Saudade de Filho que Estuda Fora

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GOTEIRAS DA INFÂNCIA
(No chão que a saudade regou)

Quando criança, eu achava que a chuva era o choro de Deus. Hoje, compreendo que aquela visão pueril não trazia goteiras de melancolia, mas sim o orvalho que preparava o solo fértil; essa lembrança desenhava, o tempo todo, o meu chão para que a vida pudesse, enfim, brotar e florescer. Mesmo que, no decorrer desse caminho, alguma flor murche, ela não morre, pois Deus sempre me estende um regador.

Lu Lena / 2026

FOI APENAS UM SONHO...

Acordei com saudade de alguém…
Quem?
Não sei…sonhei!

SAUDADE DE MIM?

Bata na minha porta e diga
simplesmente: – Vim!

​LÁPIDE DA ALMA
(​A peregrinação final da saudade)

​Nas lágrimas que borram o céu altivo,
vejo a lua que chora, triste e sombria;
as estrelas, espremidas e sem brilho,
na trágica sina de minha melancolia.
​No vão oco e obscuro de minha incoerência,
busco-te num coração flagelado e de luto;
perambulando em busca de minha existência,
sou peregrina enclausurada num reduto.
​Teu sorriso disperso na luz do luar eu vi...
sigo nesse destino que congela e paralisa,
nesse arrebatamento transfigurado em ti.
​Saudade enegrecida que causa tanto tormento,
círculo vicioso que entorpece e me agoniza…
Diante da lápide, minhas lágrimas borram o teu retrato,
e o vazio, enfim, em mim se eterniza.

​Lu Lena / 2026

A saudade não acaba, nós é que aprendemos a administrá-la melhor para atenuar a dor que sentimos.

É estranho sentir saudade de alguém que ainda respira,
que ainda acorda todos os dias,
que talvez até sorria…
mas que morreu dentro da nossa história.

O luto de um amor vivo não tem flores,
não tem velório,
não tem pessoas dizendo “vai passar”.
Porque ninguém entende a dor de perder alguém
que continua existindo por aí,
como se nada tivesse acontecido.

E enquanto o mundo segue,
a gente tenta juntar os pedaços
de uma versão nossa
que só existia quando aquele amor ainda ficava.

Você se tornou o tipo de saudade
que aparece do nada.

No meio do dia.
No meio de uma risada.
No meio de uma música qualquer.

E por alguns segundos,
o mundo inteiro perde a cor,
porque meu coração ainda procura
um lugar onde você costumava estar.

Bah…
tu virou saudade antes mesmo de virar passado.

E eu sigo aqui,
tentando ser forte igual gaúcho aprende a ser,
mas tem ausência tua
que nem o vento minuano consegue esfriar.

O coração até tenta seguir estrada,
mas toda vez que lembro do teu jeito,
é como se a alma parasse na cancela
esperando alguém que não vai mais voltar.

A saudade é a maldição dos amores não correspondidos; é uma sombra sinistra que não se permite iludir. Saudade é uma doença agressiva que só se cura naquele que consegue sobreviver a ela.

⁠Em alguns dias, o coração aperta e a saudade aparece sem aviso. O silêncio se torna barulhento. A menina ora baixinho, pedindo apenas força, paz e a presença invisível que consola. Ela não busca respostas rápidas, apenas um sinal de que Deus está ouvindo.
E ele está!

- Edna de Andrade

⁠Hoje, o dia amanhece com uma saudade que não tem nome,
daquelas que apertam o peito em silêncio.

Você lembra do cheiro, da risada, dos conselhos,
das coisas simples que agora viraram eternas.
E embora ela não esteja mais ao seu lado,
ela segue viva… em tudo que te habita com amor.

O amor de mãe é semente que não morre.
É raiz que permanece, mesmo quando o tempo passa.

Neste Dia das Mães, que a lembrança seja colo.
Que a fé seja consolo.
E que o coração encontre um jeitinho de agradecer…
por tudo o que foi.
Por tudo o que ficou.

— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna

O pior tipo de saudade é a de quem ainda está vivo.

Há um fogo em cada toque imaginado, uma saudade intensa em cada pensamento, e um querer que transborda sem medo.
Meus desejos chamam pelo teu nome, imploram pela tua presença, pelo teu abraço, pelo calor do teu corpo junto ao meu.

Lágrimas por saudades de ti, uma eterna saudade de ti, mãe.

Saudade fazem lágrimas rolar
Beijam lábios, sentem o paladar
E o sabor da saudade
Misturam-se nas voltas do tempo
Viajam nas ondas do vento
Onde giram pensamentos
Por tantos vividos momentos
Para alguns tem breve sentido
Outros emoções febris
Lembranças tristes ou alegres
Mas o que se apura de verdade
É o tempo que não tem idade
Mesmo que entre lágrimas e risos
Para alguns saudade, poucas ou demais
Dos tempos que não voltam nunca, jamais!
Tão somente restam saudade!

MEU RUMO


Ah, coração carente, sem ti perdido,
pela rua da saudade vai sozinho,
buscando em cada olhar algum carinho,
num sonho pela ausência consumido.


Quando estás longe, segue sem sentido,
meio sem prumo, procurando o caminho,
e a casa, em silêncio, faz seu ninho
num peito pela dor entristecido.


Mas ao te ver abrir a velha porta,
minha vida faz alegre reviravolta,
e o coração desperta para a emoção.


Rio fluente de aventura e esperança,
que ao mar dos sentimentos sempre avança,
levando até você meu coração.


Sandro Sansão da Silva Costa

Embaixo do mistério das horas o tempo silencioso tece lembranças com o fio encantado da saudade.

O braço da saudade alcança tudo que está longe dos olhos, mas dentro do coração.

A Praça.

Hoje eu acordei com saudade de você

Beijei aquela foto que você me ofertou

Sentei naquele banco da pracinha só porque

Foi lá que começou o nosso amor

Senti que os passarinhos todos me reconheceram

Pois eles entenderam toda minha solidão

Ficaram tão tristonhos e até emudeceram

Aí então eu fiz esta canção


A mesma praça, o mesmo banco

As mesmas flores, o mesmo jardim

Tudo é igual, mas estou triste

Porque não tenho você perto de mim

Beijei aquela árvore tão linda onde eu

Com meu canivete um coração desenhei

Escrevi no coração meu nome junto ao teu

E meu grande amor então eu jurei


O guarda ainda é o mesmo que um dia me pegou

Roubando uma rosa amarela pra você

Ainda tem balanço, tem gangorra, meu amor

Crianças que não param de correr


Aquele bom velhinho pipoqueiro foi quem viu

Quando envergonhado de amor eu lhe falei

Ainda é o mesmo sorveteiro que assistiu

Ao primeiro beijo que lhe dei


A gente vai crescendo, vai crescendo e o tempo passa

E nunca esqueci a felicidade que encontrei

Sempre eu vou lembrar do nosso banco na praça

Foi lá que começou o nosso amor

Saudade do que foi vivido


Sinto saudade não do que faltou,
mas do que existiu inteiro,
do riso que aconteceu sem esforço,
do tempo em que o corpo não doía por lembrar.
É uma saudade estranha,
porque não pede volta,
só reconhecimento.
Ela diz: isso foi real, isso me atravessou.
Tenho saudade do jeito que eu era
quando aquilo cabia em mim,
quando o mundo não pesava tanto
e amar não exigia sobrevivência.
Não é ausência.
É memória viva.
Algo que passou, mas não morreu.
Algo que vivi, e por isso, deixou marca.
Saudade é isso:
não um buraco,
mas uma cicatriz quente
provando que houve vida ali.