Saudade do meu Homem
Se fosse definir o homem
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir a beleza
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir o amor
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir o mundo
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir a guerra
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir a esperança
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir fé
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir o universo
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir eternidade
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir o ciúme
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir a paixão
o faria com uma palavra:
absurdo.
Se fosse definir o que não se define
o faria com uma palavra:
absurdo.
A riqueza não convém para o homem mesquinho, nem grandes bens para o homem invejoso. / Quem se priva para acumular, ajunta para os outros. Serão outros que desfrutarão seus bens.
(Eclesiástico 14, 3-4)
O homem primeiro existe para depois se definir, ( Princípio Sartriano para existência ), eis a causa essencial da razão, para nos distinguir dos demais seres e coisas.
Então o que seremos, um espírito em movimento constante, com ideias abertas para a totalidade, ou viveremos toda uma existência apenas subindo e descendo a montanha com a mesma pedra de Sísifo na cabeça ou na mente?
JUSTIÇA POUCA
Nenhum homem
há de pesar e medir
a justiça pouca
e proclamá-la
mais que suficiente.
Todo homem
julgado pela consciência
pelos cordeiros do mundo,
há de semear e colher
nas safras a justiça
e apregoá-la
menos que suficiente.
Fica o dito lavrado na pedra,
e intimados
os desvalidos da terra.
Thales, não o de Mileto, mas o amigo de Oswald, também de Andrade.
Homem de letras e muita representatividade.
Quem gosta de Lobato, do sítio, Emília e sua festa deve já saber que antes teve "A filha da floresta".
Sou, como todo homem,
prisioneiro, prisioneiro
de uma esperança
de uma ilusão persistente
de um querer permanente
de um sonhar consciente
de que no amanhã
logo amanhã
virá a liberdade
Prisioneiros da esperança
Sou, como todo homem,
prisioneiro, prisioneiro
de uma esperança
de uma ilusão persistente
de um querer permanente
de um sonhar consciente
de que no amanhã
logo ali, depois que noite se for
.... virá a liberdade
Quem acredita em liberdade?
quem se abraça com esperança?
são sempre os mesmos
os desesperados
os prisioneiros
os injustiçados
os cegos
os mudos
os surdos
os aleijados
...as mulheres,
as crianças
e os poetas.
Construam o mundo com palavras
Importante se fazer casa
pois nela mora o homem físico
serve de abrigo contra o sol e a chuva,
e de aconchego para as crianças.
Mas quanto se a fazer livros
neles moram o espírito da humanidade
os segredos dos homens do futuro
e dos deuses do passado
a esperança de se fazer,
no futuro, um mundo melhor.
Casas podem ser derrubadas
as ideias nunca, uma vez soltas no ar
não voltam mais às suas origens
criam raízes, dão frutos.
Casas mudam um cenário rural e agreste
mudam uma cidade e até um país, mudam aldeias.
Livros mudam o mundo, mudam os homens
fortalece o espírito abatido, libertam as almas.
A sobrevivência do homem e do planeta depende: se seremos ou não capazes de desenvolver a tolerância. Este pensamento é comum entre grandes espíritos humanistas. Cito dois pelo menos, Russell e Saramago.
Eis o que penso sobre a arrogância do homem em qualquer campo de ação.
Quando a insanidade e a estupidez engana a criatura e ela e torna maior que seu criador. Muitos homens se tonam arrogantes, se acham poderosos pelo sucesso material, outros por conquistas intelectuais, esquecem suas origens físicas e metafísicas, ignoram a verdade suprema, a de que tudo que há nos mundos sensíveis e insensíveis ao homem está sob o domínio de Deus.
Devemos buscar diariamente ser uma luz no mundo, para guiar nossos pares, que como nós andam cambaleantes nas trevas das nossas imperfeições, e não um abismo de arrogância e estupidez mundanas.
O homem cria a partir de alguma essência material, mesmo sendo parte desta mesma natureza involuntária. Uma criação artística e poética brota das emoções sensitivas, sobretudo da memoria afetiva, que produz nossa inteligência emocional. Contudo, como seres imperfeitos, nossa obra nunca se conclui.
Erra, portanto, Fernando Pessoas, quando diz que só há conclusão na morte, este pensamento é de fato materialista, não condiz com a evolução espiritual poética da humanidade. Desta forma percebe-se que estão sempre a criar a partir da criação de outrem, logo concluímos, talvez erroneamente que não temos direito à autoria daquilo que imaginamos dar a luz
O homem não é solidário com o homem, com o seu semelhante, gene da sua gene, todos com o mesmo fim caótico irreversível. A violência, seja ela física ou verbal, tira a dignidade do ofendido e a humanidade do ofensor.
Um problema indissolúvel, é o fato do homem, por ser mortal, nunca poderá constatar a inverossímil tese eclesiástica da metafísica.
Então o verbo se fez carne
e a carne se fez homem
e o homem se fez poeta
e poeta se fez Deus
e Deus se fez musa
e a musa era mulher
e se chamou Ariadne
Ariadne foi morar no labirinto
para onde conduziu o poeta
de olhos vendados
e poeta habitou sozinho
entre anjos e demônios
com a palavra eternidade.
Mesmo que pareça clichê, seria sereno demais, um dia encontrar um homem que ainda presenteasse uma mulher com rosas..
