Saudades de Quem Mora longe

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Bloco da saudade

Lá vai o tempo, lá vai
Na mão confete e serpentina
Junto a nostalgia com ele sai
Vão os pierrôs e colombianas
De mãos dadas pela cidade
É bloco, vai menino vai menina
Um dia de folião, outro saudade
Agora olheiro... Vai também o amor
Pelas ladeiras da mocidade
Se perde, se acha, puro suor
Toca o agogô, cuíca, berimbau
Peço passagem ao condutor
Quarta feira não é mais o final
Já passou, passou minha folia de carnaval

Luciano Spagnol

A saudade está impressa
Nas lembranças do mar
A vida com a sua pressa
As levou do meu sonhar

As trouxe cá pro cerrado
Estribou no galho torto
O fado pelo fado versado
Fazendo aqui de meu porto

Luciano Spagnol

Por vezes a solidão me faz costado e o amargo do chimarrão se torna doce comparado a saudade.

Um abraço para Manoel
“Dizem que entre nós
há oceanos e terras com peso de distância.
Talvez. Quem sabe de certezas não é o poeta”.

19/dez/2013

A lembrança da mãe ausente é antídoto para a saudade do amor perdido. Assim, se fazendo sempre presente.

Tomar distância, tomar tempo – a fim de separar o destino e a fatalidade, de emancipar o destino da fatalidade, de torná-lo livre para confrontar a fatalidade e desafiá-la: essa é a vocação da sociologia. E é o que os sociólogos podem fazer caso de esforcem consciente, deliberada e honestamente para refundir a vocação a que atendem – sua fatalidade – em seu destino.

Zygmunt Bauman
Modernidade líquida. [tradução Plinio Dentzien]. 1ª ed., Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2001

Saudades
De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?

(trecho in "Velha poesia", 1965.)

“O que mais dói na miséria é a ignorância
que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência
de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se
do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilusão
de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as
vozes”.

( na apresentação do livro "Vozes anoitecidas". São Paulo: Companhia das Letras, 2013.)

talvez seja apenas uma saudade passageira

Não se esqueça
Da saudade
De viver
De sentir
De amar
Não se esqueça de mim
Tua pequena flor
Tua.

Não digo que essa saudade é egoista,
Nem que ela ainda existe para nos maltratar...

Saudades do meu tempo de criança em que ao cair e me machucar,um beijo da mamãe ou do papai curava tudo, hoje as quedas são muitos mais fortes e a cura muito mais difícil.

Parodiando Oliveira Do Cordel desfilo em letras algumas das minhas saudades:
Saudades da farofa de ovo, café da manhã do meu pai,
das cantigas dos anos 50 na voz de minha mãe, trilha musical dos trabalhos domésticos, das primas que passavam as férias escolares em casa, das corridas pelo quintal com o meu cachorro Tupi, que me rendeu um tombo de cara no chão, saudades do radio vitrola com Mapa Mundi no dial, xodó da família, dos cuidados com as manas mais novas que eu Odinéia e Déa que me rendiam uma baita ciumeira, da caçulinha Andréa, com seus cabelos escorridos e o olhar sempre distante nos seus dez ou doze de idade, o cheiro inconfundível de cimento molhado pela chuva nos verões dos anos dourados, do recreio do Escolástica Rosa e dos sequilhos e do pudim de pão que lá eram vendidos por um ambulante, saudades dos sonhos da padaria Fluminense, saudade dos bondes onde eu ia sempre viajava namorando uma menina imaginária, da mesa sempre farta dos Natais capitaneados pelo patriarca dos Flores, meu amado pai, farta de comida e de parentes , saudades dos olhares das meninas da Vila Margarida, curiosas e assanhadas pelo recém chegado menino de treze anos que eu era e causavam um certo desconforto nos moleques que lá já moravam antes de mim mas me deram coragem para namorar alguém de verdade, das domingueiras do Praia Clube, dos bailinhos americanos da Turma dos Caveiras, dos bate papos com o Gringo, Jorge, Elizeu, Silvinho e Magalhães, das conversas intelectualizadas com o Beleza, saudades do rebaixado fusca garibadíssimo do mano Osmar, das divagações do meu amigo Carlinhos, menino caixa alta, filho dos donos do restaurante Beduíno mas que estava sempre com a gente, saudades da fábrica de calçados que ficava na praça João Pessoa em São Vicente e fazia botas sob medida imitando a dos Beatles, saudades do que eu sonhava ser, enfim uma baita saudades de mim...
odair flores

Me confessou sentir-se só na minha ausência
Menina ingênua, eu nunca estou ausente
Do começo ao fim do dia estou com você
Não existe sonho que não seja com você
Meu corpo vaga pela terra
Porque minha mente e minha alma estão com você
Então, menina, não se sinta só
Independentemente de onde eu estiver, eu estarei com você

Saudade é a abstinência dos momentos bons que passaram por nós, nos espancaram de amor, nos rechearam de sorrisos, nos esmurraram de abraços, e no fim acabam nos deixando apenas com a falta.

Falta essa que nos faz sofrer. E também, querer esquecer, só pelo fato de não querer mais querer.

Em uma sociedade em
que muitos se conhecem ,
a distância ou presencialmente
Quase todos se dizem amigos
Porem nas horas de precisão
poucos ou quase ninguém
estará do nosso lado
Colecionei conhecidos
Amigos são raros
Dou valor a quem está
comigo nas horas difíceis
Porque para a festa muitos virão
Mas pucos permanecem para
arrumar a bagunça
30/08/15

Almas órfãs quando se encontram não se submetem mais aos malogros e sofrimentos das distâncias.

Antagonismo de perdição:
ficamos vazios do que perdemos
e somos preenchidos pela saudade.

03/09/2015

E quando se sente saudades, e não se pode dizer. Guardo todas as coisas bem trancadas, num lugar onde, por algum tempo, as lágrimas não me visitarão. E é preciso ser forte, forte demais, para não esperar algo da porta entreaberta...

Nostalgía.

A saudade te machuca e é grande, mas ela não te quer chorando.