.
O número não existia.
Atendi.
Do outro lado, silêncio.
Depois uma voz:
- Alô?
Era minha voz.
Mas dessa vez eu não falei nada.
A voz continuou:
- Quem é?
Eu reconheci a frase.
Era exatamente o que eu havia dito naquela noite.
Então percebi.
A história não estava se repetindo.
Eu estava dentro dela.
Eu não tinha recebido uma ligação do futuro.
Eu estava ligando para o passado.
E o homem que eu havia encontrado não era uma versão futura minha.
Era a versão que existia antes de mim.
A quarta tentativa.
A terceira.
A segunda.
A primeira.
Todas as vidas.
Todas as mortes.
Todos aqueles homens.
Não eram versões diferentes.
Eram pessoas diferentes que tinham recebido a mesma ligação.
Todas achando que eram eu.
Todas tentando descobrir quem começou aquilo.
Todas chegando àquela mesma casa.
Todas encontrando alguém mais velho esperando por elas.
Até que uma delas finalmente entendesse.
Não havia nenhum primeiro homem.
Não havia começo.
Só havia o próximo.
A ligação continuava.
Eu poderia desligar.
Poderia falar.
Poderia perguntar.
Mas alguma coisa me impediu.
Então fiz a única coisa que ainda não tinha feito.
Olhei para o relógio.
08:00.
E disse:
- Não vá dormir hoje.
A ligação caiu.
Fiquei parado.
Esperando.
Três batidas vieram da porta.
Eu não me mexi.
Mais três.
Depois ouvi minha própria voz do outro lado:
- Quem é?
Eu olhei para a porta.
E, pela primeira vez, entendi o que estava acontecendo.
Não havia alguém tentando entrar.
Havia alguém tentando sair.
E eu não sabia mais de qual lado da porta estava.
Fim.
Ou talvez só mais uma tentativa.
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