Saudades de Quem Mora longe
Primavera resolveu
fingir que o inverno não passou
Calçou meias
Pôs luvas
Agasalhou-se como pôde
Mas eu vi
O botão em flor
Escondido no bolso de seu casaco!
O amor adoecido
vai-se
embora
sozinho
Talvez por praga ou sorte
Como se fosse corpo levado
pela morte
Deportei a razão
Foi exilada
No lado entediante de meu cérebro
Agora somos só nós dois:
Eu e meu coração!
ÁRVORE DESARVORADA
Eu sem você
sou árvore desarvorada
Um braço de rio que carrega as flores caídas
trazidas pelo outono
O vento quer soprar por aí
a minha solidão...
E fico eu sem você assim
Nesse vazio
Cheia de mim
A cada dia
Um dia a menos
Mas nunca vou te esquecer
Seja a olhar o céu estrelado
As flores, o verde
A lua cheia
Um cheiro...
Tudo a minha volta
Traz você!
Esse cheiro de guardado
Que a gente sente
não importa a idade
Parece alguma coisa
trazida do passado
Não sei se alegre ou triste
É cheiro de saudade
A folha caiu
levada pela ventania
Tão frágil
Coitada!
Queria agarrar-se ao galho
mas se foi
Chorando a sua dor
A chuva passou lavando tudo
E a roubou!
ESGANADOS
Sacudiram-me da cama
as ansiedades do amor
Levantaram-me num grito
Fugiremos?
Agitaram-me os pensamentos
Esganados por tempo!
Se um dia vê-lo, sendo acariciado com amor por alguém, vou derramar uma lágrima... e esboçar um sorriso...
Você pode visitar os mais lindos palácios do mundo, e por mais simples que seja o seu lar, você sentirá saudades de casa.
Ao longo da vida vivemos preocupados com o dia do amanhã, o que faremos, o que vai acontecer e etc. mais posso afirmar para você, que, a ausência é a irmã mais velha da distância, são quase gêmeos, e tão difícil de compreender, a não ser que você já viveu esse momento, ou esse déjà-vu.
E Novamente...
Novamente estou aqui , de volta ao anonimato , de volta ao esquecimento onde provavelmente ninguém irá ler.
Mesmo por tentativas de não se culpar pelo passado, de não imaginar como teria sido se eu não tivesse cometido erros que não precisavam, que um esforço de mim para lhe ver mais e começar a trabalhar pra te ver.
Mas tudo o que fiz foi me aprofundar em meus problemas de casa, te dando menos atenção, sei que vocêentendia, mas, eu deveria ter me esforçado mais.
Somos idiotas em pensar em erros passados , como poderia ter sido. Idiotas por chorar pelas mesmas coisas, mesmo tentando não voltar atrás. E se o futuro que penso se eu tivesse me esforçado mais , teria sido completamente diferente e até mais doloroso ?
Sim ou concerteza ?
Pois então, eu sou um idiota por chorar ainda pensando em você, pensando no que te causei ou seguindo em frente , sou idiota por ainda não escrever a droga de um livro, tudo só piora.
Mas, deixaria de piorar se eu respeitasse que os pequenos passos de um quarto escuro para uma sala onde estou escrevendo, pequenos passos significam.
Mesmo que antes eu mal conseguia levantar da cama , mesmo sentindo fome ou sede, depois de ter encharcado o travesseiro de lágrimas.
INQUILINA
Perpassa o vento no torto cerrado
em sonata de sofrência e agonia
sussurrando um vazio tão lotado
de recordação e sombria poesia
Sobre a solidão, à tarde, quando
vem a sensação do fim do dia
o vão, a lembrança, em bando
que avida a dor, gasta, erradia
E, do teu olhar o fascínio ainda:
suave, impar, sujeito, presente
cravando o falto em árdua sina
Tudo, versos de tristura infinda
que aperta o coração indigente
e que faz a saudade sua inquilina...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
5 de maio, 2022, 20’00” – Araguari, MG
