Saudades de alguém que já se foi

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Saudade do vento, da brisa no rosto, do amor sobreposto, do cheiro do mato, do amor que se foi, que matou o sorriso, arrancou a alegria, tornando meus dias nada mais que agonia...
E.C.A

O PAI E A SAUDADE


Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.


(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)

Saudades...

Um colo era tudo que eu queria.
Apenas para te contar
como foi o meu dia.

Desabafar.
Chorar até esvaziar
essa solidão.

Depois, na calma do seu cheiro,
amando até os átomos
do que você é feito.

Minha peça de carbono,
minha kriptonita...

Eu vou me achar
em toques e beijos
até a poesia amanhecer.

Deixa eu me acabar em você.
É melhor do que viver
na tristeza de não poder te ter.



Andrea⁠

A saudade não apaga o que foi vivido… ela apenas prova que foi verdadeiro.

Nem toda saudade é de amor… algumas são só ecos do que já foi curado.

Metamorfoses da Saudade

Você foi o culpado pela explosão de sentimentos que houve em mim.
Você foi um grande amor.

Que bom foi te conhecer… mas foi profundamente terrível e doloroso vê-lo partir.
Ainda bem que as lembranças sabem abraçar até os sentimentos sem fim.

Eu já sei: é um mistério… mas falar é inevitável — e sofrer também.

Quantos não passam por uma metamorfose sofrida e angustiante, ao tentar abraçar outros corpos e beijar outras bocas que não sejam aquela?

Há momentos em que me sinto presa a imagens e sentimentos fictícios, como em um filme inacabado, onde existe um predador sempre à espreita, com a ferocidade de um ser lupino em alerta.

Desespero… até porque “The End” nunca vem.

"A saudade é a teimosa presença daquilo que já se foi, mas que a alma se recusa a deixar partir. Ela faz da memória morada permanente, consentindo que a ausência habite nossos espaços mais íntimos. Se uns falam dela com leveza, outros escolhem o silêncio, não por indiferença, mas porque mexer em certas lembranças é revisitar abismos contidos."

FOI APENAS UM SONHO...

Acordei com saudade de alguém…
Quem?
Não sei…sonhei!

⁠Saudade é história.
Saudade é um pedaço de mim que se criou, que se foi, que virou memória.

De todas as saudades que senti, a sua foi mais forte...

As pessoas mudam, e isso faz parte da vida

É comum sentirmos saudade de quem alguém foi. Das conversas, dos gestos, da presença que parecia constante. Mas as pessoas mudam, assim como nós mudamos.
Algumas mudanças aproximam. Outras criam distância. Nenhuma delas apaga completamente o que foi vivido.

Nem toda mudança representa falta de amor. Às vezes, representa novos caminhos, prioridades diferentes ou fases que já não se encontram.
Aceitar isso não significa deixar de sentir. Significa compreender que o valor de uma história não depende apenas de como ela termina, mas também de tudo o que ela construiu enquanto existiu.

A vida segue transformando pessoas. E nós também fazemos parte dessa transformação.

Pepita de Oliveira

Nem toda saudade pede um retorno. Algumas apenas lembram que um dia aquilo foi importante.

Pepita de Oliveira

E hoje faz uma década que você se foi! 10 anos de muita saudade e em alguns momentos, de tristeza e dor. O tempo passou, nós fomos nos acostumando com a sua ausência, mas parece que sempre vai faltar algo. É que você se foi muito cedo desse mundo. Tinha tanta coisa para viver. Por outro lado, fico aliviada em saber que você aproveitou muito bem a sua juventude. Nunca deixou para depois. Não guardou as suas melhores roupas e perfumes para uma ocasião especial. Conheceu o lugar dos seus sonhos. Que bom que você teve a chance de realmente viver. Talvez, de alguma forma, você soubesse que não teria muito tempo. Nunca mais vou ver você nesse plano, mas fico feliz que nossos caminhos tenham se cruzado enquanto éramos muito jovens e pudemos compartilhar muitos momentos especiais. E você será jovem para sempre!

Saudade do que foi vivido


Sinto saudade não do que faltou,
mas do que existiu inteiro,
do riso que aconteceu sem esforço,
do tempo em que o corpo não doía por lembrar.
É uma saudade estranha,
porque não pede volta,
só reconhecimento.
Ela diz: isso foi real, isso me atravessou.
Tenho saudade do jeito que eu era
quando aquilo cabia em mim,
quando o mundo não pesava tanto
e amar não exigia sobrevivência.
Não é ausência.
É memória viva.
Algo que passou, mas não morreu.
Algo que vivi, e por isso, deixou marca.
Saudade é isso:
não um buraco,
mas uma cicatriz quente
provando que houve vida ali.

Saudade é o vazio que pulsa, um eco silencioso do que já foi e não volta. Não é mera ausência; é a presença fantasmagórica de momentos que se infiltram na alma como brisa úmida do mar. Ela chega sem aviso, num cheiro de café antigo, numa melodia esquecida ou no contorno de um rosto que o tempo borrou.
No peito brasileiro, saudade é patria: o samba que embala ausências, o carnaval que mascara lutos, o abraço que o oceano separou. É o que nos humaniza, nos faz poetas involuntários. Dor agridoce, ela entrelaça fios invisíveis ligando o agora ao ontem, transformando perdas em relíquias eternas.
Mas cuidado: saudade em demasia paralisa, vira prisão de memórias. Aprenda a dançá-la, como frevo leve, deixando que ela venha e vá, sem raízes profundas. Pois viver é saudade em movimento – do que partiu, do que virá. Ela nos lembra: o amor verdadeiro nunca some; apenas espera, paciente, no limbo do coração.

Saudades do Rio


Agilson Cerqueira


O Rio Cachoeira já foi um pedaço do céu derramado sobre a terra. Suas águas corriam tão claras que o azul das manhãs parecia morar dentro delas. Entre pedras douradas pelo sol, a correnteza cantava baixinho, e os peixes deslizavam como versos vivos sob o espelho líquido do rio.


Nas margens havia música humana. O canto das lavadeiras se misturava ao bater da água nas roupas; os areeiros, com suas pás e seus animais, desenhavam o ritmo do trabalho; os pescadores conversavam com o silêncio das águas; e as crianças, livres de qualquer temor, mergulhavam antes mesmo de aprender o significado da palavra perigo. O rio não era apenas parte da cidade — era a própria infância respirando.


Eu me lembro do mergulho seguro. O corpo entrava na água como quem volta para casa. A correnteza nos envolvia com a ternura de um velho amigo, e, debaixo d’água, o mundo tremulava em transparência e luz. Havia cheiro de terra molhada, de mato fresco, de manhã recém-nascida. Tudo parecia eterno.


Lembro também dos jegues nas margens — Sobrado, Ponteiro e Arvoredo — companheiros silenciosos daquele cenário que hoje só existe inteiro na memória. O Sobrado caminhava com a imponência de quem conhecia o próprio valor; o Ponteiro era ligeiro e atento, sempre à frente; e o Arvoredo, com sua orelha quebrada pendendo para baixo, seguia devagar, como se tivesse aprendido a conversar com o tempo.


E como esquecer meu avô? Sua presença vinha junto com o cheiro do rio, com a vara de bambu nas mãos e o anzol unha-de-gato brilhando à luz da manhã. Quando o peixe fisgava, começava um pequeno balé sobre a água: a linha esticada, a vara vergando, o peixe riscando o espelho do rio numa resistência bonita, quase uma dança entre a liberdade e a captura.


Os pescadores voltavam com fieiras pesadas, com muitos peixes reluzindo ao entardecer. Os tarrafeiros lançavam suas redes como quem lançava esperança, e muitas famílias encontravam no Cachoeira o pão de cada dia. O rio alimentava corpos e também alimentava a dignidade.


Hoje, quando a estiagem chega, o leito parece respirar com dificuldade. Das águas cansadas sobe um cheiro triste, como se o rio tentasse expulsar a dor acumulada em tantos anos de abandono. O brilho desapareceu, os peixes se calaram, e as margens perderam a alegria das vozes que sabiam viver no compasso da correnteza.


É estranho sentir saudade de um rio que ainda atravessa a cidade. O nome continua o mesmo, o curso ainda insiste em seguir adiante, mas algo essencial se perdeu. É como olhar uma fotografia antiga desbotada pelo tempo: reconhecemos o contorno, mas as cores da vida já não estão lá.


Dentro de mim, porém, o Rio Cachoeira permanece cristalino. Ele corre intacto pelas lembranças de tardes intermináveis, de pés descalços na areia, de mergulhos sem medo e de horizontes que pareciam não ter fim. Na memória, suas águas continuam limpas, e talvez essa seja a última nascente que ainda não conseguiram poluir.


Ah, que saudade da vida do rio. Saudade do tempo em que a transparência das águas iluminava os olhos das crianças, amparava as lavadeiras, sustentava os areeiros e dava esperança aos pescadores. Saudade do meu avô à beira d’água, da vara de bambu apontada para o poente, e do silêncio dourado das tardes em que o Cachoeira parecia eterno.


Hoje, quando fecho os olhos, ainda escuto a correnteza chamando meu nome. E por um instante breve — tão breve quanto o brilho de um peixe saltando ao sol — volto a ser menino nas águas claras do rio que nunca deixou de correr dentro de mim.


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GRATIDÃO E SAUDADE
Na infância e na adolescência
Ele era da Desportiva Ferroviária.
Mas foi no Vasco que ele ouviu ...
o seu nome ser ovacionado!
Seu talento para fazer gol
Era tão marcante que
atorcida vibrava delirante!
No italiano,-_ nome Giovanni ,
é uma variante do nome _ João.
Amor, Fé, virtudes desse nome
vindas da mente e do coração
Yochanan é Giovani na Tradição .
Significa:_ Deus É sua Proteção.
E assim gols surgiram ..
E fez identidade desse Campeão!
Hoje , não é choro só de tristeza.
Mas de saudade, com certeza.
Esse nosso " Pequeno príncipe"
que se fez realeza,desde o início.
Capixaba sente saudade e chora.
E dizem nesta hora
Obrigado Geovani
Por tudo que você fez aqui.
No nosso País e lá fora!
Gols,gol,gol,!!!
Descanse em Paz
Vitoria sua cidade ,
não lhe esquecerá
Jamais!!!

Parece que foi ontem que eles estavam aqui, o tempo passou, mas a saudade continua a mesma.... ainda há aqueles dias em que espero ouvir sua voz, receber um conselho ou sentir o conforto da sua presença, Deus sabe oque faz, a verdade é que nunca estamos preparados para a despedida, seja para um até logo, ou para um Adeus, a partida deixa um vazio que ninguém consegue preencher, mas deixa lembranças que o tempo jamais apagará. A saudade nunca diminui; apenas aprendemos a conviver com ela.

Sentir saudade não significa que devemos voltar; apenas prova que algo foi importante.


-Jouberth Toffoli

"'Amor, estou morrendo de saudades.'
Ah, meu bem, saudade foi feita pra ser sentida.
O engano foi feito para aperfeiçoar a vida.
Ledo engano deste que há muito lhe ama, achei que você fosse feita pra ser minha.
Infelizmente, meu amor, o seu beijo, seu abraço, a nudez do seu corpo serão incapazes de curar as minhas feridas.
Mas sou grato pela tentativa.
Mas é o seu 'morrer' que me drena a vida.
Sei que não tem inocência, és um todo de malícia.
Lascívia.
Pronta para novamente destruir a minha vida.
Agora vens e me dizes algo que há muito eu queria.
'Amor, estou morrendo de saudades.'
Quisera eu ser capaz de novamente afogar-me em seu poço de leviandades e resolver a minha vida.
Eu sei, você sabe, perdão não cura ferida.
E a saudade, amor, foi feita para ser sentida..."