Saudades de alguém que já se foi
Saudade do vento, da brisa no rosto, do amor sobreposto, do cheiro do mato, do amor que se foi, que matou o sorriso, arrancou a alegria, tornando meus dias nada mais que agonia...
E.C.A
O PAI E A SAUDADE
Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)
Muito mais do que uma saudade: O Riso que não foi Silenciado
Na sua face gentil, eu via o seu sorriso amável e ouvia a sua risada mais gostosa — poderosa a ponto de a passagem do tempo e as dificuldades da vida não serem capazes de silenciar, nem de ofuscar o seu brilho; um exímio exemplo do que é perseverar.
A idade avançada não tirava o seu riso de criança; os seus olhos quase fechavam para acompanhar as curvas da sua felicidade, aquele entusiasmo típico da infância, da época que qualquer bom momento virava um espetáculo, independentemente das circunstâncias.
Quando me vem à lembrança a sua presença, parece que está ao meu lado toda risonha, emitindo aquela sonoridade de sempre, repleta de amor e espontaneidade, que continuará contribuindo para a minha perseverança, muito mais do que uma saudade.
Por tanto bem, agradecer a Deus é inevitável e é o mínimo que posso fazer por ter colocado uma pessoa tão imprescindível, incomparável para enriquecer os meus dias e fortalecer o meu ânimo cansado durante momentos simples de alegrias; então, o meu riso também não será silenciado.
Saudades...
Um colo era tudo que eu queria.
Apenas para te contar
como foi o meu dia.
Desabafar.
Chorar até esvaziar
essa solidão.
Depois, na calma do seu cheiro,
amando até os átomos
do que você é feito.
Minha peça de carbono,
minha kriptonita...
Eu vou me achar
em toques e beijos
até a poesia amanhecer.
Deixa eu me acabar em você.
É melhor do que viver
na tristeza de não poder te ter.
Andrea
Metamorfoses da Saudade
Você foi o culpado pela explosão de sentimentos que houve em mim.
Você foi um grande amor.
Que bom foi te conhecer… mas foi profundamente terrível e doloroso vê-lo partir.
Ainda bem que as lembranças sabem abraçar até os sentimentos sem fim.
Eu já sei: é um mistério… mas falar é inevitável — e sofrer também.
Quantos não passam por uma metamorfose sofrida e angustiante, ao tentar abraçar outros corpos e beijar outras bocas que não sejam aquela?
Há momentos em que me sinto presa a imagens e sentimentos fictícios, como em um filme inacabado, onde existe um predador sempre à espreita, com a ferocidade de um ser lupino em alerta.
Desespero… até porque “The End” nunca vem.
"A saudade é a teimosa presença daquilo que já se foi, mas que a alma se recusa a deixar partir. Ela faz da memória morada permanente, consentindo que a ausência habite nossos espaços mais íntimos. Se uns falam dela com leveza, outros escolhem o silêncio, não por indiferença, mas porque mexer em certas lembranças é revisitar abismos contidos."
O Amor Quando Se Veste de Saudades Permanece Vivo
Não há dúvidas que ela foi uma guerreira. Lutou o máximo que pôde, não desistiu; foi forte e valente durante as suas fraquezas, pois O Senhor esteve com ela todo o tempo, além do apoio de todos que se mantiveram ao lado dela.
Era amorosa, sincera, carinhosa, pulse firme quando necessário; sorridente e agradecida. Tinha a plena consciência que o seu caminhar era bastante abençoado, assim como o seu lar e a sua família; deixou muitos ensinamentos e ricas recordações.
Por isso, a sua partida foi apenas fisicamente; continuará viva na mente e no coração daqueles que a amavam e ainda a amam verdadeiramente, continuarão nas suas jornadas; e em cada conquista e nos momentos difíceis, ela se fará presente.
E agora, o seu amor imensurável está vestido de muitas saudades, mas permanece vivo e as suas filhas serão a sua continuidade; então, o sorriso delas, se Deus quiser, no momento certo, voltará, já que aprenderam com aquela mulher, de fato, o que é amar.
As pessoas mudam, e isso faz parte da vida
É comum sentirmos saudade de quem alguém foi. Das conversas, dos gestos, da presença que parecia constante. Mas as pessoas mudam, assim como nós mudamos.
Algumas mudanças aproximam. Outras criam distância. Nenhuma delas apaga completamente o que foi vivido.
Nem toda mudança representa falta de amor. Às vezes, representa novos caminhos, prioridades diferentes ou fases que já não se encontram.
Aceitar isso não significa deixar de sentir. Significa compreender que o valor de uma história não depende apenas de como ela termina, mas também de tudo o que ela construiu enquanto existiu.
A vida segue transformando pessoas. E nós também fazemos parte dessa transformação.
Pepita de Oliveira
Nem toda saudade pede um retorno. Algumas apenas lembram que um dia aquilo foi importante.
Pepita de Oliveira
A Saudade e O Legado — A Vida Que Se Foi
e O Amor Que Permanece.
Homem respeitado, benquisto, abençoado e amado; esposo, pai, amigo e avô entre outras faces de alguém honrado certamente inesquecível de acordo com amigos, familiares e todos aqueles que tiveram a oportunidade de estar, pelo menos um pouco, ao seu lado. Mesmo com a idade avançada, era cheio de jovialidade; a sua família foi o maior legado que deixou e agora ela será a sua continuidade; assim, o amor dele permanece e deixa saudades. A sua vida foi uma bênção do Senhor, a razão de muitas felicidades.
A saudade existe porque a alma não
esquece o que foi verdadeiro, ela dói, mas também afaga, e eu aceito essa dualidade
com maturidade, pois amar sempre
deixa marcas.
Saudade é o vazio que pulsa, um eco silencioso do que já foi e não volta. Não é mera ausência; é a presença fantasmagórica de momentos que se infiltram na alma como brisa úmida do mar. Ela chega sem aviso, num cheiro de café antigo, numa melodia esquecida ou no contorno de um rosto que o tempo borrou.
No peito brasileiro, saudade é patria: o samba que embala ausências, o carnaval que mascara lutos, o abraço que o oceano separou. É o que nos humaniza, nos faz poetas involuntários. Dor agridoce, ela entrelaça fios invisíveis ligando o agora ao ontem, transformando perdas em relíquias eternas.
Mas cuidado: saudade em demasia paralisa, vira prisão de memórias. Aprenda a dançá-la, como frevo leve, deixando que ela venha e vá, sem raízes profundas. Pois viver é saudade em movimento – do que partiu, do que virá. Ela nos lembra: o amor verdadeiro nunca some; apenas espera, paciente, no limbo do coração.
Saudades do Rio
Agilson Cerqueira
O Rio Cachoeira já foi um pedaço do céu derramado sobre a terra. Suas águas corriam tão claras que o azul das manhãs parecia morar dentro delas. Entre pedras douradas pelo sol, a correnteza cantava baixinho, e os peixes deslizavam como versos vivos sob o espelho líquido do rio.
Nas margens havia música humana. O canto das lavadeiras se misturava ao bater da água nas roupas; os areeiros, com suas pás e seus animais, desenhavam o ritmo do trabalho; os pescadores conversavam com o silêncio das águas; e as crianças, livres de qualquer temor, mergulhavam antes mesmo de aprender o significado da palavra perigo. O rio não era apenas parte da cidade — era a própria infância respirando.
Eu me lembro do mergulho seguro. O corpo entrava na água como quem volta para casa. A correnteza nos envolvia com a ternura de um velho amigo, e, debaixo d’água, o mundo tremulava em transparência e luz. Havia cheiro de terra molhada, de mato fresco, de manhã recém-nascida. Tudo parecia eterno.
Lembro também dos jegues nas margens — Sobrado, Ponteiro e Arvoredo — companheiros silenciosos daquele cenário que hoje só existe inteiro na memória. O Sobrado caminhava com a imponência de quem conhecia o próprio valor; o Ponteiro era ligeiro e atento, sempre à frente; e o Arvoredo, com sua orelha quebrada pendendo para baixo, seguia devagar, como se tivesse aprendido a conversar com o tempo.
E como esquecer meu avô? Sua presença vinha junto com o cheiro do rio, com a vara de bambu nas mãos e o anzol unha-de-gato brilhando à luz da manhã. Quando o peixe fisgava, começava um pequeno balé sobre a água: a linha esticada, a vara vergando, o peixe riscando o espelho do rio numa resistência bonita, quase uma dança entre a liberdade e a captura.
Os pescadores voltavam com fieiras pesadas, com muitos peixes reluzindo ao entardecer. Os tarrafeiros lançavam suas redes como quem lançava esperança, e muitas famílias encontravam no Cachoeira o pão de cada dia. O rio alimentava corpos e também alimentava a dignidade.
Hoje, quando a estiagem chega, o leito parece respirar com dificuldade. Das águas cansadas sobe um cheiro triste, como se o rio tentasse expulsar a dor acumulada em tantos anos de abandono. O brilho desapareceu, os peixes se calaram, e as margens perderam a alegria das vozes que sabiam viver no compasso da correnteza.
É estranho sentir saudade de um rio que ainda atravessa a cidade. O nome continua o mesmo, o curso ainda insiste em seguir adiante, mas algo essencial se perdeu. É como olhar uma fotografia antiga desbotada pelo tempo: reconhecemos o contorno, mas as cores da vida já não estão lá.
Dentro de mim, porém, o Rio Cachoeira permanece cristalino. Ele corre intacto pelas lembranças de tardes intermináveis, de pés descalços na areia, de mergulhos sem medo e de horizontes que pareciam não ter fim. Na memória, suas águas continuam limpas, e talvez essa seja a última nascente que ainda não conseguiram poluir.
Ah, que saudade da vida do rio. Saudade do tempo em que a transparência das águas iluminava os olhos das crianças, amparava as lavadeiras, sustentava os areeiros e dava esperança aos pescadores. Saudade do meu avô à beira d’água, da vara de bambu apontada para o poente, e do silêncio dourado das tardes em que o Cachoeira parecia eterno.
Hoje, quando fecho os olhos, ainda escuto a correnteza chamando meu nome. E por um instante breve — tão breve quanto o brilho de um peixe saltando ao sol — volto a ser menino nas águas claras do rio que nunca deixou de correr dentro de mim.
.
GRATIDÃO E SAUDADE
Na infância e na adolescência
Ele era da Desportiva Ferroviária.
Mas foi no Vasco que ele ouviu ...
o seu nome ser ovacionado!
Seu talento para fazer gol
Era tão marcante que
atorcida vibrava delirante!
No italiano,-_ nome Giovanni ,
é uma variante do nome _ João.
Amor, Fé, virtudes desse nome
vindas da mente e do coração
Yochanan é Giovani na Tradição .
Significa:_ Deus É sua Proteção.
E assim gols surgiram ..
E fez identidade desse Campeão!
Hoje , não é choro só de tristeza.
Mas de saudade, com certeza.
Esse nosso " Pequeno príncipe"
que se fez realeza,desde o início.
Capixaba sente saudade e chora.
E dizem nesta hora
Obrigado Geovani
Por tudo que você fez aqui.
No nosso País e lá fora!
Gols,gol,gol,!!!
Descanse em Paz
Vitoria sua cidade ,
não lhe esquecerá
Jamais!!!
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