Se ela quer Voar a porque tem Asas
Vazio
Às vezes ela só precisa de um elogio. Um abraço forte e sincero, um aperto de mão, um beijo...
Ela precisa sentir que é amada, protegida, cuidada. Ela não quer ser um "tanto faz" na vida de ninguém. Ela é diferente.
Você não sabe mas ela percebe quando não tem atenção. Quando você está distante, ou quando não está nem aí. Mas ela disfarça bem! Ela nunca vai te cobrar carinho, embora precise muito. É você que tem que notar o quanto está distante. Caso contrário, ela simplesmente se afasta e vai se preencher em outra pessoa.
Não existe esse negócio de "ele é bonito pra ela" ou "ela é bonita pra ele". Bonito é o amor. As pessoas são só arrumadinhas.
Ela sentia ciumes, ele a ignorava.
Ela dizia que ama, ele respondia nada.
Ela queria estar perto. Ele sempre distante.
Ela o chamava de amor. Mas pra ele era só ficante.
Ela queria algo sério. Ele não estava nem aí. Até que ela foi aprendendo a se amar e sorrir. O tempo passou. O mundo deu voltas. Hoje ela está feliz e ele vem bater na porta. Ela toda produzida. Ele usado, sem ninguém. Ela com um homem de verdade. Ele à procura de alguém. Ela está linda, satisfeita, sorridente, deslumbrante. Ele triste, cabisbaixo, arrependido, ofegante. Depois de curtir várias ele percebe o quanto errou. Ele até gostava dela, mas não soube dar valor. Agora ela está em outra. Resolvida. Bem amada. Hoje ele sente tudo. Ela já não sente nada.
Moça, se ele terminou contigo por amar outra, então ela não é a outra; ela é a certa, a legítima. A outra era você, que amanhecia ao lado dele sem ter sido amada de verdade.
Um dia ela chorou. Mas soube secar seu pranto.
Quando foi a vez dele, se afogou nas próprias lágrimas.
Maria e José
José pediu uma flor a Maria
E ela deu uma margarida
Ele não gostou
Então ela deu uma Tulipa
Ele disse que ela tinha flores mais bonitas
Então ela lhe deu uma Rosa
Ele achou que ela poderia dar outra mais bonita
Então ela não trouxe mais flores
Pois seu jardim havia secado
Lenda
Ela sorri como uma doce criança
Que está querendo se aventurar
Me leva para diversos lugares
Ao paraíso, no seu jeito de falar
A lembrança está na minha mente
Nossos encontros e desencontros
Ela fica pouco tempo, mas volta
Então, momentos, eu vivo outros
Agora penso nela quando respiro
Do seu amor pra mim, uma lenda
A saudade do que nunca existiu
O que me gera tristeza tremenda.
Chinelo sujo
Estávamos em uma noite vazia
Aquela que eu tanto aguardei
Ela se aproximou ao meu lado
Da mesma forma como sonhei
Bem-vestida, um odor exalando
E eu, num chinelo sujo de barro
Por vezes deveras me preocupei
Que de sua boca saísse o escarro
Mas com sua boca ela me beijou
Daquela noite para a eternidade
Alguns minutos e o telefone tocou
Sorriu-me, então, com sinceridade
Nós éramos bem diferentes, eu sei
Por um instante, ficamos tão perto
Desfrutando da brisa do amor puro
Nunca me esquecerei, isto é certo.
Caiu a ficha
Eu saí com ela depois de um tempo sem nos vermos. Conversamos, rimos, concordamos em muitas coisas e discordamos em outras. Ficamos horas nesta apreciação pura e mútua de um momento, até que chegou o instante em que ela teve que partir. Na ordem cronológica dos fatos, era só mais um lance a passar desapercebido pela maioria, mas o vazio que senti ao seu adeus foi bem perceptível para mim. Então, caiu a ficha: eu estava gostando dela.
Lembrança (até mais)
Ela tinha um jeito delicado de ser
Eu sabia que não me pertenceria
Mas não sabia que tão cedo iria
Me deixar, assim, bem disperso...
A cada lembrança, pingo de chuva
A cada lágrima, que cai como luva
Eu me perco no mesmo pensamento
Que sempre é o do nosso momento
Seria fácil se não tivesse sido nada
Eu sonhei e fiz tudo aquilo por mim
Por nós... foi um beijo e todo o fim
Cada um, então, seguiu sua estrada
No fundo, sei que nos encontraremos
Só a distância insistiu em nos separar
Nada durou pra sempre e nem durará
Quando nos vermos, que reação terá?
Eu quero olhar aqueles olhos mágicos
Desfrutar de novo do sorriso demais
Nessa história, não há nada de trágico
Ela também lembra. Eu sei. Até mais.
Eu interior
A beleza, quando imensa, parece absurda
Enxergada de longe, quase inalcancável
Ela é, na verdade, plenamente realizável
Pela alma, fruto do sonhar, do ser e do estar
De nada adiantariam mil vidas, todas elas
Sendo rotineiras, comuns e pouco vividas
Se o espírito não se elevar, o corpo é vago
Somente a imagem de aparência antiga
A esperança, embora forte, não sobrevive
Sozinha e sem a ambição de fazer o novo
Os atos, muitas vezes estranhos, estes dizem
O que todos buscamos e antes ocultamos
A ficha sempre cai, vem à tona, sem dó
É preferível que haja a chance do pior
Pois só assim a surpresa triunfa poderosa
Quando menos se espera, ela é generosa
Sejamos, então, gratos ao nosso eu interior
Não nos abandonou nas crises frequentes
Soube se mostrar grande e venceu o terror
Que poderia crescer permanentemente.
Goste demasiadamente da rosa que certamente algum dia, ainda que sem querer, ela lhe ferirá com os seus muitos espinhos; ignore a presença da rosa que ela, abandonada e sem cuidado, murchará lentamente e morrerá; aprecie moderadamente a beleza da rosa que ela será para sempre sua.
A patrícia e o plebeu
Ela aprecia concertos de música clássica
Batendo palmas como a gente particular
Fica em evidência nos grandes eventos
Atua com maestria na arte de dissimular
Ele é a majestade maior da boca do lixo
Possui, no bolso, somente alguns trocados
Como um sujeito simples, tem desgostos
Carrega consigo um fardo muito pesado
Dividindo a mesma rua, o luxo e a miséria
Evidenciam a incrível desigualdade social
Corremos sem parar, mesmo sem refúgio
Como quem pode previr seu próprio final
Ela ostenta as joias que mantêm um brilho
Os holofotes se voltam, a câmera é focada
A televisão transmite, retransmite e assim
A dama torna-se cada vez mais desejada
Ele está apenas tentando achar um abrigo
Na metrópole, há homens que viram cães
Quem sabe consiga realizar uma refeição
Com as migalhas que sobraram dos pães
Entre o marginalizado e a ilustre rainha
A maioria decide qual caminho escolher
Ignorando visões alternativas dos fatos
Parece que o importante mesmo é ter.
Mariana
Ela se sentou no banco com mais alguém
Era cedo, era dia, tudo bonito e colorido
As palavras que dizia soavam tão simples
Nem parecia a menina que havia partido
Voltou espiritualmente ao meu convívio
Sua presença sempre fez-se tão marcante
Fui enviado a um portal com algum amigo
Para reaproximar o que hoje está distante
A menina de antes agora já é uma mulher
Aparentando saber com clareza o que quer
Os olhos que lhe veem também são outros
Entre tantas partidas, permanecem poucos
Vagamente dorme-se em uma vida insana
Outrora pintura, viraste miragem Mariana
Em um absurdo de informações chegando
Sendo nenhuma sua, continuo imaginando.
Platonismo
Se fosse ela que estivesse lá
Ele não seria mais ele mesmo
Talvez fosse um cara melhor
Entretanto com outra cara
De revolucionário a conservador
...vejam o que causa o amor...
Ora tagarela, outrora quieto
Moço apaixonado e desequilibrado
O que se procura não se acha
Não quando se está procurando!
É de repente e é também irônico
Que ninguém molde o seu enfim
Com um passo fora da marcha
Tem quem continue esperando!
À beira de um colapso platônico
Sem colher a sua flor no jardim.
Ela só tinha uma condição diferente em relação às demais: era o que eu havia visto de mais bonito em toda a minha vida.
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