Sair da Casa da Mae
Eu passo todo dia
pela mesma rua
e na frente de cada casa
Há sempre um jardim disposto
de maneira diferente
no tempo e no espaço
Eu faço a vida inteira esse trajeto
e faço do mesmo jeito
do lado oposto
Mas é a mesma rua
Que não é mais a mesma
Quando termina
Existe outra calçada
Quando a gente
Está perto da praça
Mas a graça de tudo isso
É o colibri que bate as asas
e sempre se aproxima
Mas não é todo dia que ele sorri.
Ali tem um Sol sempre brilha
E tem sido assim a vida inteira
Pois o fato de as nuvens o encobrirem
Impedindo que a gente o veja
Não significa necessariamente
Que esteja apagado
Nem sempre a cerejeira dá cereja
E os jardins são sempre jardins
Todas as ruas do mundo tem dois lados
Sempre sobra uma sombra
Mesmo que a gente não veja
O sorriso do colibri
Por detrás dos escombros
Eu acho assombroso
Tantos seres alimentando essa dúvida
de que o beija-flor realmente sorria
Pois não acredita no que não pode ver
Mas crê nos poderes da dor
E a gente sempre chega a outra rua
No final de cada dia
Brilhando ou não havendo Sol
Outra noite
E nunca é igual
E aquela rua também não é mesmo
A mesma que termina numa praça
E esta é a bela graça de toda vida
Aprendida na ausência de pressa
E que a gente não vê
Mas ...
Invariavelmente termina
Na esquina onde tudo começa
E que fica naquela rua
A mesma
Onde todo mundo passa.
Edson Ricardo Paiva
Minha casa
São asas que saem de mim
Que me cabem nos bolsos
Mesmo que bolsos não tenha
São brasas que aquecem
Ventos frios que arrefecem
Minha casa é palavra guardada
Das coisas vazias que eu ouço
Meio termo, meio-dia
Meio morna
Fria totalmente
Não importa exatamente a forma
É tudo aquilo que eu sou
Mesmo
Que jamais eu tenha sido tudo
Pois eu tenho tudo isso em mente
Minha moradia é uma semente
Um nada, um pé na estrada escura
É uma luz acesa que me ilumina
E mesmo assim, não tendo nada
Minha casa é meu abrigo
Que sou só eu mesmo que vejo
Porque sou só eu mesmo que sei
Que o endereço dela é em mim
E tem sido assim desde o começo
Pra poder um dia levá-la comigo
Por mais longo que seja o dia
Há sempre o momento
Em que o dia termina
Edson Ricardo Paiva.
Aqui na minha rua
Tem uma casa que fica
No quintal de um pé de nada
E mora debaixo da lua
Quem a vir, de olhar distante
Na hora em que brilhar de iluminada
Nem nos seus melhores sonhos
Desconfia da alegria que morava lá
Mas mudou-se, escondeu-se igual
Só que ora, distante
Sob um pé de pensamentos
Entremeado de dimensões
Mas que morreu de seco e quedou-se no próprio eco
Só que esse era mudo, era atroz qual num galope
Mas não tinha voz
Era feito de espera, era quase perfeito
Penso que quem não o conhece
Pode ser que pense que era e o compre
Pois o som não se propaga no silêncio...o rompe.
Edson Ricardo Paiva.
"Aqui na minha rua
Tem uma casa que fica
No quintal de um pé de nada
E mora debaixo da lua
Quem a vir, de olhar distante
Na hora em que brilhar de iluminada
Nem nos seus melhores sonhos
Desconfia da alegria que morava lá
Mas mudou-se, escondeu-se igual
Só que ora, distante."
Edson Ricardo Paiva.
Permita que o amor invada a sua vida, que entre na sua casa e abra as suas janelas, não se sinta mais um... Ame a oportunidade de viver em paz com o seu novo amor, permita-se!
" A casa Vazia"
A cada parte do deixado para trás, sinto que aprendi um pouquinho mais.
A semana começou e os móveis estou tirando pouco a pouco do lugar. A casa esta ficando vazia.
Sensação de missão cumprida para com o meu corpo. Finalmente eu tenho a certeza, de que eu fiz a coisa certa. Mas confesso que mesmo assim, reflito sobre e cheguei novamente a conclusão... - Sim, eu fiz a coisa certa!
O sofrimento a casa torna, eu que pensei que tudo seria melhor e diferente com às mudanças da vida, eu que já fui tão feroz com minhas palavras, com minha língua e meu julgar, sim, eu já julguei e fui julgada, já pedi perdão e fui perdoada, estou um resto de pessoa, um resto de ser humano, minha mãe está se despedindo todo dia mais um pouco de mim, acaba de vomitar uma quantidade absurda, que chega a ser inimaginável, eu que tinha ansia até do ato vomitar, hoje estou aqui, acabo de limpar tudo o que eu repudiava com o próprio estômago. Está doloroso, sofrido, está cruel, não tenho mais sono, a dor dela é a minha, que abraços receber diante dessa atrocidade em sentir... percebi que estou deixando partes minha, morrer, não sei nem mais quem sou, e cada vez que ela passa mal, eu ergo meus olhos ao céu e dou glória a Deus, é como se Deus fosse ter piedade dela, e logo parece-me que não.
18 de Maio de 2021
Eu gostaria que fosse fosse mais respeitoso comigo, eu não sou apenas uma dona de casa, eu sou a sua casa.
"Na casa que servimos a bandeira" - Servimos as bandejas,e dela apenas nos fora tirado o direito de liberdade!
FUNDAMENTOS DOUTRINÁRIOS DO VOLUNTARIADO NA CASA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A Doutrina Espírita, em sua estrutura racional, moral e filosófica, estabelece que nenhuma forma de coação, direta ou indireta, pode orientar o serviço no bem. O trabalho espírita, por sua natureza, nasce da liberdade de consciência, do amor que se expande e da caridade que se converte em hábito moral. Qualquer tentativa de impor obrigações, sobretudo no ambiente de estudo, atendimento e acolhimento espiritual, contraria frontalmente os princípios codificados por Allan Kardec e aprofundados por autores fiéis à Codificação, como José Herculano Pires, Divaldo Pereira Franco e Raul Teixeira.
A seguir, aprofunda-se cada fundamento doutrinário, em rigor ético e lógico, citando fontes fidedignas.
1. Voluntariado, Amor e Caridade como Fundamento Moral do Serviço Espírita.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XV, item 10, Kardec define a caridade segundo Jesus como “benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas”. Essa tríade exige espontaneidade moral, jamais imposição.
Na Revista Espírita (dezembro de 1863), Kardec afirma que o bem só tem valor quando praticado livremente, pois é o exercício da vontade que educa o espírito. Portanto, qualquer forma de “obrigação indireta” viola esse princípio.
José Herculano Pires, em O Centro Espírita, capítulo “O Problema da Direção”, reforça que a disciplina espírita é sempre consentida, nunca autoritária, pois o centro espírita “não é uma instituição clerical” nem admite hierarquias de imposição.
Divaldo Franco, em Diretrizes de Segurança, esclarece que “a caridade não pode florescer em clima de coerção, mas pede consciência desperta e amor ativo”. Raul Teixeira, em Plantão de Esperança, comenta que o servidor espírita deve agir “com alegria, jamais por temor ou pressão moral”.
Assim, o caráter voluntário do serviço não é recomendação moral secundária, é um pilar doutrinário.
2. A Lei do Trabalho: Fundamento Filosófico da Livre Ação do Espírito.
Em O Livro dos Espíritos, questão 674, Kardec pergunta: “Por que o trabalho se impõe ao homem?” Os Espíritos respondem: “É consequência de sua natureza corporal […] e um meio de desenvolver a sua inteligência”.
Na questão 683, a Codificação afirma: “O limite do trabalho é o das forças”, sublinhando que o esforço não pode ultrapassar a capacidade física, emocional ou psíquica do indivíduo.
A Lei do Trabalho diz respeito a toda ocupação útil, não exclusivamente às atividades do centro espírita. Portanto, transformá-lo em fardo, obrigação ou carga moral é contrário à lei natural.
Herculano Pires esclarece que “o centro espírita é uma escola livre”, e qualquer atuação deve respeitar a autonomia e os limites humanos, físicos, emocionais e espirituais.
3. Livre-Arbítrio e Responsabilidade Moral.
O Espiritismo afirma insistentemente que “a liberdade é o princípio, e a responsabilidade, a consequência” (O Livro dos Espíritos, q. 872).
Assumir um compromisso e não cumpri-lo é, sim, matéria de responsabilidade individual, mas não é prerrogativa da instituição impor peso, ameaça velada ou constrangimento. A moral espírita trabalha pela transformação íntima, jamais pelo medo ou pela imposição.
Raul Teixeira enfatiza que a postura doutrinária deve ser “educadora, não disciplinadora de maneira tirânica”.
Divaldo Franco, em diversas conferências doutrinárias, afirma que a casa espírita “é hospital, é escola, é oficina de almas, e não um tribunal”.
4. Acolhimento, Fraternidade e Ética da Convivência.
A fraternidade, segundo Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI), é a aplicação direta da lei de amor. Um centro espírita que adota práticas coercitivas, mesmo sutis, rompe com o mandamento da tolerância e do respeito à diversidade das experiências humanas.
Kardec, na Revista Espírita (abril de 1864), alerta que “a unidade espírita deve ser fruto da convicção, não da imposição”.
A verdadeira direção espírita é aquela que acolhe, orienta, educa e compreende. Nunca força, nunca constrange, nunca impõe obrigações travestidas de “dever moral”.
Como Lidar com Situações de Coação Indireta no Trabalho Espírita.
1. Diálogo franco e fraterno.
A base da convivência espírita é o diálogo sincero. É aconselhável expor sentimentos, dificuldades e percepções aos dirigentes de forma respeitosa.
2. Autoanálise consciente.
A Doutrina propõe introspecção e responsabilidade. Reconhecer limites, desejos e possibilidades é necessário para um serviço saudável.
3. Estudo sistemático da Doutrina.
O conhecimento doutrinário liberta de equívocos, fantasias e práticas importadas de modelos autoritários alheios ao Espiritismo.
4. Buscar apoio quando necessário.
Em caso de persistência do problema, recomenda-se consultar órgãos federativos espíritas ou, se indispensável, buscar outro espaço onde reine o amor e o respeito à liberdade.
Conclusão: Servir com Liberdade é Servir com Amor.
A Doutrina Espírita é clara, objetiva e profundamente ética:
ninguém pode ser coagido a servir.
O trabalho espírita que nasce do coração ilumina;
o que nasce da imposição, obscurece.
Serviço espírita não é carga, é exercício de amor, prática de humildade e construção do reino interior. Quando os princípios da Codificação são observados, o centro espírita torna-se espaço de paz, aprendizagem, cura e fraternidade legítima.
Porque, como ensina Kardec:
“A fé verdadeira é aquela que se impõe pelo pensamento, não pela força.”
(Revista Espírita, janeiro de 1862)
"É muito importante ter uma atmosfera amorosa em sua casa. Faça tudo que puder para ter um lar tranquilo e harmonioso."
“Nossa casa e o nosso ambiente de trabalho são o nosso corpo mais amplo, que também devem ser cuidados.”
"O dinheiro torna bonita e confortável a sua casa. Os sorrisos tornam felizes os moradores. Sorria por tudo e por nada. O seu sorriso contagiará os familiares e todos se sentirão maravilhosamente bem junto a você."
A vida passa num segundo… Entre tantos afazeres cotidianos… trabalhar, cuidar da casa, varrer, lavar louça, lavar roupas… muitas vezes deixamos nossos sonhos de lado para cumprir essas tarefas.
O tempo escorre pelas mãos, e quando nos damos conta, anos se passaram sem que tivéssemos realizado aquilo que realmente desejávamos.
Por muito tempo, vivi essa rotina previsível, onde os dias se repetiam como se estivessem presos em um ciclo sem fim.
O trabalho consumia minhas horas, e as obrigações domésticas completavam o restante do tempo.
Parecia que minha vida estava sendo vivida no piloto automático, com pouco espaço pra novidades ou descobertas.
Mas então, tudo mudou.
Hoje, eu vivo na estrada, conhecendo lugares diferentes a cada semana no meu motorhome.
Minha rotina continua existindo: ainda lavo louça, roupas, faço faxina… Mas com uma grande diferença: agora, o cenário muda constantemente, e cada dia traz uma nova experiência.
A janela da minha pequena casa sobre rodas se abre para paisagens que antes só via em fotos.
O nascer do sol pode ser à beira de um lago cristalino, e o pôr do sol pode se despedir atrás de montanhas imponentes.
Cada tarefa do dia a dia se tornou mais leve porque não está mais presa à monotonia.
A estrada me ensinou que a vida não precisa ser uma lista interminável de obrigações. Sempre haverá louça para lavar, roupas para limpar e chão para varrer, mas agora faço isso com o vento fresco entrando pela porta do motorhome, ouvindo os sons da natureza ou apreciando a movimentação de uma cidade desconhecida.
Viajar não significa escapar da realidade, mas sim ressignificá-la.
Hoje, trabalho e cuido da minha casa, mas também respiro novos ares, coleciono histórias e me permito viver.
A vida continua passando num segundo… mas agora, eu a vivo intensamente, sem deixar meus sonhos para depois… eu escolho como quero vivê-la!
A vida passa num segundo… Entre tantos afazeres cotidianos… trabalhar, cuidar da casa, varrer, lavar louça, lavar roupas… muitas vezes deixamos nossos sonhos de lado para cumprir essas tarefas.
O tempo escorre pelas mãos, e quando nos damos conta, anos se passaram sem que tivéssemos realizado aquilo que realmente desejávamos.
Mas a boa notícia é que nunca é tarde para mudar. A vida pode continuar passando num segundo, mas a maneira como escolhemos vivê-la está em nossas mãos.
Precisamos encontrar equilíbrio, reservar tempo para aquilo que nos dá prazer, seja um hobby, uma viagem, um projeto pessoal ou simplesmente momentos de descanso e contemplação.
Pequenos passos podem fazer uma grande diferença. O segredo está em começar com o que temos, onde estamos, da maneira que pudermos.
Permita-se viver com mais leveza. Valorize as pequenas alegrias do cotidiano. Dê-se a chance de experimentar coisas novas. Cuide de você com o mesmo carinho que dedica às suas responsabilidades.
Afinal, a vida continua passando num segundo… mas podemos decidir torná-la mais significativa, mais vibrante e, acima de tudo, mais nossa.
O Encontro no Ônibus
Estava eu, mais uma vez, indo para a casa de minha avó. Para tanto, preciso pegar dois ônibus ou ir a pé até o ponto do segundo. Com muita cautela, vou. Passo atenciosamente de rua em rua, esquivando-me das esquinas como quem evita lembranças indesejadas.
Decido ir a pé. Chego ao segundo ponto um pouco cansado, o corpo denunciando a caminhada, e logo vejo meu ônibus se aproximar. Entro, pago e me assento. Como em qualquer outro dia, encaro a janela como uma tela em branco, onde os cenários passam rápido demais para serem compreendidos. Imagino tudo, porém nada de importância.
Um bairro se passou quando sinto um toque no braço, leve como o roçar de um galho ao vento. Vinha de alguém que se assentava do meu lado direito. Penso que foi apenas um esbarro casual e volto ao meu devaneio, mas novamente sinto. Dessa vez, decido me virar e entender o que estava acontecendo.
Era uma senhora, pequena e franzina, de mãos trêmulas e olhar perdido. Tentava, com delicadeza, chamar minha atenção. Algo havia de diferente em seu olhar — um brilho úmido que parecia conter todo o peso do mundo. O marejar de seus olhos já me inundava, e antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela segurou minha mão com firmeza, como quem busca âncora na tempestade.
Sem dizer uma palavra, ela apenas suspirou fundo, como se aquele gesto contivesse anos de histórias acumuladas. Seus dedos enrugados e frágeis envolviam minha mão como se segurassem um último pedaço de esperança. Por um instante, o mundo se reduziu àquele toque, e o barulho do ônibus se tornou um murmúrio distante.
Aos poucos, seus lábios se abriram, e num sussurro quase inaudível, ela disse:
— Você se parece com meu filho...
Houve um silêncio denso, como se o universo contivesse o fôlego. Não sabia o que responder, e talvez ela nem esperasse uma resposta. Apenas segurava minha mão, fixando o olhar num ponto indefinido do corredor.
— Ele partiu faz tanto tempo... — murmurou, com a voz quebrada pela saudade.
Um nó se formou na minha garganta. Respirei fundo, sentindo o peso daquele instante. Então, num gesto instintivo, apertei a mão dela com carinho e disse:
— Eu estou aqui... Pode me contar sobre ele, se quiser.
Ela pareceu surpresa, como se aquela simples oferta fosse um presente inesperado. Seus olhos marejados se voltaram para mim, e um sorriso tímido despontou, como um raio de sol por entre nuvens carregadas.
— Ele tinha esse jeito quieto... sempre olhava pela janela, pensativo. Gostava de imaginar histórias. E quando eu estava triste, ele só segurava minha mão, como você está fazendo agora.
Senti meu coração pulsar mais forte. Eu não era apenas eu — naquele instante, eu era um fragmento de memória viva. Ela continuou falando, e a cada palavra seu rosto se iluminava, como se a lembrança trouxesse o calor de um reencontro.
— Ele dizia que as nuvens eram mapas de terras mágicas — disse ela, sorrindo leve.
— Sempre acreditava que, se prestássemos atenção, descobriríamos um caminho que só os sonhadores enxergam.
Sorri também, e sem perceber, comecei a compartilhar minhas próprias memórias de viagens e pensamentos perdidos olhando pela janela. Ela escutava atenta, como quem encontra companhia na dor e na saudade.
Quando o ônibus freou bruscamente, ela soltou minha mão com delicadeza, como se devolvesse à realidade o que fora apenas um breve consolo. Antes de descer, olhou para mim com um sorriso pequeno, mas sincero, carregado de um agradecimento mudo.
— Obrigada... Você me fez lembrar que o amor não morre... Só se transforma em saudade.
Olhei para ela e, com um sorriso sincero, respondi:
— Talvez ele ainda segure sua mão... de algum jeito, através de quem traz um pouco dele no olhar.
Ela desviou o olhar por um momento, tentando conter as lágrimas. Mas quando voltou a me encarar, havia uma serenidade nova ali, como se minhas palavras tivessem encontrado um canto acolhedor dentro dela.
Fiquei observando-a partir, pequena e delicada, desaparecendo na multidão. O ônibus seguiu viagem, mas aquela sensação permaneceu em mim — uma mistura de melancolia e gratidão por ter sido, ainda que por poucos minutos, um porto seguro para alguém que precisava ancorar suas lembranças.
No caminho até a casa de minha avó, pensei sobre a força que existe em simplesmente estar ali para alguém. Às vezes, somos chamados a ser companhia em meio ao tumulto da cidade, como se a vida nos empurrasse para encontros que não esperávamos, mas que, de alguma forma, precisávamos viver.
E ali, entre a dor e o alívio, aprendi que às vezes somos porto, outras vezes somos naufrágio — e, no intervalo entre os dois, a vida nos permite tocar o coração de um desconhecido, deixando nele um pouco de calma, e levando conosco a certeza de que a humanidade sobrevive nos detalhes.
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